Análise | Resident Evil Revelations (2013)

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Desde crianças, estamos acostumados a ouvir histórias sobre o quanto o mar é misterioso e traiçoeiro. Quantos segredos podem esconder as suas superfícies inatingíveis, e quantos já não perderam suas vidas tentando desbravar seus mistérios? A Capcom não poderia escolher cenário melhor para o seu retorno triunfal da franquia Resident Evil às suas origens de suspense e do “Survival Horror”, gênero que nasceu com o jogo Alone in The Dark, em 1992, mas que só ganhou forças com o nascimento de Resident Evil, em 1996.

Se os fãs da série reclamavam da falta de sustos, enredo com reviravoltas e personagens carismáticos e, ao mesmo tempo, enigmáticos e que despertam nossa intensa curiosidade sobre suas verdadeiras intenções e seu futuro na trama, todos estes elementos estão presentes no título, em uma ambientação claustrofóbica, sombria e cercada por um mar infinito, o detalhe perfeito para incrementar uma obra que cumpriu com louvor a sua missão de retorno às raízes.

Resident Evil Revelations

A icônica dupla Chris Redfield e Jill Valentine voltam mais uma vez como protagonistas de um título da série principal, agora como membros da BSAA, organização anti-bioterrorismo apresentada aos fãs da franquia em Resident Evil 5, lançado em 2009. O enredo, aliás, explica como ocorreu a expansão do esquadrão militar, outrora apenas como um mero esquadrão conselheiro em ações bioterroristas sem qualquer autoridade perante a influência e poder da FBC, Comissão Federal de Bioterrorismo, liderada pelo grande Morgan Lansdale. Além de Morgan, outros personagens inéditos igualmente interessantes são adicionados ao game (e, com alguma sorte, à série), como Parker Luciani, atual parceiro de Jill, e Jessica Sherawat, parceira de Chris. Também se destacam o diretor da BSAA, Clive R. O’Brian, e Raymond Vester, uma espécie de Ada Wong de calças. Essas novas figuras sem dúvida alguma fazem jus à gama de personagens com personalidades marcantes que aprendemos a amar e com os quais até nos identificamos em Resident Evil.

Para quem teve o prazer de conferir Revelations anteriormente no Nintendo 3DS, a diversão agora se apresenta em uma versão HD, com a maioria de seus modelos refeitos e um imenso zelo pela qualidade gráfica. Não fosse pela ausência da opção de jogar em 3D em uma tela grande, o jogo seria uma completa obra prima moderna, já que o atributo realmente faz falta: cenas incríveis como a destruição da cidade flutuante de Terragrigia e a jogabilidade sob a água fariam toda a diferença com sobreposição de camadas, transportando o jogador ainda mais para dentro do universo do jogo.

Resident Evil Revelations

A trilha… O que dizer da trilha? A palavra que chega mais perto do que achamos da parte sonora do jogo é ‘impecável’. O compositor Kota Suzuki é o responsável também pela belíssima trilha de Resident Evil 5, que emocionou muita gente com suas belas canções em orquestra e coral, mas, em Revelations, um título com ambiente mais sombrio, ao ritmo do balanço do Queen Zenobia à deriva no Mar Mediterrâneo ou desbravando os escombros de um navio naufragado, é impossível não abrir um sorrisinho de plena satisfação ou entreabrir os lábios em um “oh” de admiração.

O fator replay – e viciante – de Revelations, além de uma campanha excelente, está em seu mini-game, o Modo Raide, no qual você deve finalizar diversas fases, matando o maior número de inimigos no menor tempo possível. É possível jogar com quase todo o elenco do jogo, além da adição do soldado imortal HUNK e das DLCs de Lady HUNK e da bela agente Rachael Foley em sua assustadora versão Ooze. Acredite, você vai passar muitas horas jogando o Modo Raide, especialmente porque, ao contrário da campanha, ele traz a possibilidade de jogo online. Não se espante, portanto, se, depois de horas e horas de jogatina, você perceber que ainda não bateu o cansaço do mini-game.

Resident Evil Revelations

É importante também destacar que, assim como em Resident Evil 6, Revelations está totalmente legendado em português, agora que a Capcom tem escritório oficial no Brasil, e, apesar de alguns errinhos de interpretação na hora da tradução, os jogadores ficarão felizes por finalmente poderem entender toda a trama e os arquivos encontrados ao longo do game, tudo em nosso idioma. Algumas partes do jogo exigem a leitura dos arquivos e atenção em diálogos para compreensão de enigmas, então a tradução em português com certeza ajudará e muito na hora de descobrir os segredos do Queen Zenobia e aumentará suas chances de sobreviver aos monstros que o habitam.