Entrevista | Keith R.A. DeCandido, autor das novelizações dos filmes de Resident Evil

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Como surgiu a oportunidade de fazer novelizações baseadas nos filmes Resident Evil?
A editora Simon & Schuster já havia feito várias parcerias comigo, incluindo muitos livros de Star Trek (Jornada nas Estrelas) e Buffy The Vampire Slayer (Buffy, a Caça-Vampiros), e eles também haviam me contrato para escrever uma novelização de um filme de terror, chamado Darkness Falls um ano antes. Quando “Resident Evil: Apocalypse” estava em produção, a S&S – que já tinha os direitos para as versões novelizadas dos jogos – havia conseguido os direitos não apenas de escrever Apocalypse, mas também o primeiro filme RE, que nunca havia sido novelizado. Eu fui contratado para fazer os dois, sucessivamente.

Como você se preparou para escrever as novelizações? Você recebeu algum tipo de roteiro do filme?
A maioria das novelizações é baseada no roteiro, porque é tudo o que eles têm pronto até o momento. O tempo de produção de um livro é mais longo do que o de um filme, e é mais difícil fazer mudanças de última hora em um livro, então o roteiro geralmente é tudo o que se tem para trabalhar. Certamente este foi o caso com Apocalypse e Extinction. Eu tive sorte com o primeiro filme, já que eu estava escrevendo sobre um produto final, o que é raro – mas eu tinha uma cópia do roteiro também.

Você teve algum contato com Paul W.S. Anderson e o elenco? Você teve algum apoio oficial da equipe do filme?
Tudo tem que ser aprovado pela companhia do filme, então eu tive apoio neste sentido, sim. Eu nunca tive qualquer contato direto com Anderson ou com outras pessoas envolvidas – há uma cadeia de comando para estas coisas. Eu fico em contato com meu editor, meu editor fica em contato com o pessoal da Constantin Films, e eles ficam em contato com o pessoal do filme. Qualquer comunicação seguia estes passos.

Em sua opinião, qual foi o melhor e o pior filme de Resident Evil sobre o qual você teve que escrever?
Não consigo realmente escolher entre os três que escrevi. Todos eles têm seus pontos bons e seus pontos ruins.

Se você tivesse tido liberdade para mudar algo dos roteiros originais, o que teria sido?
Eu teria feito o que fiz com a equipe de One na novelização, ou seja, deu mais personalidade e história de fundo a eles. Eles eram muito genéricos. Com os dois protagonistas estando com amnésia, precisava-se de alguém com quem realmente se importar, e poderia ser a equipe do One, mas eles não tiveram profundidade suficiente para trabalhar estes papéis até Alice e Spence recuperarem suas memórias.

Qual é a sua novelização favorita entre as três: Genesis, Apocalypse ou Extinction?
Oh, esta é fácil: Extinction. A Constantin me deu carta branca para tapar o intervalo entre o fim de Apocalypse e o começo de Extinction, o que foi tremendamente divertido de escrever. Eles também me deixaram contar a história do que Jill Valentine estava fazendo, já que Sienna Guillory não estava disponível para o filme, mas queriam ter a personagem por perto para usar em filmes futuros.

Por que você não fez a novelização do quarto filme, chamado Afterlife? Ou ela ainda está em seus projetos futuros?
Vocês teriam que perguntar ao pessoal da Constantin – tudo o que sei é que eles recusaram totalmente a opção de fazer uma novelização.

Você assistiu todos os filmes depois que eles saíram no cinema? O que você acha deles?
Eu não vi Resident Evil nem Afterlife no cinema, mas vi Apocalypse e Extinction, e gostei bastante dos dois.

Conte-nos qual foi o melhor e o pior personagem dos filmes de Resident Evil sobre os quais você precisou escrever.
Em partes por ser péssimo com histórias de policiais bonzinhos, em partes por ela arrebentar totalmente sem ter o T-Virus para ajudá-la, acho que a melhor foi a Jill. O pior provavelmente foi o Major Cain em Apocalypse, que era um vilão muito fraco – o roteiro dependia de sua estupidez, e ele não era tão interessante quanto Spence ou Isaacs do primeiro e terceiro filmes.

O que você acha da personagem Alice? Você teve que dar algum plano de fundo a ela?
Na verdade, eu dei bastante plano de fundo a ela na novelização do primeiro filme, dando-lhe um sobrenome (Abernathy) e um histórico como ex-agente do governo, que pegou o emprego na Corporação Umbrella porque chegou ao cargo máximo no Serviço Secreto. Eu também dei destaque à relação entre ela e Lisa quanto à possibilidade de expor o desenvolvimento do T-Virus pela Corporação Umbrella, o que movimenta o roteiro todo, incluindo como as duas começaram a conversar e por que Alice decidiu usá-la como sua cúmplice.

Você já jogou os jogos? O que acha deles?
Ironicamente, apesar de minha imensa quantidade de créditos serem baseadas em jogos de videogame (World of Warcraft, StarCraft, Command and Conquer), eu na verdade não jogo com frequência. Simplesmente não tenho tempo para me dedicar a isto. Eu mal tenho tempo para fazer todas as outras coisas que faço, e se incluísse um interesse em jogos, não dormiria nunca…

Se as novelizações dos jogos, escritas por S.D. Perry, não existissem, você gostaria de escrevê-las?
Oh, com certeza. Lembrando que Danelle fez um trabalho magnífico com eles, mas eu teria curtido muito.

Você poderia nos falar um pouco de seus projetos futuros? Vai trabalhar novamente com a série Resident Evil? Gostaria de trabalhar novamente com ela?
Eu adoraria fazer mais trabalhos de RE, mas não tenho nada planejado no momento. Estou trabalhando na minha série original de livros: SCPD, a história de policiais em uma cidade cheia de super-heróis (o primeiro livro, The Case of the Claw, já saiu em formato digital pela Crossroad Press); a série “Dragon Precinct” de fantasia misturada com trama policial (imagine Law & Order misturada com Senhor dos Anéis) que começou com o livro homônimo em 2004, e agora também tem Unicorn Precinct e os próximos Goblin Precinct e Tales from Dragon Precinct, que sairão no ano que vem, e várias contribuições a “Tales of the Scattered Earth”, uma série coletiva de ficção científica, incluindo o livro Guilt in Innocence, uma história sobre telepatas.

Por favor, deixe uma mensagem para nosso site e para todos os fãs de Resident Evil, nós adoramos seu trabalho com as novelizações.
Eu realmente adoro o site e o entusiasmo que vocês têm pela franquia. Foi tremendamente divertido trabalhar com o universo dos filmes de RE, e é ótimo saber como o trabalho é estimado.


Original Interview In English:

How you did end up working with novelizations based on the Resident Evil movies?
The publisher, Simon & Schuster, had done a lot of tie-ins with me, including many Star Trek and Buffy the Vampire Slayer novels, and they had also hired me to write a novelization of a horror film called Darkness Falls a year earlier. When Resident Evil: Apocalypse was in production, S&S—who already had the rights to the novel versions of the videogame—had acquired the rights, not only to novelize Apocalypse, but also the first RE film, which had never been novelized. I was hired to do both, back to back.

How did you prepare yourself to write the novelizations? Have you received any kind of script from the movie?
Most novelizations are based on the script, because that’s all that’s done at that point. The production time for a book is longer than it is for a film, and it’s harder to make last-minute changes to a book, so the script is often all there is to work from. Certainly that was the case with both Apocalypse and Extinction. I was lucky with the first film in that I was actually novelizing a final product, which is rare—though I did have a copy of the script as well.

Have you had any kind of contact with Paul W. S. Anderson and the crew? Was there any official support from the movie staff?
Everything has to be approved by the film company, so I had support in that regard, yes. I never had any direct contact with Anderson or any of the other people involved—there’s a chain of command to these things. I’m in contact with my editor, my editor is in contact with the people at Konstantin Films, and they’re in touch with the movie crew. Any communication would go through those steps.

In your opinion, which was the best and the worst Resident Evil movie you had to write about?
I can’t really choose among the three that I novelized. They all had their good points and bad points.

If you had the freedom to change anything from the original scripts, what would it be?
I would’ve done what I did with One’s team in the novelization, to wit, given a bit more personality and background to them. They came across as a bit generic. With the two main characters being amnesiac, you needed someone to really care about, and One’s team could have been that, but they didn’t have enough depth to work in that role until Alice and Spence got their memories back.

What is your favorite novelization between the three of them: Genesis, Apocalypse or Extinction?
Oh, that’s easy: Extinction. Konstantin gave me the green light to bridge the gap between the end of Apocalypse and the beginning of Extinction, which was tremendous fun to write. They also let me write the story of what Jill Valentine was doing, since Sienna Guillory was unavailable for the film, but they wanted to have the character around to use in future films.

Why have you not written a novelization from the forth movie, called Afterlife? Or is it still in your future projects?
You’d have to ask the folks at Konstantin—all I know is that they declined the option to do a novelization at all.

Did you watch all the movies after they came out on theaters? What do you think of them?
I didn’t see Resident Evil or Afterlife in theatres, but I did see Apocalypse and Extinction, and enjoyed them both a great deal.

Tell us which was the best and the worst character from the Resident Evil movies to write about.
Partly because I’m a sucker for a good cop story, partly because she kicks all kinds of ass without having the T-virus to help her out, I think the best was Jill. The worst was probably Major Cain in Apocalypse, who was a very weak villain—the plot depended on his stupidity, and he just wasn’t as interesting as Spence or Isaacs in the first and third films.

What do you think about the character Alice? Have you had to include some kind of background to her?
I actually gave her quite a bit of background in the novelization of the first film, giving her a last name (Abernathy) and a backstory as a former Treasury Agent who took the job with the Umbrella Corporation because she hit a glass ceiling as part of the Secret Service. I also fleshed out the relationship between her and Lisa over the possibility of exposing the Umbrella Corporation’s development of the T-virus that sets the entire plot in motion, including how the two of them started talking and why Alice targeted her to be the whistleblower.

Have you ever played the games? What do you think of them and which title is your favorite?
Ironically, given my large number of credits that are based on videogames (World of Warcraft, StarCraft, Command and Conquer), I don’t actually play games very often. I just don’t have the time to devote to it. I barely have time to do everything else I do, if I added an interest in gaming to that, I’d never sleep…

If the novelizations from the games, written by S.D. Perry, did not exist, would you like to write them?
Oh, definitely. Mind you, Danelle did a magnificent job on them, but I would’ve enjoyed doing that a lot.

Could you tell us a little bit about your future projects? Are you going to work with the Resident Evil series again? Would you like to?
While I would love to do more RE, I don’t have anything on the docket right now. I’ve been working on my own original novel series: SCPD, the story of cops in a city filled with superheroes (the first novel The Case of the Claw, is out now in digital form from Crossroad Press); the “Dragon Precinct” series of high fantasy police procedurals (think Law & Order meets Lord of the Rings) that started with the novel of that title in 2004, and now includes Unicorn Precinct and the forthcoming Goblin Precinct and Tales from Dragon Precinct, which will be out next year; and several contributions to “Tales of the Scattered Earth,” a shared-world science fiction series, including the novel Guilt in Innocence, a story about telepaths.

Please leave a message to our fansite and to all the Resident Evil fans, we appreciate your work with the novelizations.
I really appreciate the fansite and the enthusiasm you guys have for the franchise. It’s been tremendous fun to work in the universe of the RE movies, and it’s nice to know the work is appreciated.