Padrim | Entrevista com Felipe Lopes

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Como foi a sua primeira experiência com Resident Evil e como você acabou se tornando fã de Resident Evil?

Foi com RE2. Eu jogo desde criança e meu primeiro console foi o Master System 2, desde então eu acompanho esse mundo virtual maravilhoso e que me traz várias sensações ao longo da minha vida.
Conforme eu crescia, os jogos traziam suas inovações gráficas e eu acompanhava com muita alegria toda essa evolução. Junto com isso, meus medos se manifestavam nesse período e descobri que tinha medo de alguns jogos, assim como os filmes de terror.
Eu não jogava Alone in the Dark e nem Dino Crisis, por exemplo. E essa lista aumentou com Resident Evil 2. Lembro que quando lançou o jogo no Nintendo 64, eu não queria nem olhar para a caixa do game. Eu nem lembro de ter visto o primeiro RE, por eu ser muito novo na época (tinha 6 anos de idade).
Lembro que quando fui na casa da minha tia, eu a vi jogando o RE2 e eu não acreditei nisso. Mais por ver um adulto jogando videogame (eu mesmo achava que era coisa de criança, já que meus pais raramente jogavam comigo. Lembro de jogar um Metal Gear do SNES com o meu pai, única lembrança que eu tenho de jogar junto…) e também por ser um jogo que eu tinha muito medo. E ela estava enfrentando o jacaré até!
Eu só fui jogar RE, depois que eu joguei Silent Hill do PS1. Serviu de porta de entrada nesse mundo do survival horror. Ganhei o PS1 do meu pai e comprei os RE2 e 3 e finalmente joguei essas duas obras primas que considero muito, agora sem medo algum por já estar mais velho (nem o Nemesis me afetava).
Não me vejo como um fã, apenas alguém que gosta muito da franquia, e conforme o tempo passa essa paixão segue aumentando, até porque tem jogos que tive pouco contato e são jogos que revolucionaram na sua época, como o RE: Code Veronica com as suas influências cinematográficas e evolução gráfica. Eu apenas jogava uma, duas vezes e já ia para outro jogo, mas Resident Evil 2 foi o primeiro que joguei.

Qual é o seu jogo e personagem favoritos da série?

“Soon, you´ll be come unable to resist this…intoxicating power” Saddler estava certo, me contaminou.

Uma pena que eu não tenha uma nota fiscal para dizer a data exata que esse jogo chegou nas minhas mãos. Só sei que acordei com a minha mãe me dando de presente de natal e a caixa do jogo ali no meu colo. Dizer que esse foi o melhor dia da minha vida, é pouco…
Logo que foi anunciado, a ansiedade já estava a mil nessa época, porque é o mês que eu faço aniversário. Eu sou uma pessoa indecisa para muitas coisas na vida e naquele dia do meu aniversário, eu pedi outro jogo e não RE4, mesmo querendo muito jogar. Eu escolhi pegar o jogo do Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei pra GameCube (o terceiro filme estava em cartaz naquele ano e logicamente veio o jogo)
Só fui ter Resident Evil 4 no natal daquele ano. Comprei revistas da época do anúncio do jogo e eu ali aguardando ansiosamente. E desde então, foi alegria do início ao fim.
Todas as sensações de medo que vários jogadores falavam que sentia nos primeiros RE, eu senti no 4. Mesmo sendo o jogo que mudou tudo o que conhecíamos da série, quando Leon saiu daquele carro e já estava sentindo tudo, alegria, ansiedade, medo, euforia…
Mesmo depois de terminar o jogo, eu não enjoava dele. Jogava de novo como se fosse a primeira vez. Não fazia desafios para mim mesmo como terminar em menor tempo, ou ficar só na faca, nada disso. Simplesmente jogava para relaxar. Até hoje, mexe um pouco comigo em algumas partes como o primeiro ataque na vila com o ganado de serra elétrica, com aquele motor gritando na minha orelha, aqueles dois caminhos que você deve escolher antes de ir para o castelo (eu sempre ia para a direita para fugir do gigante, porque aquelas duas mulheres com serra elétrica me arrepiam até hoje) e até a cutscene da faca contra o Krauser.
Terminei ele na casa de uma cliente do meu pai, era final de ano e levei meu GC e o jogo lá. Hoje, está disponível para milhões de plataformas e se eu pudesse, pegava todas porque meu amor por esse jogo é enorme.
Estranho dizer isso, mas eu não tenho um personagem preferido da série. Podia ser o Leon pelo RE4, mas a verdade é que eu gosto de todos. Talvez mais o Wesker ou até o Barry, mas não tenho um personagem que posso falar que amo mesmo. Gostaria de conhecer mais do Billy Coen, mas ficou no 0 mesmo…

Qual é o seu momento preferido na história de Resident Evil?

Como dito anteriormente, o meu amor por RE4 é gigantesco. E a cena que amo é a mais famosa do jogo todo, que é a cutscene com QTE (quick time events) da briga de facas contra o Krauser. Até hoje, deixa qualquer um tenso porque se errar, morreu. Muito amor envolvido.

Existe algum título que você não goste tanto? Por quê?

Sim, RE 5 e 6, pela grande salada que a série virou. Pelo enredo desses jogos até que tem um certo sentido pelas proporções que o bioterrorismo virou e todas as ramificações espalhados pelo planeta e suas severas consequências para a humanidade, mas eu não gostei muito do gameplay de certos momentos desses jogos. No 5, te faz lembrar claramente do 4 pelo seu início tenso, mas conforme avança o jogo te coloca em situações que é difícil não escapar ileso ou até morrer, resultando em momentos de stress e raiva.
A forma com que os produtores inseriram tal parte é claramente feita para prolongar o jogo e não para ser desafiador. De modo geral, os jogos até rendem bons momentos, mas aí é só se lembrar de outros mais chatos que a alegria some e fica a raiva no lugar. Muitos falam das falhas de roteiro que existem, mas o que eu chamo a atenção é o gameplay apresentado para resolver esses momentos. Câmera que te atrapalha, inimigos que resolvem ficar imunes a tiros, bugs que aparecem em momentos cruciais, vários botões que aparecem na sua tela para apertar e de tão rápido que aparecem mal dá tempo de apertar e aí morre por uma coisa besta.
Pra mim, esses dois jogos foram os únicos momentos de raiva que passei com RE. E Resident Evil não é pra sentir raiva, e sim medo, frustração por não conseguir descobrir alguma arma melhor pra derrotar algum chefe, pensar se deve poupar munição ou não, enfim, não quer dizer que esses jogos são totalmente ruins, mas são os que mais falham no aspecto survival horror.

O que você acha do atual momento da franquia? Acha que a Capcom está indo por um bom caminho? O que você gostaria de ver nos próximos títulos?

Agora sim é aquele momento de revisitar os jogos clássicos e trazer de volta o terror que marca a série. RE7 cumpre muito bem esse papel e espero que a Capcom cuide muito bem dele e que não coloque muitos elementos de ação, sinto que podem começar a chamar RE7 de uma cópia de Battlefield ou Call of Duty e isso é muito preocupante. No mais, eu acredito muito na Capcom. Muita gente aguardava o 7, prometeram voltar ao terror clássico, sentimos um pouco disso na demo e tivemos a comprovação no jogo final.
A DLC Not a Hero está sendo muito aguardada pelos motivos corretos, quero muito entender porquê que aquele cara é o Chris, que tipo de cirurgia fizeram na cara dele (brincadeira XD) e que raios é essa Umbrella? Meu palpite é que o Chris resolveu trabalhar para essa nova Umbrella a fim de limpar a imagem da empresa, descobrir e eliminar novas ameaças biológicas, tentar atrair possíveis traficantes para desmantelar quadrilhas especializadas nesse tipo de tráfico, ou se fizeram alguma ameaça para o Chris e o preço seria trabalhar para eles.
No mais, eu apenas espero que a Capcom me surpreenda. Não surpreendendo entregando mais um RE6 e sim algo pequeno na história da série, que não estávamos percebendo e que era o grande causador de todos os males da série. Pode até usar elementos de outros jogos, sendo bons, não vejo problemas nisso. Só não gosto quando tocam na parte sobrenatural, ou mais psicológico porque confesso que me confundo muito para entender esse tipo de história. Enfim, só aguardando mesmo.


Felipe, OBRIGADA PELA ENTREVISTA E POR SER UM PADRINHO DO NOSSO SITE!

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