Conhecendo o predecessor de Resident Evil

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Os fãs de Resident Evil sabem: a série foi a responsável por popularizar a jogabilidade tanque de guerra e o gênero survival horror e que estes foram inspirados na série Alone in The Dark, lançado originalmente para PC. No entanto, você conhece um pouco da história por trás de AITD?

A ideia original era fazer um port para o MS-DOS do game desenvolvido pela Infrogames, Alpha Waves, lançado em 1990 para o Atari ST, sendo este o pioneiro em usar gráficos inteiramente poligonais para dar um efeito 3D. Nele, não havia personagens, somente blocos e formas geométricas .

O principal responsável pela conversão foi o francês Frédérick Raynal, que acabou se tornando um entusiasta da tecnologia, apostando que os jogos do futuro deveriam seguir aquele modelo. Com isso, ele passou a idealizar uma engine que faria personagens poligonais em 3D.

Mostrando ao seu chefe, Bruno Bonnel (CEO da Infogrames na época), a engine que ele tinha criado, Bonnel propôs que ele fizesse um jogo utilizando a tecnologia, mas que tivesse uma ambientação bastante sombria e se inspirasse no filme de terror O Despertar dos Mortos. Raynal gostou da ideia, e passou a liderar o projeto.

Como a tecnologia da época não permitia visuais inteiramente tridimensionais, ficou decidido que os personagens e objetos seriam poligonais, mas que os cenários seriam imagens estáticas em 2D pré-renderizadas em câmera fixa. A ideia original era usar fotos escaneadas de uma mansão verdadeira, mas a ideia era um pouco “ambiciosa demais” para os padrões da época, então eles mesmos desenharam os cenários. Para aumentar a tensão, o personagem podia morrer fazendo coisas “cotidianas”, como descer uma escada, abrir uma porta ou ler um livro.

Assim, em 1992 o jogo foi lançado, recebendo mega aprovação popular e da mídia pela inovação, visuais impressionantes para a época, e sendo considerado “o melhor jogo de terror de todos os tempos”. Ganhou diversos prêmios como melhores gráficos, originalidade, jogo do ano, e recebeu análises entusiasmadas de muita gente. Mais recentemente, ele entrou no Guiness Book como o primeiro game de survival horror em 3D da história, e a Game Informer o colocou na lista de um dos jogos mais influentes de todos os tempos.

Mesmo com tudo isso, e alcançando 2.5 milhões de cópias ao longo dos anos, Raynal ficou insatisfeito com o resultado final, alegando que o game poderia ter sido melhor do que foi tanto visualmente quanto em jogabilidade, sendo que nesta última precisava de mais polimento quanto a bugs e refinamentos gerais. Talvez por essa razão, pouco tempo após o lançamento, grande parte dos desenvolvedores tiveram desavenças com o produtor Bruno Bonnell, e saíram para fundar um novo estúdio.

Mesmo assim, a engine foi reaproveitada por Raynal nos dois jogos seguintes, lançados em 1993 e 1994, ambos bem sucedidos, mas não se equiparando ao lançamento original. O terceiro foi o único da trilogia original a não ser lançado também em disquete, somente em CD-ROM.

A trilogia original é boa?

Muitos argumentam que os três jogos originais não “envelheceram bem”, tendo apenas importância histórica, valendo a pena a conferida apenas por isso.
A jogabilidade travada, animações ruins, enigmas ilógicos (lembra do casino coin girl do Resident Evil Revelations? Não há nada do gênero aqui!) e gráficos um pouco “quadrados demais”, afastam os três games da excelência. Talvez por este último, os inimigos, que nos anos noventa eram considerados assustadores, hoje em dia passam a ser engraçados.
Além de que há sessões de plataforma que mais frustram do que divertem devido aos controles imprecisos. No entanto, o maior problema dos três são seus finais, considerados decepcionantes, se resumindo a ceninhas que dão aquele sentimento de “sofri tanto para ver isso?”.

Por outro lado, a ambientação e a história são bons, e os cenários pré-renderizados ainda são legais até hoje.

Como está a série hoje?

Após um longo período sem games inéditos após a recepção mista do terceiro episódio, a série voltou a ativa em 2001 com o jogo Alone in The Dark: The New Nightmare lançado para PC, PlayStation 1 e 2, Dreamcast e Gameboy Color.
Especula-se que a Infogrames quis se aproveitar do sucesso que Resident Evil fazia na época para revitalizar a série. New Nightmare conta uma história separada da timeline original e tem jogabilidade bem semelhante a de Resident Evil, incluindo menus, cenários e enigmas bem evidentes. De todos os games da série, este é considerado o que envelheceu melhor, apesar do alto nível de dificuldade.
Em 2008 houve um reboot com o mesmo nome do primeiro jogo desenvolvido pela Eden Games que não foi tão bem recebida pela mídia devido aos bugs, combates repetitivos, diálogos forçados, e controles ruins. Mesmo assim, este rendeu sucesso comercial. Com versões para Xbox 360, PlayStation 2, 3 e Nintendo Wii, a edição do PlayStation 3 é considerada “muito superior” por ter sido lançada posteriormente, com correções no gameplay.
Por fim, em 2015 foi lançado Alone In The Dark Illumination, desenvolvido pela PURE FPS. Diferente dos anteriores, este é um jogo de tiro com a câmera “acima do ombro” se inspirando em Resident Evil 4. Foi universalmente penalizado pela mídia como o pior game da série.

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