Fanfics
Para quem tem o hobby de escrever e sempre acaba incluindo o universo de RE em seus textos, de poesias e crônicas a novelizações.
For those who have the writing hobby and always ends up including the RE universe in your texts, from poetry and stories to novelizations.

 

[EM PROGRESSO] Fanfic: "Resident Evil The Lost History"
Avaliação do Usuário: / 10
PiorMelhor 
Escrito por Carlos Lopper   

Episódio 1
 
Jill respirou. Não uma respiração normal, como se faz a cada segundo, mas uma respiração tranqüila, de alivio. O helicóptero finalmente sobrevoava no alto da floresta Arklay, e ela nunca iria esquecer cada pedaço da mansão se espalhando por todos os lugares em meio à fumaça negra e fogo vermelho. O vento gelado da manhã entrava pela janela e a luz fraca do sol batia em sua pele. Não se ouvia ninguém falar, nenhuma das pessoas que estavam junto a ela no helicóptero. Chris Redfield, ao seu lado não mexia um dedo, apenas parado, possivelmente passando mil e uma imagens na cabeça. Barry não fazia nada mais que mexer em sua arma, uma colt prata, sabia Jill que ele não parava de pensar em suas duas filhas. Ao lado dele, deitada, dormia Rebecca, tão nova, tão doce, tão tranqüila, cochilando.
Brad pilotava o Helicóptero, dessa vez, mais tranquilo, ele sobrevoava a parte em que os havia abandonado. Jill sentia ódio dele, mas não tinha forças o suficiente para descontar agora. Ela retirou sua boina da sorte, e que sorte! Encostando sua cabeça novamente no ombro de Chris. Tudo aquilo a fez pensar que tinha algo por ele, não que ela estivesse apaixonada, mas sentia que Chris e ela seriam bons amigos, ela apenas tinha esse pressentimento.
Depois de alguns minutos, o helicóptero sobrevoava a cidade de Raccoon City. Todos estavam acordando. Durante alguns dias, Raccoon sofreu grandes problemas, assassinatos sem explicações ocorriam ao redor dela. A princípio ninguém sabia o que causava os assassinatos, mas agora estava claro para Jill. Ela chegou a fechar os olhos e assim que os fechou, as imagens voltavam, cada lugar, cada cômodo, cada criatura. A mansão. A mansão de Spencer, Ozwell Spencer, um dos fundadores da maior companhia farmacêutica do mundo, Umbrella Corporation. Era ela... a Umbrella que estava por trás de tudo aquilo. Algo onde todos confiavam, na verdade era a maior fonte de assassinato na cidade.
O helicóptero se aproximava da R.P.D. (Raccoon Police Departament). Jill se esticou e por um minuto agradeceu novamente a Deus por estar viva e todos os seus colegas. Chris levantou da cadeira e foi até Rebecca. Apertando leve o ombro dela, ele a chamou:
- Rebecca? Vamos, estamos chegando! – Ela abriu os olhos assustada, ainda estava perturbada com o que aconteceu. Jill olhou bem pra ela, ficou mais tempo perdida que todos eles na floresta. Com certeza ela sentia fome e frio.
- Não se preocupe! – disse Chris – Estamos bem agora. – Rebecca levantou lentamente, sonolenta.
- Se preparem! – disse Brad, o piloto – estamos pousando! – afirmou. Barry guardou sua arma e se segurou bem. Ele olhou para Jill, ainda envergonhado pelo que tudo aconteceu. Jill relevou, apesar de tudo, ele mostrou lealdade. Ela sorriu para Barry, o admirava muito, era um bom homem, um bom pai; ele lembrava muito Dick Valentine, o pai de Jill.
Esquecendo seu passado, da janela do helicóptero ela via o heliporto da delegacia policial, ao redor dele, vários policiais esperavam o helicóptero pousar, todos estavam curiosos pra saber o que aconteceu, quem morreu, quem viveu, o que tinha lá, se estavam feridos etc. Chris colocou o rosto próximo ao de Jill e viu a quantidade de pessoas esperando por eles, no meio dos oficiais, o delegado Brian Irons. Chris sentiu um frio na barriga, depois de tudo aquilo, sabia ele que teria mais, olhou para Jill, falaram com os olhares. Mas o olhar preocupado de Chris foi relaxado quando Jill afirmou com a cabeça.
- Estamos juntos nessa! - Chris também acenou. Confiou nela, eles estavam juntos, antes mesmo de entrar na floresta, estariam juntos até o final. O sopro das hélices batia nos oficiais, o helicóptero já tocava o chão e muitos dos oficiais já se aproximavam das portas. Um dos agentes a abriu e começou todo aquele alvoroço. Todos os olhavam como seres de outros planetas, perceberam do estado de cada um. Chris foi o primeiro a sair do helicóptero. Seu colete verde rasgado, sem contar de arranhões e sangue pelo corpo, poeira, concreto, e até molhado. O mesmo era Jill. Ela estava tão machucada que segurava em seu abdômen, Chris mancava um pouco, Barry tinha com um grande arranhão no ombro, e Rebecca um rosto assustado, parecia à pior de todos eles, sangue em seu colete.
Os policiais se aproximavam e perguntavam se eles estavam bem e muitas perguntas começaram a ser feitas na mesma hora, sem contar que os telejornais e jornais de Raccoon City estavam à espera de algo. Brian Irons surgiu de trás dos policiais se aproximando de Chris, dizendo:
- Senhores... – ele olhou para Chris e Barry – Senhoras... – para Jill e Rebecca – Quero vocês quatro na minha sala, e mais ninguém! – afirmou Brian Irons, dando as costas e entrando na delegacia.
Todos olhavam tão assustados para eles, viam o estado de cada um sobrevivente, mas parecia que Irons não se importava. Brad os olhava com terror e com vergonha também, não mirava nem nos olhos de Jill Valentine. Chris tomou a frente, Jill percebeu que ele estava pronto para falar tudo o que tinha em mente, tudo o que ele tinha visto, era de fato que Chris tinha ódio da Umbrella.
Barry sério seguiu Chris e Rebecca, estava machucada demais pra se revoltar com alguma coisa. Faltavam pessoas, e isso os policiais perceberam, onde estava Joseph? Enrico? e o grupo dos S.T.A.R.S Bravo? Onde estava o chefe dos S.T.A.R.S, Albert Wesker? Cada policial que estava no heliporto os encaravam, faziam comentários, olhavam assustados e nada foi diferente dentro da delegacia. Alguns se disponibilizavam para ajudá-los, uns viam com água, outros com remédios etc. Eles saiam e entravam em salas, corredores, o Hall da grande R.P.D, sendo vigiados a cada passo, até finalmente chegarem à sala de Brian Irons.
Chris foi o primeiro a entrar, desde então, ninguém falou nada com ninguém, nem mesmo entre os sobreviventes. Jill estava logo depois dele. Barry passou por ultimo, fechando a porta. Brian caminhou até sua escrivaninha, com as mãos atrás. Só havia ele dentro da sala, junto com os S.T.A.R.S. Rebecca sentou em um dos sofás que tinha no lugar e Barry rapidamente lhe serviu um copo de água. Chris e Jill tomaram a frente da escrivaninha, olhando diretamente para Irons, que falou:
- Então... – disse o delegado – Onde está Albert Wesker? – perguntou.
- Albert Wesker está morto, assim como muito dos outros S.T.A.R.S! – afirmou Chris.
- Morto?! – assustou-se Irons.
- Sim senhor, todos eles!
- O que aconteceu para quase metade de todo o time... – ele hesitou de falar – de... estarem mortos? O que fez isso? – Jill tomou a frente.
- A mansão de Ozwel Spencer é lar de um laboratório secreto de pesquisas biológicas da Umbrella Corporation. Lá eles tinham um laboratório subterrâneo onde fazia armas biológicas, com vírus. – Irons olhava para Jill com seriedade e parecia estar surpreso. Chris completou o que Jill disse:
- O vírus tinha capacidade de criar criaturas horrendas, monstros a procura de sangue, em tecidos humanos ele... – Irons mexia em seu bigode – ele fazia com que humanos virassem zumbis, com a mesma necessidade, sangue e carne! –
- Zumbis? – perguntou Irons.
- Albert Wesker foi morto por uma das criaturas, uma das experiências biológicas da Umbrella, assim como os outros também... nos quase fomos mortos! – afirmou Jill. Irons tirou a mão do rosto e começou a dar gargalhadas. Rebecca, sentada no sofá ergueu-se para olhar a resposta de Irons, Barry já sabia o que se passava com ele.
- Zumbis que levantam da terra, matou Albert Wesker?! – perguntou Irons ainda na risada. Jill bateu sua mão na mesa de Irons irritada. Barry levantou do sofá indo em direção a ela.
- Você acha que estamos brincando?! O que você pensa sobre nos?! Quase morremos, muitos morreram, deram suas vidas para nos salvar! A Umbrella está brincando com a gente e mais pessoas irão morrer! Você acha que isso é brincadeira nossa?! – Irons levantou de sua poltrona falando:
- Jill Valentine é bom que você se acalme. Acha mesmo que vou acreditar que... Zumbis que levantam da terra vieram a matar os S.T.A.R.S, numa mansão no meio da floresta? Se tem tanta certeza onde está a prova? E além disso... tudo é culpa da Umbrella? – Jill estava pasma para conseguir responder, Barry segurava seu braço pra que ela não gritasse mais com Irons. Sem conseguir ficar calado, Chris disse:
- Você tem que acreditar em nos. Sobrevivemos a um horror, pessoas morreram, pessoas inocentes, não só oficiais, como cidadãos e pessoas de família. Se não pesquisar o caso ao fundo, mais e mais pessoas irão morrer, isso pode tomar toda floresta, pode tomar toda Raccoon City...
- Sr. Redfield eu preciso de provas para entrar com uma ordem contra Umbrella, tudo o que vocês me falaram são coisas fantasiosas! – Chris apertou as mãos e elevou a voz:
- Nos não estamos brincando, não passamos por poucas e boas para você insinuar que é besteira, Albert Wesker estava por trás de tudo isso, ele nos levou até lá, ele tentou nos matar!
- Agora a culpa é de Albert Wesker? – perguntou Irons. Rebecca levantou do sofá indo em direção a Chris. Jill não conseguia olhar para o rosto de Irons.
- Você também está por trás disso... – disse Chris com voz baixa – você e Albert Wesker estão de acordo com a Umbrella!
- Sr. Redfield isso é uma acusação contra uma autoridade! – afirmou Irons.
- Nós vamos acabar com você Irons, com você e com a Umbrella!
- Sr. Redfield você está se escutando. – Chris segurou a gola da camisa de Irons gritando:
- Nós vamos acabar com você Irons, vamos saber o que você tem haver com a Umbrella, não só Wesker e a Umbrella matou os S.T.A.R.S, mas VOCÊ TAMBÉM! – gritou Chris soltando o chefe e quebrando tudo em cima da sua mesa.
Rebecca imediatamente se assustou dando um paço para trás e Jill, tentou acalmar Chris segurando seu braço. Irons também tomou um susto, mas falou diretamente para todos eles:
- Redfield você não está com controle sobre si mesmo! – afirmou Irons – ordeno que toda a equipe dos S.T.A.R.S seja suspensa por tempo indeterminado! – Chris olhava para Irons com ódio, sua respiração era forte e sua mão continuava fechada.
- SAIAM DA MINHA SALA! – ordenou Irons. Chris deu as costas, furioso, abrindo a porta da sala de Irons com brutalidade. Atrás, vários policiais ficavam no corredor esperando alguma resposta e a única coisa que viram foi Chris Redfield sair da sala como um furacão. Eles puderam ainda ver, Jill, Rebecca e Barry dentro da sala e as coisas da mesa de Irons espalhadas pelo chão. Jill saiu apressada atrás de Chris, seguida de Barry e Rebecca que andava devagar por estar machucada. 
- Todos perceberam o modo como Chris andava na delegacia e toda a fofoca já estava solta. Jill tentou acompanhar seus paços e claro ela também estava fula da vida. Eles se direcionaram até a sala dos S.T.A.R.S e assim que Chris entrou, tirou seu colete jogando com força na mesa de Wesker que ficava no lado esquerdo, de frente para as mesas deles. A camisa por baixo do colete de Chris estava suja de sangue e poeira. Rebecca entrou também tirando seu colete e o mesmo fez Jill.
- Maldito Irons... Maldito Wesker! – disse Chris com as mãos na cintura andando de um lado para o outro.
- Maldita Umbrella – disse Jill – eles estavam em complô, Wesker, Irons e toda a corporação, talvez toda a cidade esteja em complô com a Umbrella. Não temos muita alternativa...
- E agora afastados – falou Barry – não vamos poder fazer nada! – Rebecca quase não falava muita coisa, ela sentou em uma cadeira na ultima escrivaninha e ficou olhando o colar que tinha em seu pescoço. Ela de fato estava desfocada do que Jill, Chris e Barry falavam. Billy Coen... pensou ela. Um agente que foi preso por matar 23 pessoas, na verdade inocente. Ela se lembrou dele, na ultima vez que o viu, de uma colina, olhando para a mansão de Spencer. O sol batia nele realçando sua pele brilhando, com a grande tatuagem que cobria seu forte braço.
- Temos que fazer alguma coisa! – disse Chris, que triou Rebecca de seus pensamentos.
- Chris não podemos fazer nada agora... precisamos nos acalmar, precisamos parar pra pensar! – disse Jill.
- Não sei se teremos muito tempo... – disse Barry. Jill e Chris olharam atentamente para ele e o mesmo fez Rebecca. – Temos que fazer algo e depressa, nossos nomes estarão espalhados pela cidade, a Umbrella estará de olho. – o silêncio se fez na sala dos S.T.A.R.S.
- Temos que sair da cidade o quanto antes! – concluiu Barry.
 
A reunião não durou mais da ultima palavra de Barry. Aquilo chegou a uma conclusão. Todos teriam que deixar Raccoon City. A Umbrella ficaria atrás deles a partir do momento que seus nomes saíssem nos telejornais e a briga contra a empresa apenas tinha começado.
Jill aproveitou a carona de Chris para voltar pra casa. Raccoon City já estava toda acordada. Rebecca foi junto com Barry para a enfermaria. Não demorou muito para que Chris chegasse até o prédio de Jill, era próximo a delegacia. Estacionando o carro, Chris falou:
- Então Jill, aqui está você... entregue!
- Obrigada Chris... obrigada por tudo! – Jill olhou bem nos olhos dele. Chris sentia vergonha, mas tinha que falar:
- Sabe Jill... não teria conseguido sem você! É difícil de imaginar o que passamos por tudo aquilo, ainda hoje!
- Acho que essas imagens jamais sairão da minha cabeça! – disse Jill. – formamos uma boa equipe Chris! Sem você e Barry, também não estaria aqui. – Chris colocou a mão em frente a ela.
- Até a próxima parceira. – ele sorriu.
- Até a próxima parceiro. – disse Jill também sorrindo.
- Você sabe meu numero, alguma coisa suspeita, pode me ligar!
- Não se preocupe, será a primeira coisa! – disse Jill.
 
Ela abriu a porta do carro de Chris e andou até o apartamento. Subiu as escadas rapidamente e entrou em seu AP antes que qualquer uma pessoa a visse naquele estado. Jill entrou no quarto e trancou a porta, encostando-se nela. Soltou um suspiro aliviado por estar em casa, com os olhos, cheio de lágrimas. Colocou sua chave em um prato vazio ao lado da porta, jogou sua bolsa em cima do sofá e foi até o banheiro tomar banho.
Jill ficou por horas debaixo da água do chuveiro. Uma água morna e relaxante, quase uma massagem, dela descia uma água suja, escura, com resíduos da mansão de Spencer. Aquele banho estava filtrando tudo que tinha ficado de ruim nela. Agora, finalmente se sentia relaxada, não comeu nada, apenas vestiu uma roupa confortável, pegou sua beretta a colocando do lado da cama e deitou, caindo no sono, mas não tão tranqüila.

 

 

Episódio 2

Claire Redfield estava em uma grande sala de aula de uma universidade em Chicago. Assim como toda sala de aula universitária, tinha carteiras enormes subindo degraus de baixo pra cima com muitos estudantes, diante, a professora passava algo no quadro negro extenso. Claire usava cabelos soltos, lisos e avermelhados, uma camisa curta de cor rosa, short jeans e uma bota de cowboy.
A professora falava algo que Claire nem assemelhava a nada, todos permaneciam em silêncio, não fazia diferente ela, mas seus olhos focavam para o caderno em cima da carteira e pensava em algo sem prestar atenção. Era a ultima aula do semestre, eles entrariam de férias e todos estavam animadíssimos. Claro, com isso viriam as férias e todo mundo queria aproveitá-las, viajar com os amigos, conhecer vários lugares e freqüentar clubes noturnos, Claire nem pensava nisso, apesar de gostar, mas ela estava ultimamente preocupada com outra coisa.
- Então... – disse a professora – terminamos mais um semestre, espero que todos aproveitem bem essas férias e cuidado com a vida garotos! – todos levantaram animados sorridentes. Claire estava tão distraída que nem percebeu que todos tinham levantado.
- Claire! – chamou uma garota ao lado dela. Com um susto, Claire olhou para a amiga, que disse:
- Onde você estava garota? Finalmente entramos de férias, nem acredito nisso! – falou a amiga levantando da carteira.
- Ow – ficou Claire envergonhada - nem prestei atenção no que a professora falou. – ela colocou seu caderno dentro da bolsa tiracolo de couro marrom.
- Claire ultimamente você não prestou atenção em nada que ninguém falou! – disse a amiga de Claire. Uma jovem e bela moça de pele negra e cabelos ondulados.
Claire preferiu ficar em silêncio. Elas duas saíram da sala de aula e começaram a andar pelos corredores da faculdade que era uma loucura, um caos. Pessoas corriam para todos os lados, papéis espalhados pelo chão, gritaria e até gente sem roupa. Um dos rapazes pelados passou ao lado de Claire, batendo nela.
- Estamos pensando em pegar a estrada – disse a amiga de Claire – sei lá, ir para um lugar com muita festa e praia, talvez o sul do país, o que você pretende fazer?
- Hmm – pensou Claire – na verdade eu posso ir pro sul, mas não vou poder ir com todo mundo.
- Porque não? – perguntou sua amiga.
- Eu não tenho noticias do meu irmão a um bom tempo – falou Claire como se estivesse desabafando. Nesse momento as duas saíram de dentro do prédio e começaram a descer a escadaria para o campus – Todo mês eu e meu irmão nos comunicamos, ele é uma pessoa muito presente na minha vida, mas ultimamente... Ele... Sumiu! – disse Claire.
- Sumiu assim do nada? Evaporou?
- Encontrei algumas coisas falando dele nos jornais.
- Ele é famoso? – perguntou curiosa. Claire deu um sorriso, mas logo respondeu:
- Não, ele é policial. Ele esteve envolvido em um caso em Raccoon City de assassinatos, o caso parece ter sido já resolvido, mas desde então não tenho sinais dele. – Claire sorriu e olhou para ela – por isso, eu vou até Raccoon City. Estava tendo essa idéia hoje! – A amiga de Claire gritou ao lado dela nesse momento. Claire olhou assustada, mas logo percebeu que era o namorado dela, Falcon, a abraçando por trás.
- Olá minha pérola! – disse ele – Olá Claire!
- Oi Falcon! – disse Claire sorridente.
- Então, vai viajar com a gente? Estamos pensando em ir para o sul! – perguntou Falcon. Mas a amiga de Claire, Angela, respondeu.
- Ela tem algumas coisas pra resolver e não vai com a gente, mas iremos ficar te esperando tá Claire! – disse Angela.
- Ok! – respondeu Claire sorrindo.
- Então eu vou indo para a lanchonete com Falcon, qualquer coisa me procura lá, ta?
- Sim, tudo bem! – disse Claire. A garota foi andando com seu namorado para fora do campus. Claire ainda ficou caminhando e olhando pra todos e pensando, pensando em Chris a pessoa mais importante da sua vida.
 
Leon jogava basquete com sua turma. Era um bom campo de basquete Ball, uma quadra aberta, com poucas arquibancadas, sendo iluminado pelo sol alaranjado do final de tarde em Nova York. Junto com ele, todos os seus colegas, acadêmicos. Tinha até algumas das policiais na arquibancada assistindo ao jogo. Leon era um rapaz de chamar atenção, bastante bonito, loiro, olhos claros, magro definido, alto e aquele seu charme era o que mais chamava atenção nelas, a franja do cabelo caindo em seus olhos, lhe atrapalhando enquanto pegava na bola, forçando a mexer a cabeça para que o cabelo saísse de sua visão.
A bola estará em sua mão, sendo rebatida no chão, e a cesta não muito longe. Era a chance de Leon, ele correu desviando de seus colegas, todos tentando tirar a bola dele, mas Leon foi rápido, e já ia dando o salto pra acertar, quando Rian tirou a bola de sua mão. Fazendo Leon cair no chão sem sucesso, Rian levou a bola para o outro lado do campo, junto com todos os outros colegas e Leon e sem muito demorar, fez a cesta. As meninas levantaram da arquibancada batendo palmas. Leon sorriu inconformado com aquilo, aquelas palmas poderiam ser para ele.
Virando-se para trás, Rian sorria acenando para Leon, que sorriu e correu até ele batendo em sua mão. Seu colega era negro e bem forte, um sorriso bonito e cabelo raspado, com uma tatuagem no braço. O jogo parecia ter acabado já fazia horas que eles estavam lá e o time de Leon perdeu, graças a Rian. Ele era o melhor amigo de Leon durante toda a vida dele acadêmica na Academia de Policia de Nova York.
- Excelente jogo! – comentou Rian caminhando ao lado de Leon, enquanto eles saiam da quadra.
- Se não tivesse você no jogo seria excelente! – disse Leon sorrindo – teria ganho! – Rian sorriu.
A academia policial era grande, um ótimo campo de treinamento, aulas teóricas e práticas e Leon já fazia muito tempo que estava lá. Ele acabara de se formar e tava tentando começar a sua vida. Em Nova York, ele não conhecia muitas pessoas, apenas Rian que era seu melhor colega de sala, algumas pessoas que ele só falava o básico, sua vizinha no apartamento, uma senhora de 80 e poucos anos de idade, e sua namorada, que o namoro não ia nada bem. Na academia, Leon era conhecido como o estranho, sempre muito quieto, poucas palavras, mas Rian sabia o quanto comunicativo ele era e de estranho Leon não tinha nada.
- Kennedy, aceita um pulo na lanchonete? Estou com uma fome de leão! – disse Rian.
- Desculpe Rian... – disse Leon – estou indo embora para casa, Agatha provavelmente passará lá hoje.
- Ok, então fica pra próxima irmão! – Leon sorriu e apertou a mão do amigo. Pegou sua mochila tira colo com todos os artefatos de trabalho, e com aquela mesma roupa de basquete, folgada, camisa regata cinza toda suada, bermudão azul e um tênis, na blusa cravada NYPD, ele voltou para casa entre as ruas de Nova York.
O motivo maior pelo qual Leon não aceitou ir para a lanchonete com Rian, era pelo fato dele não estar bem financeiramente. Todo o dinheiro ele guardava para por em casa e Agatha parecia não ajudar muito, a sua namorada, ao qual ela deveria ser sua parceira. Chegando em seu simples AP, Leon logo foi subindo as escadas, no corredor, varrendo o chão, estará a sua vizinha, Sra. Downson, solitária viúva.
- Boa Tarde Sra. Downson! – disse Leon educadamente.
- Awn... Sr. Kennedy! – disse ela sorrindo – Boa Noite já! -  Leon sorriu.
- Ok então... desculpe! – ela sorriu.
- Sem problemas. – Leon ia entrando já em seu AP depois de passar a chave, quando ela o chamou.
- Sr. Kennedy? – Leon voltou e ela disse – recebi uma carta que deveria ter sido trocada, os carteiros agora estão com essa mania, deixe-me pegá-la certo?
- Ok Sra. Downson... – Leon a esperou e não demorou muito para que ela viesse com um envelope.
- Aqui está!
- Obrigado, fico muito agradecido! – respondeu Leon.
- Awn não foi nada! – Leon já ia entrar com a carta, quando escutou uma voz chamar seu nome.
- Leon? – era a voz de Agatha, sua namorada. Ele respirou fundo e olhou de volta para ela.
- Podemos conversar? – perguntou a moça. O coração de Leon bateu forte, ele já sabia do que se tratava.
- Claro – respondeu o rapaz. Abrindo passagem, ele a deixou entrar em seu AP. Agatha era uma jovem linda moça, cabelos castanhos claros caindo pelos ombros um pouco ondulado, usava casaco e uma calça jeans, um olhar frio, seus olhos castanhos. O AP de Leon era muito simples, tinha uma pequena sala com sofá, TV, e logo uma cozinha do lado, simples, bem pequena, com um único quarto, o dele. Deixando sua mochila em cima do sofá, e a carta sobre o centro, ele nem prestou atenção na carta, apenas estava nervoso com o jeito estranho de Agatha.
- Algum problema? – perguntou Leon. Ela virou para ele, também nervosa, sorria encabulada, e um pouco de lágrimas nos olhos.
- Eu não sei como começar... – Leon estava sem reação, apenas seus olhos a fixaram.
- Acho melhor eu ser logo direta – disse ela – é... – ela pensativa mexia nos dedos, mas olhou para o rosto de Leon, certa do que iria fazer – não dá mais... simplesmente não da mais. O sentimento mudou, não é mais a mesma coisa, a um bom tempo vem mudando, você nota isso! Você está com problemas, e... estão surgindo oportunidades tanto para você quanto pra mim e... isso ta mexendo também comigo. – ela respirou fundo – é... pessoas novas estão entrando em minha vida também. Então Leon... você é uma ótima pessoa, de fato é, atencioso, carinhoso, mas, não é o que eu procuro o que eu quero nesse momento, mas pra mim você é muito especial sim e... – Leon não fez nenhum movimento no rosto, sua mão estava fechada, dura como pedra, sendo apertada a cada palavra que Agatha falava. – desculpe Leon, eu não posso mais... – sem mexer nada, nem piscar o olho Leon ficou parado, sem movimentos. Ela foi até ele, dar um beijo em sua bochecha, então ele acenou com o rosto, negativamente.
- Saia da minha casa! – disse Leon, com olhos enfurecidos, fixando o dela. Agatha se assustou com o olhar de Leon, que sempre foi gentil e doce. Sem dizer nada, lágrimas escorrendo de seu rosto, Agatha praticamente correu saindo do prédio de Leon fechando a porta.
Respirando fundo, tentando não chorar, Leon quis ser frio. Sua raiva era grande, ele se preocupava muito com Agatha, era a coisa mais importante para ele em Nova York. Indo até sua mochila, lentamente abriu o bolso e de dentro tirou uma pequena caixinha de veludo a abrindo, um anel de noivado de ouro branco, com um lindo diamante na ponta. Ele a iria entregar quando fizessem aniversário de namoro. Leon guardou bastante dinheiro para comprar aquele anel, até deixar de comer ele deixou. Sua raiva era tão grande que ele jogou aquilo contra parede, chutou os sofás, esmurrou a parede, chutou tudo que tinha em cima do centro e ficou enfurecido, com olhos de raiva e rancor. Sua respiração era forte e raivosa, porém ele se acalmou quando viu a carta entregue por Sra. Downson no chão. Ajoelhando-se para pegá-la, Leon percebeu que tinha um símbolo policial cravejado nela. Abrindo com pressa, rasgando toda a embalagem ele tirou de dentro o papel e leu.
 
Caro Sr. Scott Kennedy
Nos do Departamento policial de Raccoon City estamos lhe contratando para se juntar com os demais oficiais que lutam para manter a lei na nossa cidade.
Por favor, entre em contato com a Academia Policial de Nova York, lá eles lhe darão todas as informações que precisa, junto com o fardamento e artefatos de trabalho. Por gentileza você só poderá usar o fardamento e a arma no dia em que vier para Raccoon City na data: 29/09/98
Agradecemos, atenciosamente.
R.P.D.
 
 Leon pegou a carta, esperançoso. Seria uma nova vida para ele? A um segundo atrás ele tinha perdido o que pra ele era tão importante e agora em suas mãos algo que mudaria sua vida. Era a chance de Leon começar uma nova. Finalmente como um verdadeiro policial. Tirando um sorriso do canto da boca, esquecendo Agatha por um segundo, Leon disse baixinho para ele mesmo:
- Meus dias de sorte estão chegando!
 
Todos entraram de férias da faculdade e muitos viajaram, para casa dos pais, badalações, festas, praias, etc. Claire era um das poucas pessoas que restavam na faculdade. Os corredores quietos e desertos, em todo o dormitório, deveriam ter três pessoas, contando com ela.
Solitária em seu quarto, sentada em uma pequena poltrona assistindo a televisão era como Claire estava, meio agoniada, tinha reservado o dia seguinte para ir a Raccoon City a busca de seu irmão. Ao lado, uma foto deles dois juntos. Claire tinha uns Oito anos, Chris seus 14 anos, eles sorriam como dois moleques, Claire banguela nos dentes da frente e Chris magrelo e cabelo arrepiado. Na televisão, passava uma propaganda da Umbrella, “Aqua Cure”. Claire olhou para a TV e olhou para a imagem, ela sentia a necessidade de ir para Raccoon e aquela necessidade era imediata. Sem nem pensar duas vezes, largou a foto em cima do criado mudo e foi direto para o guarda-roupa se trocar. Colocou um Short Jeans, uma camisa preta com uma porta faca dada pelo seu irmão, à faca ainda tinha o brasão dos S.T.A.R.S. Botas de Cowboy eram suas preferidas, e a jaqueta da sorte, vermelha, uma de suas cores prediletas. Junto com tudo isso, pegou os óculos, Ray-Ban, o capacete e prendeu seu cabelo, rabo de cavalo.
Claire já ia abrindo a porta quando se lembrou, voltou para o guarda-roupa e pegou uma foto que estava presa na porta. A imagem não era tão diferente da outra. Ela e seu irmão, caminhando pela rua, Claire e Chris sorridentes. Colocando a imagem dentro da pequena pochete de couro que ela usava, Claire saiu de dentro do quarto indo para o estacionamento da faculdade.
O Sol estava se escondendo entre as árvores, provavelmente Claire chegaria a Raccoon City no outro dia pela noite, teria que descansar em algum hotel no meio da estrada. Havia apenas dois veículos no estacionamento, uma camionete antiga e uma moto grande, bonita e brilhante. Era a moto de Claire. Foi um presente do seu pai, assim que ela tinha feito 16 anos, e desde então foi sua maior companheira.
Claire subiu na moto, colocando o capacete, e ligando motor que roncou ecoando pela faculdade.
Raccoon City, aqui vou eu! – disse Claire para si mesma, dando partida em sua moto.
 
Em frente à escrivaninha, Leon estará de pé, em sentido, ordenado pelo reitor da academia policial. Um velho homem, forte, alto, com várias insígnias sobre o peito, um rosto sério, sentado olhando para Leon.
- Sr. Kennedy me alegro em saber que foi aceito pelas forças de Raccoon City. Acho que é um dos primeiros policiais que se ingressam tão rápido.
- Obrigado Senhor! – disse Leon em posição. O homem sorriu e falou:
- Soube que esteve com grande ansiedade a ingressar em Raccoon pelas notícias que foram dadas.
- Sim Senhor. Tenho amor pela justiça!
- Muito bem! – em cima da escrivaninha tinha uma mochila, o brasão da R.P.D desenhada nela. – eles mandaram esse material para você seguir. Afirmei que era um ótimo acadêmico e que tinha todas as possibilidades positivas de se tornar um ótimo agente.
- Sinto-me lisonjeado Senhor! – O homem pegou a mochila em cima da escrivaninha e entregou a Leon que se desfez da sua posição.
- Espero que tenha um grande futuro lá Sr. Kennedy! – Leon sorriu, estava feliz por tudo aquilo acontecer.
- Obrigado Senhor, fico muito feliz! – O reitor pôs a mão sobre a testa em ordem de sentido. Leon voltou à posição de antes, e fez o mesmo.
- Pode-se retirar!
- Obrigado Senhor! – Leon apertou a mão do reitor, e deu as costas, saindo da sala, orgulhoso de si mesmo.
Assim que saiu do departamento, Rian e alguns colegas de turma esperavam Leon, e logo que o viram, todos gritaram e festejaram a vitória do amigo. Sorrindo, ele ficou meio sem jeito, de como agir, Rian deu um grande aperto nele, os outros gritavam e batiam palma.
- Oficial Leon Scott Kennedy, de Raccoon City. – disse Rian sorrindo.
- Ora Rian para com isso... – ainda com vergonha disse Leon.
- Parabéns cara, do fundo da alma! – falou Rian. Os outros rapazes, disseram o mesmo e alguns desejaram boa sorte.
- Então... preparado para a nova vida? – perguntou Rian.
- Por incrível que pareça... sim... estou pronto para deixar Nova York! – disse Leon olhando a sua volta.
- Agatha? – perguntou Rian. Leon sorriu, abaixando a cabeça.
- Agatha fica em Nova York, tenho que retomar minha vida, seguir em frente... um novo passo!
- Grande passo meu colega... grande passo! – afirmou Rian. Leon sorriu e ele perguntou:
- Quando vai pra Raccoon?
- Assim que chegar, tomar um bom banho... fazer as malas e me mandar de Nova York. – Rian riu. Era um rapaz muito sorridente, sempre positivo, com certeza iria fazer muita falta para Leon, um grande amigo. Seu colega pôs a mão na frente de Leon e disse sério:
- Então cara... Boa sorte! – Leon afirmou com a cabeça, e segurou na mão do colega com força.
- Obrigado, por tudo!  - Rian sorriu:
- Eu agradeço também! E cara... precisando... não esqueça de Rian, de Nova York – Rian deu uma gargalhada. Eles desfizeram as mãos e Rian fez posição de sentido e Leon fez o mesmo.
- Boa sorte companheiro! – disse Rian e Leon acenou com o rosto, saindo do departamento, tomando as ruas de Nova York.
 
Já estava escuro quando Claire ainda tomava a estrada e tinha ainda muito pela frente. No meio do caminho encontrou um Motel, meio velho e caído, mas um bom lugar para passar a noite sem ser na estrada. Ela parou sua moto próxima a outras que havia no local, parecia que uma gangue de motoqueiros estava na lanchonete do motel.
Claire desceu tirando seu capacete colocando sobre o braço mostrando seus cabelos vermelhos brilhosos soltos. Ela foi até a lanchonete abrindo a porta que fazia barulho de sino tocar. Todos no mesmo momento olharam para a jovem garota, tanto quanto garçonetes aos velhos homens de barba grande e jaquetas de couros com jeans velhos. Claire foi até o balcão perguntar sobre um quarto a recepcionista da lanchonete, enquanto isso o silêncio dominou todo o lugar
- Por quanto está um quarto? – perguntou Claire.
- 20$ uma noite – disse a moça – se quiser um quarto tem que ir à recepção do motel, aqui do lado. – apontou para o lado direito.
- Ok... – disse Claire – poderia pegar um café, por favor.
- Claro! – falou a moça. Ela preparou o café bem rápido e logo entregou a Claire. Assim que pagava Claire perguntou:
- Qual a melhor via para Raccoon City você sabe me informar? – a moça negou com o rosto, parecia não saber, mas um dos motoqueiros respondeu:
- Recebemos noticia na rádio que ninguém está podendo ir a Raccoon City jovem moça! – falou o rapaz alto olhando bem para ela.
- E qual seria o motivo? – perguntou Claire.
- Não sabemos, não informaram, mas temos certeza que uma bela moça não vai querer ter problemas com a policia! – disse o rapaz, abrindo um sorriso no canto da boca.
- Não tenho interesse em saber o que você tem certeza ou não, apenas quero o caminho melhor para Raccoon City, se não tem como me ajudar, pode ficar com sua inconveniência! – disse Claire pegando o café e saindo da lanchonete. O rapaz se levantou e ficou diante a ela, sem deixar que saísse da lanchonete, quando entrou um rapaz.
- Claire? – perguntou ele. Claire olhou assustada, mas logo sorriu.
- Kenny! – disse ela sorrindo.
- Ei garota, faz um bom tempo que não te vejo na estrada! – disse ele. Kenny é um bom amigo de Claire, amigo de estrada na época em que ela vivia mais nas ruas. O rapaz, que se pôs diante a Claire ficou sem jeito.
- Esse cara te incomoda? – perguntou Kenny.
- Um pouco... – disse Claire. Ele sorriu, segurando o rapaz que tinha confrontado Claire.
- Esse é Michael, um velho amigo também de estrada – apontando para os homens na mesa – aquele é Rin, Bart, Barner, Calvin... – e saiu apresentando todos os rapazes – como está Chris? – perguntou ele.
- Eu não sei, a um bom tempo Chris não me dá noticias, estou indo a Raccoon City procurar por ele! – disse Claire.
- Não se preocupe, aposto que ele está bem! Ok... Sente conosco, faça-nos campainha e conte suas historias e do seu irmão, os rapazes vão adorar conhecer uma motoqueira jovem que nem você! – disse Kenny arrastando Claire para a mesa dos motoqueiros.
Pra falar a verdade, Claire sentiu receio de estar com aqueles rapazes, barbudos de aparência grotesca, ignorantes, mas durante a conversa eram homens bons e simpáticos que ali se tornaram grandes amigos. Mas a hora foi passando e Claire teria que descansar, ela levantou da mesa se despedindo deles e principalmente de Kenny.
- Fique mais um pouco conosco! – disse Kenny.
- Eu tenho que ir, adorei conversar com vocês, mas amanha tomarei a estrada!
- Se precisar moça! – falou um dos rapazes com uma voz grossa como motor de caminhão – faremos campainha a você até Raccoon City! – Claire sorriu.
- Não será preciso, fico agradecida, eu sei me cuidar sozinha obrigada! – Claire saiu acenando para todos eles e por um momento agradecendo por ter terminado a conversa, afinal, ela estava muito cansada.  Mas antes de ir ao quarto, Claire decidiu ir até o orelhão ligar novamente para Chris, esperançosa que ele atendesse. Ela discou o numero lentamente para certificar que estava certo, mas a resposta que teve era que estava ocupado.
- Droga! – disse Claire desligando o telefone.
Ela pegou a chave e foi até o quarto deitar-se com esperança de encontrar Chris em Raccoon no próximo dia.
 
Leon colocava as malas no seu adorado Jeep. Como ele amava aquele carro. Por um bom tempo estava guardado, pois não tinha dinheiro para por gasolina todas as vezes que ele saia. Com cuidado botava tudo certinho, no banco traseiro. Aquela manhã fazia frio, usava uma jaqueta de couro, calças jeans e um tênis. Enquanto botava a ultima mala, surgiu Sra. Downson, sua vizinha.
- Sr. Kennedy! – chamou ela. Leon olhou para trás e acenou para ela.
- Bom dia Sra. Downson... estou de mudanças.
- Percebo Sr. Kennedy... irá viajar para onde? – perguntou a velha senhora.
- Raccoon City Sra Downson... fui aceito como Policial lá.
- Ahh – Sra. Downson ficou pensativa – Muito bem Sr. Kennedy, boa sorte. – Leon sorriu.
- Obrigado.
- Ah... Sr. Kennedy – disse a velha senhora pensativa – eu sou muito boa com pressentimentos sabe? Quando coisas boas e coisas ruins estão acontecendo. Eu sei que isso que você está passando é uma coisa boa... – ela sorriu, mas logo ficou séria – espero estar errada, espero que só coisas boas aconteçam... mas... sinto que sua vida vai mudar bastante.
- Obrigado Sra. Downson... mas espero que as coisas mudem para melhor! – afirmou Leon. Ela acenou e disse:
- Tenha uma boa viagem Sr. Kennedy, sentirei saudades! – Leon sorriu e mais uma vez agradeceu. A velhinha saiu andando pela rua e Leon finalmente estava pronto para seguir viagem. Sentou no acento do motorista em seu Jeep e com cuidado ligou o carro. Pegou de primeira. Leon sorriu e tomou estrada a rua, rumo a Raccoon City.
 
Leon abriu os olhos, estava em um motel e com uma tremenda dor de cabeça. Em seu pulso olhou para o relógio. Era tarde demais para ainda estar na cama. Ele levantou ligeiramente, mas sua cabeça rodou. Ao seu lado, uma garrafa de Vodka, seca, sem nem mais uma gota. Leon lembrou. Bebeu a noite passada enquanto se hospedou no motel. O lugar era terrível, sem TV, apenas com um antigo rádio, as luzes mal ficavam ligadas e todo um filme passou pela sua cabeça na noite anterior. Agatha... De como ele a conheceu, do dia em que começaram a namorar e da noite para o dia, não a veria mais e nem um adeus conseguiu dar.
Ele não podia voltar a pensar nela, seu relógio afirmava que ele estará atrasado e muito. Além disso, toda vez em que ele mexia a cabeça lhe dava vontade de vomitar. E foi a primeira coisa que ele fez no dia, correu para o banheiro, por pra fora toda a vodka que havia consumido. Mas ele tinha que ser rápido, basta à noite toda que ele chorou por Agatha, seus olhos estavam inchados. Leon tomou um banho trocou logo de roupa e correu para o seu carro, com certeza aquela espelunca não tinha sem serviço de quarto, e além de tudo, ter que passar ainda por outra cidade até chegar em Raccoon, teria muita estrada pela frente e Leon teve que ser rápido. 
Por azar, a cidade ao qual Leon teria que passar estava tendo jogo de futebol americano, uma disputa épica e aquilo, fez com que Leon se atrasasse por conta do enorme trânsito. Toda a tarde preso na cidade e assim que saiu dela mais estradas a percorrer. Leon corria com o Jeep conseguiu achar um posto de gasolina no meio do nada para trocar de roupa, pôs seu fardamento de policial, complicadíssima por sinal, o banheiro era pequeno e os coletes a prova de bala não ajudavam a entrar, por fim, sua pistola 9mm, encaixada na perna.
Não demorou muito e Leon já estava de volta no Jeep correndo pela estrada em direção a Raccoon. Já era noite e um único carro percorrendo a estrada. Leon viu finalmente passar uma placa afirmando “Raccoon City a 10km”. Soltou um sorriso, um alívio por finalmente estar chegando. Agora sim, sua vida iria mudar.
 
Claire pilotava sua moto sem o capacete, ela sentia o vento forte bater em seu rosto e levantar seu rabo de cavalo. Aquela velocidade na moto, aquele forte vento lhe deixava relaxada e confiante. Era a única na estrada, ela se sentia dona do mundo. Uma placa ao lado de Claire dizia “Bem Vindo a RACCOON CITY – Casa da Umbrella”. Finalmente Claire estava chegando, ela rezou para que seu irmão estivesse bem, e já planejava a bronca que daria nele quando o encontrasse. O primeiro lugar que Claire ia era a delegacia policial e ela já estava quase lá, em Raccoon City.

 

 

Episódio 3
 

Ada Wong não era uma mulher comum, uma mulher qualquer. Ela tinha estilo, e se tinha. Uma moça com mistura oriental e ocidental, cabelos negros e brilhosos, uma pele macia e branca, bocas torneadas e delicadas, olhos sensuais. Sem contar do seu andar, que chamava muita atenção, qualquer mulher invejaria Ada quando passasse ao seu lado. Ela usava uma camisa curta vermelha, da Lacoste, uma calça jeans azul escura e scarpans vermelhos, um lenço amarrado no pescoço e um óculos escuro cor de vinho.
Era a primeira vez que Ada estava em Raccoon City e por algum motivo aquela cidade lhe agradou. Fazia um pouco de frio, a primavera tinha acabado de chegar e o vento gelado do inverno ainda batia. Ada subia as escadas para o parque de Raccoon City, onde era sereno e repleto de árvores. Dia de semana tinha algumas mulheres com crianças, idosos e sem muito movimento. Ela parou para olhar a água corrente e cristalina que corria pela fonte, passou por pontes estreitas, andou em mata fechada e aberta. Até que Ada encontrou um quiosque. Era pequeno, redondo, com cadeiras dentro para as pessoas olhassem o rio passar. Ada andou até ele, delicada como sempre soube ser e um ar de misteriosa. Dentro do quiosque havia um homem, olhando o rio passar. Ada subiu as escadas lentamente e isso despertou a atenção dele, que virou. Alto e Loiro, usando preto e escondendo seus olhos por trás de um óculos escuro.
- Srta. Wong! – disse ele – é um prazer conhecê-la.
Ele tinha estilo tanto quanto Ada. Sua voz era macia e precisa, dono de um sotaque onde só ele possuía. Tão misterioso quanto ela, eles dois formavam uma ótima dupla.
- Albert Wesker! – disse Ada com sua voz doce e suave, ao mesmo tempo sensual. Ela estava diante a ele a um homem que guardava grandes segredos, Ada sentia o cheiro do perfume dele e ele o doce cheiro dela.
- Nós... – dizia ele dando voltas pelo quiosque – poderíamos manter contato sem precisar nos ver, acredito que essa será uma das poucas vezes nós iremos encontrar. – o homem sentou no banco do quiosque, e o mesmo fez Ada. Trabalhar junto com Albert Wesker seria perigoso, não era um homem confiável, ele tinha suas malicias e tramava algo, mas não era um covarde, sua educação e classe não lhe permitia isso. Sabia Ada que corria risco de vida apenas por se juntar a ele, mas isso não preocupava tanto ela. O que lhe preocupava mais, era para trabalhar para a organização, ao qual era contra a maior empresa farmacêutica do mundo, Umbrella Corporation.
- A Umbrella não pode saber do nosso encontro, para ela, você não existe. – disse Albert Wesker através das lentes negras. Ada permanecia calada. – e mesmo assim você terá que infiltrar nela, em seus laboratórios e coletar dados valiosos para mim, o que ela fez o que pretende fazer, e até mesmo o que ela nem pretende ainda de fazer! – Albert Wesker parecia ser um homem rigoroso e eficiente, tudo dele era muito calculado e isso era perceptível para qualquer um.
- E quando começo? – perguntou Ada. Albert pegou uma maleta que tinha de seu lado a abrindo com cuidado. De dentro dela ele tirou um envelope e entregou a Ada.
- Eis aqui arquivos onde tem todas as informações da Umbrella. Você será uma funcionária dela... – enquanto Wesker falava, Ada tirava de dentro do envelope seu material de trabalho. Um crachá com seu nome e sua foto era um deles.
- O mapa de toda a empresa, os nomes das pessoas mais influentes da corporação, os cientistas e as senhas para acessar portas. – falou Wesker. Realmente tudo que ele falava continha dentro do envelope, até mesmo um estranho aparelho quadrado com um visor e botões do lado, na parte de trás do objeto, a logo da Umbrella.
- Você é uma funcionária da Umbrella, e todos eles recebem um equipamento adequado, qualquer informação que você precisar, esse computador lhe responderá, e atenção! – falou Wesker respirando forte – esse será o nosso único meio de comunicação e ninguém pode saber que mantemos contato. – ele mostrou bastante precisão e isso não intimidou Ada, contrário, ela ficou mais curiosa ainda para saber da pessoa que ela estava trabalhando junto. Tudo era um mistério, e isso fazia parte do trabalho dela, ela não sabia quem era Wesker e nem Wesker sabia quem era ela.  
Wesker levantou do banco e Ada fez o mesmo. Os dois se encaravam ao meio do quiosque. Wesker pôs sua mão a frente e Ada apertou; ali eles selaram um elo, que provavelmente duraria bastante tempo.
- Foi um prazer conhecê-la Srta. Wong encerramos por hoje! – disse Wesker sem soltar um sorriso.
- Digo o mesmo... – falou Ada – Até outro momento! – ela deu as costas com o envelope na mão e saiu do quiosque, voltando ao parque de Raccoon City. Ela tinha muito trabalho a fazer e teria que estudar bastante agora.
 
Ada passou quase toda a madrugada estudando as instalações do grande prédio da Umbrella. Desvendar seus segredos iria ser difícil, pois todo o prédio tinha instalações de produto de beleza, propagandas publicitárias, salas de reuniões, Marketing, laboratórios para remédios etc. Aparentemente nada de mal acontecia lá. Ela estava em casa, apenas com roupas de baixo, um sutiã preto e calcinha de mesma cor, junto com uma camisola de seda preta. Ada andava de um lado para o outro dentro do pequeno apartamento analisando cada papel, uma larga cama e uma escrivaninha, com apenas uma luz de abajur acesa, iluminando todas as informações e pesquisas que ela fazia, e tudo sobre cada funcionário.
 
Anne Clarck – Chefe de pesquisas de produtos de beleza e cosméticos, atualmente trabalha no 6º andar Ala 3.
Jason Ford – Chefe do laboratório de remédios e drogarias, atualmente trabalha no 8º andar Ala 5
Peter Brown – Chefe de Marketing, atualmente trabalha no 20º andar Ala 4
 
Toda uma lista de chefes, cientistas, estagiários e até mesmo faxineiros tinha. Ada seria cientista do laboratório de remédio e drogarias, transferida da Umbrella asiática. Quase toda a madrugada lendo e relendo relatórios, mapas e tudo que Wesker tinha passado até finalmente ela deitar e dormir, apesar de ter que estudar, ela teria que agir rápido e trabalhar o mais cedo quanto antes.
O relógio nem precisou despertar e Ada já estava acordada tomando seu café da manhã. Enquanto ela comia, a campinha tocou. Apesar de ter que disfarçar para a Umbrella que era outra pessoa, em toda Raccoon City teria que pensar assim junto. Ada levantou da mesa e foi até a porta, olhando através do olho mágico. Um rapaz, provavelmente carteiro, mas o que despertou atenção de Ada foi ele ter subido para lhe entregar a carta. Ada pegou uma beretta, em cima da cômoda e abriu a porta escondendo a arma.
- Sim? – perguntou ela.
- Desculpe incomodá-la, mas esse pacote é para a senhorita. – Ada sorriu pegando o pacote e colocando a arma, em uma porta arma plantado na porta.
- Obrigada disse Ada fechando. – Era um pequeno pacote e fino, ela colocou em cima de mesa e começou a rasgá-lo. Nesse mesmo momento, seu aparelho da Umbrella apitou. Ada foi até ele o ligando.
- Srta Wong, bom dia! – falou Albert Wesker.
- Wesker... Bom dia! – disse Ada.
- Creio que seu fardamento já deve ter chegado...
- Em boa hora! – falou Ada.
- Espero que tenha lido todo o material que eu tenho lhe passado.
- Afirmativo!
- Você irá a Umbrella hoje, aja com naturalidade e procure por John, ele lhe servirá de grande ajuda.
- E ond... – quando Ada iria perguntar onde encontrar o rapaz, Wesker já tinha desligado o aparelho. Ela retirou a bata que tinha de dentro do pacote.
- Hora do show Business!
 
Ada pegou um Taxi e foi até o prédio da Umbrella Corporation. Assim que ela colocou o pé na calçada da corporação, deu de cara com o gigante prédio e o logo da empresa pregado no chão. Ela desceu do Taxi e ficou olhando aquele deslumbrante prédio, um império para falar a verdade. Ela calmamente caminhou até a entrada da empresa onde havia várias catracas e com o crachá entregue por Wesker, ela teve seu acesso livre.
Ela via como se entrasse em um jogo e estivesse sendo testada a cada fase que passava. Ada tinha que ser misteriosa e rápida, agindo com tranqüilidade. Seu primeiro dia de trabalho, não deu muito certo. Ela entrou em cada instalação e viu cada pessoa e cada local. Por sorte ninguém notou nada, mas ela não conseguiu tirar nenhuma informação precisa. A área de cosméticos era uma perca de tempo e a drogaria ocorria tudo bem. Ela entrou em um dos computadores da drogaria e pesquisou algo sobre vírus e vacinas. Tudo o que tinha era simples, remédios, e viroses comuns. Ela precisava de mais e bem mais. Seu primeiro dia de trabalho passou logo, à noite, Ada voltou para casa como um funcionário normal da Umbrella, e ao chegar a casa, ela escreveu seu primeiro relatório.
 
“Meu primeiro dia de trabalho foi como esperado. Apenas conheci o local e dominei saber cada pessoa que trabalhava no estabelecimento. Infelizmente não tirei nada que pude aproveitar os cientistas que trabalhavam lá realmente não pareciam saber de nada ou fingiam que não sabiam. Se fingiam, eram bons atores. A área de cosmético era um desperdício de tempo, mas tive que me envolver em cada setor para ver o que eles faziam em cada devido local. Terei que ser mais precisa da próxima vez!”
 
Ada não mudou nada no dia seguinte, apenas fez o que mandaram fazer como um funcionário normal da Umbrella, eles não desconfiaram nenhum momento que Ada era uma espiã. Na sala de reuniões, Ada implantou um microfone no chefe de remédios e escutou toda a conversa pelo computador, mas eles não falavam nada demais. Falavam sobre a vinda do verão, os remédios que iram usar, cosméticos e toda a besteira. No terceiro dia Ada vasculhou relatórios e arquivos, entrou até no computador da recepção, mas não conseguiu detectar nada. Aquilo estava a deixando furiosa, ela tinha que mostrar lealdade para a organização que estará trabalhando e a qualquer momento Wesker pediria mais dados do que Ada descobriu da Umbrella e falar do próximo protetor solar do verão não iria agradar ele em nada.
Ela andava em um dos corredores da corporação, com uma papelada pedida do chefe dela. Apesar de trabalhar como espiã, ela teria que mostrar uma boa funcionária para a Umbrella, tudo ficaria mais difícil se ela fosse demitida. Seu salto fazia barulho pelo corredor e só ela vinha andando nele, junto com aquela quantidade de papel, ela pensava em como desvendar mais pistas sobre a Umbrella. Até que um homem esbarrou nela derrubando todos os seus papeis pelo chão, junto com os dele. Ada se agachou para pegar os papeis o amaldiçoando, afinal aquilo iria tomar seu tempo e o homem junto a ela dizia:
- Oh, me desculpe senhorita por tê-la atrapalhado. – claro Ada se irritou com ele, todos os papeis tinham ido ao chão e desorganizado, mas ela não tinha visto aquele homem e nem leu sobre ele.
- Quem é você? – perguntou Ada ainda agachada no meio dos papeis.
- Ow... Sou John. Prazer em conhecê-la, você é? – Ada se lembrou do que Wesker falou, para procurar por John.
- Ada... – disse ela – Ada Wong. – O homem sorriu. Ele era bem bonito, com olhos claros e cabelos loiros, com óculos no rosto. Enquanto Ada juntava os papeis e separava os dela com o dele, ela percebeu algo, que lhe chamou atenção.
- Diga-me... – disse ela tentando chamar atenção dele – de que área você trabalha aqui? – perguntou ela.
- Eu..., eu trabalho na área de drogaria e remédios, e... – enquanto ele respondia, Ada colocou o papel pertencente a ele na pasta dela.
- Acho que terá de dar uma resposta melhor... – disse Ada – pois eu trabalho lá e nunca o vi! – afirmou Ada.
- Ow... – disse John confuso. Ele se levantou e estendeu a mão a Ada. Ela o segurou e levantou lentamente, já jogando seu charme.
- É uma longa historia! – disse John.
- Talvez não seja um funcionário confiável! – disse ela.
- Não,não,não... Já trabalho a um bom tempo aqui é que..., eu não trabalho muito nesse prédio!
- E onde você trabalha? Se não é aqui? – a cada pergunta que Ada fazia, deixava o rapaz mais nervoso.
- Moça eu... Estou com pressa... E...
- Não se preocupe... Só tenho curiosidade se vamos nos encontrar novamente! – Ada jogou seu charme.
- É... Claro! – Ada pegou uma caneta e anotou o numero dela.
- Este é meu número, te vejo por ai! – disse ela caminhando pelo corredor. Ele era com certeza um homem carente, só via o trabalho em mente, Ada mexeu com ele, disso ela tinha certeza, mas ela não estava preocupada com ele e sim com o que ele deixou cair.
Ela entregou os papeis ao seu chefe e enquanto ela fingiu ir trabalhar foi ler o que tinha naquele papel.
 
Informações sobre o G-Vírus
Com as pesquisas feitas em Lisa Trevor através dos estudos do parasita Nemesis conseguimos uma resposta um tanto inusitada. Foi detectada uma diferente forma de vida, ao qual descoberta pelo Cientista William Birkin adotou de G-Vírus.
O G tem uma grande facilidade de mutação genética, maior tanto quanto o T; enquanto o T compromete as células, o G tem a possibilidade de reescrever o DNA, gerando uma nova forma de vida, criando o que foi chamado de células G.
O G-Vírus ainda está em processo de estudo e é altamente secreto. Temporariamente ainda é imperfeito para B.O.W. Seu coordenador é o cientista William Birkin, atualmente trabalha nos laboratórios de Raccoon City.
“Relatório de Martin Crackhorn”
 
- G-Vírus? Laboratórios de Raccoon? Interessante! – disse ela para si mesma.
 
Ada chegou em casa colocando sua bolsa em cima do sofá e logo pegando o pequeno computador entregue por Wesker. O ligando, ela logo deu uma chamada para ele e não demorou muito até ele atender.
- Srta. Wong estava pensando exatamente em você.
- Consegui um papel com uma página falando sobre algo que pode lhe agradar.
- Diga! – falou Wesker.
- Creio que exista algum laboratório da Umbrella sobre a cidade de Raccoon, e alguma amostra de um supervírus que eles estejam trabalhando lá.
- Muito bem Srta Wong, vejo que está fazendo seu trabalho muito bem! Onde conseguiu esse relato?
- Conheci um rapaz chamado John no prédio da Umbrella, ele deixou seu papel amostra e consegui pegá-lo.
- Muito bem! – disse Wesker – continue tendo contato com John e procure mais sobre esse vírus!
- Afirmativo! – disse Ada. Wesker havia desligado e Ada ficou pensativa, como agir com John.
Manter contato com John não seria difícil, depois pelo que Ada fez, mas ela tinha que rezar para que ele ligasse e não apenas pegasse o numero como todos os homens fazem. Ada esperou alguns minutos e bingo, o telefone tocou. Claro ninguém tinha o numero daquele telefone a não ser Wesker e agora John. Ela respirou fundo e foi até ele fazendo seu personagem.
- Alô?
- É... Ada? Ada Wong?
- Sim ela, quem deseja?
- Sou eu John, nos encontramos hoje no corredor da Umbrella!
- Claro... – falou Ada fingindo lembrar – lembro de você.
- Gostaria de saber se você, aceita... Almoçarmos amanhã, por minha conta! – Ele parecia nervoso, Ada sorriu e disse:
- Sim... Pode ser.
- Ok, amanhã às 13 horas, no... Big Machine!
- Ok, confirmado! - disse Ada.
- Ok então... Até amanhã! – falou John e Ada desligou o telefone.
John... Ada precisava de mais informações sobre ele. Por enquanto era só um cientista ou médico da Umbrella que vagava pelos corredores do prédio da corporação, mas com certeza, escondia um mundo de coisas e não pretenderia contar tão fácil assim para Ada. Sabia ela que John escondia algo e sabia também que Albert Wesker deveria saber mais do que ela pensava. Quando ela falou do G-Vírus para Wesker, sentiu que ele não ficou surpreso. Ada era boa em adivinhar e sentia ela que Wesker estava a testando. Testando ou não, ela continuaria com a missão e já tinha uma ótima arma para usar contra John para que ele falasse algo, mas primeiro, ela o conheceria melhor.
 
O outro dia chegou e Ada estava de encontro marcado com John. De dentro do Taxi ela pôde ver ele dentro do Big Machine. Não era um grande encontro, mas apenas uma ótima tarde nublada para se tomar café e conversar sobre várias coisas. Ada olhou para o espelho e retocou o batom, seus olhos orientais estavam realçados e ela estava bem vestida o bastante para impressioná-lo. Descendo do carro, sapatos altos eram bons aliados a Ada e a cor vermelha também de um lado estavam sua bolsa e do outro a bata da Umbrella. Para John, ela estava vindo da corporação.  Ada passou a manhã estudando que iria falar e já estava com tudo na ponta da língua. Entrando no Big Machine, Ada encontrou com John na mesa próxima a janela. Ela andou até ele sorridente o cumprimentando.
- John! É um prazer revê-lo!
- Ada! – ficou John animado – como você está?
- Muito bem e você?
- Ótimo! – Ada sorriu.
- O que andou fazendo? – perguntou John
- Além de trabalhar? Só trabalho! – Ada sorriu – tenho que dar conta de vários remédios que me pedem e receitas, praticamente faz isso o dia todo e você?
- Estou meio ocupado em um estudo que ando fazendo. – John não revelou a Ada qual era esse misterioso trabalho que ele estudava, mas Ada deduziu ser o vírus tirado do papel que ele perdeu. Eles conversaram um bom tempo pela tarde. John assumiu que era um homem muito sozinho e sua dedicação era quase 24 horas para a Umbrella, ultimamente ele estava de folga por algum tempo, mas depois voltaria à tona no trabalho. Com pequenas informações que ele falava, Ada assimilava tudo, e percebia qual era o momento em que ele falava a verdade e a mentira. Ada não fez o diferente e mentiu bastante para ele, disse que era uma moça solitária sem família e que trabalhava bastante também para a Umbrella, ela tentou o máximo a assemelhar pensamentos com ele, ela fez um ótimo jogo de cintura sem contar que lançou bastante seu charme.
Fazer o trabalho de garota misteriosa deixou John mais atraído por Ada. Aquele dia terminou rápido, eles não fizeram nada além de beijar o rosto do outro. Mas vieram mais dias e Ada continuou com seu disfarce. Eles foram ao cinema juntos, andaram pelo parque e a cada dia John ficava mais atraído por Ada. Eles deram o primeiro beijo e finalmente John pediu Ada em namoro.
Mas aquilo estava indo longe demais e a cada dia que John confiava mais em Ada, ela tentava tirar alguma informação sobre o vírus que ele nunca tinha nem mencionado. Ada ainda tentou procurar mais coisas sobre o assunto no prédio da Umbrella, procurou até mesmo saber sobre John, mas ela não achava nada e ninguém sabia de nada. Até que um dia, John chamou Ada para um restaurante luxuoso em Raccoon City e ela, não pôde negar o pedido.
Muito tempo já havia passado e Wesker esperava por assuntos novos e o máximo que Ada conseguiu foi aquele papel encontrado, nem mesmo onde John morava ela sabia direito e isso de certa forma estava soando incompetência. Sentimentos por John, Ada não teve nenhum momento e já era hora dela abrir o jogo contra ele e usar a única arma que ela tinha, o papel.
Ada chegou de Taxi no restaurante. Dessa vez era noite. Ela olhou para o espelho e viu sua maquiagem pronta. Respirando fundo, Ada abriu a porta do carro dando de cara com a entrada do restaurante. Ela deu pequenos passos até a porta que foi aberta por um rapaz. Ada usava um vestido preto, que lhe combinava bastante e suas costas nuas, segurava uma bolsa carteira. Na porta, um rapaz veio atendê-la.
- Srta? Em que posso ajudá-la?
- Estou procurando um acompanhante, John!
- Claro, mesa 7, próxima a janela! – disse o homem. John sempre gostava de sentar próxima a janela e assim que Ada olhou para o lado, o viu sentado, todo formal a esperando. Ada, com seu andar sensual, caminhou até ele. Ele levantou com um sorriso de um lado para o outro, pegou a cadeira para Ada sentar e assim que ela sentou, ele a acompanhou. John estava perdidamente apaixonado, era exatamente onde Ada queria chegar.
- Ada... Minha amada! – disse ele vendo a deslumbrante beleza de Ada. Os dois pediram algo para comer e beber, John pediu o melhor vinho tinto da casa e eles dois estavam tendo um belo jantar. John bombardeava Ada de elogios, falando do seu cabelo, de seu rosto, do seu jeito meigo de agir. Ada só fazia rir e continuar seu papel de apaixonada.
- Tenho um presente para você!  - disse John. Ada levantou a sobrancelha, virando o rosto para o lado dando um sorriso sem graça.
- Por favor... – disse ele. Tirando de dentro do seu terno, ele pegou um quadrado preto, e grande, grande demais para ser um anel. Aquilo assustou Ada, ela não esperava. Ele estendeu o quadrado negro para ela o abrindo. Dentro dele, um lindo colar dourado com um pingente.
- Todo de ouro, pra você! – disse John. Ada ainda estava paralisada e nesse momento, nem lembrava mais do seu trabalho. De fato era deslumbrante e lindo, o presente mais bonito que uma pessoa poderia dar, o presente mais bonito que Ada recebeu. Ele tirou o colar de dentro, levantando e colocando no pescoço de Ada. De fato era lindo e o pingente de borboleta, aquilo deixou Ada paralisada, sem falar nada.
- Essa borboleta representa o como eu a vejo, uma beleza única e natural, eu amo você mais que todo esse ouro que lhe possui! – disse John.
- John... – disse Ada sem palavras. Ela tremia, tinha que focar no seu trabalho, ela não podia ter sentimentos, nem deixar levar pelo presente dado por John.
- Antes de aceitar esse colar... – disse Ada – eu não posso aceitá-lo até você me contar a verdade. – delicada com a voz tremula. John juntou as sobrancelhas. De dentro da carteira, ela tirou o papel dobrado, sobre o relatório do G-Vírus. Ada teve uma queda, mas já estava de pé.
- Quero que me explique isso, que me fale a verdade! Toda a verdade! – Ada pretendia devolver o colar para John naquele momento, até que...
- Ok... – disse John pegando a carta e a amassando depois de lê-la. – Sim, eu trabalho para a Umbrella, e não no laboratório do prédio localizado em Raccoon City, mas em um laboratório na floresta Arklay! – disse John. Ele olhou de um lado, olhou do outro. Ada estava estatelada – Eu preciso confiar que você não contará a ninguém. – Ada afirmou com o rosto.
- Temos dois laboratórios, na floresta Arklay e em Raccoon, estudamos um vírus, com capacidade de mutar, esse vírus estamos apenas estudando, e já chegando a conclusões. O laboratório é secreto, ninguém sabe, nem mesmo muitos funcionários da Umbrella. Ele é escondido, a Arklay é por uma mansão e a de Raccoon pelos esgotos. Existe uma entrada do prédio da Umbrella para o laboratório na cidade, foi quando você me viu... estava saindo de lá. Infelizmente eu vou ter que voltar para o laboratório Arklay próximo mês e só quando sair novamente poderei vê-la, espero sair logo, vou sentir saudades, já sinto!
- Vocês estudam um vírus... Ilegal? Para mutação?
- Não quero que me veja como um fora da lei, mas é pela ciência e temos que estudá-lo!
- Não lhe vejo dessa maneira, apenas... Curiosa. – John pegou na mão de Ada.
- Por favor! Isso é secreto, você não pode contar a ninguém!
- Não se preocupe! – disse Ada – Não farei isso!
 
Ada chegou a casa ligando o computador e chamando por Wesker. Ela fez isso o mais rápido possível e Wesker logo atendeu.
- Ada? – disse Wesker.
- Coletei dados que você queria.
- Conte-me!
- A Umbrella tem um laboratório secreto nas florestas Arklay e outro em Raccoon, esse laboratório é subterrâneo escondido por uma mansão que é usada de fachada, o outro fica entre os esgotos. Lá eles estudam armas virais, um vírus mais apropriado, e estão em faze de conclusão, o nome do vírus é G.
- Excelente Ada! Quero que continue mantendo contato com John, ele pode soltar mais coisas valiosas e descubra mais segredos da Umbrella, ela esconde muito mais que isso! – disse Wesker alisando o queixo.
- Afirmativo! – Wesker desligou e Ada soltou o computador em cima do sofá. Ela voltou a se olhar no espelho e pendurado em seu pescoço, o colar com a borboleta. Ada a tocou, pronunciando o nome.
- John...

 

 

Episódio 4
 

Chris estava deitado em sua cama com os olhos abertos. Ele não conseguiu dormir durante toda a noite. Seu despertador tocou sem sucesso, pois ele já estava há muito tempo acordado. Cada vez que Chris fechava os olhos ele se lembrava de cada cena que havia passado naquele terrível pesadelo na mansão de Spencer. O despertador continuou soando seu irritante som, mas Chris nem se mexia, apenas olhava para o teto de seu quarto.
Levantando o tronco lentamente, ele esfregou o rosto. Ainda cansado, se esticou um pouco para desligar o despertador. Já havia passado mais de duas semanas desde o incidente da mansão de Spencer e os S.T.A.R.S. estavam temporariamente suspensos e dados como loucos.
Andando pelo seu pequeno AP, Chris foi até a cozinha tomar um pouco de café, apesar de não ter dormido, seu corpo estava cansado. Seus nomes saíram nas rádios e telejornais, sem contar que também jornais não paravam de falar sobre o caso desde o inicio até o motivo pelo qual os S.T.A.R.S. estavam suspensos, até chamados de ineficientes foram. Chris tomou seu café pensando em cada passo que iria dar o que ele teria de fazer. Brian Irons, delegado de Raccoon e o maior motivo pelo qual Chris foi suspenso, tinha algo de muito podre em meio a tudo isso. Rapidamente Chris foi até seu quarto, procurar alguma coisa para vestir. Uma camisa branca e calça jeans azul, junto com um sapato preto, Chris colocou um Ray-Ban no rosto e saiu de seu apartamento, mas antes disso, sua Beretta prateada lhe acompanhava para todos os lugares, claro, escondida por debaixo da camisa.
 Não demorou muito para ele estar andando nas ruas de Raccoon e refletindo sobre tudo o que ele passou e o que iria passar. A Umbrella queria suas cabeças mais que tudo, e um certo dia eles poderiam estar mortos. Com as mãos pelo bolso, Chris chegou próximo a rua de entrada a delegacia de policia, tudo estava indo bem e até as mortes que cobriam Raccoon tinha cessado.
Chris entrou na delegacia desconfiado, todos o olhavam, mas ele tentou ser rápido e logo foi até a sala dos S.T.A.R.S. Todo o caminho, policiais o encaravam e comentavam sobre algo, mas não era a primeira vez que Chris voltava para delegacia depois do incidente da mansão. A sala dos S.T.A.R.S. estava aberta e nada arrumada, parece que depois do que aconteceu na mansão, eles deixaram a sala do jeito que estava. Assim que entrou, Chris deu de cara com a sua mesa, e logo do lado esquerdo, diante do grande símbolo dos S.T.A.R.S. pregado na parede, a mesa de Wesker. Albert Wesker.
Chris não hesitou, ele rapidamente foi até a mesa do “Ex-Chefe” e procurou algo que poderia lhe servir de ajuda. Tudo era inútil. Papeis sobre os agentes, sobre a R.P.D, relatórios de acontecimentos e até mesmos relatórios de pesquisa da antiga mansão. Talvez a sala já tivesse sido vasculhada, talvez Irons já pegou o que tinha de valioso e queimou tudo. Chris não queria tirar os olhos do gordo bigodudo, mas ele teria que tomar cuidado. Ainda quando lia alguns papeis em cima da mesa de Wesker, ele se assustou com o barulho da porta se abrindo.
- Chris? – perguntou a voz suave de Jill. Ela usava uma camiseta branca, por cima de uma camisa social com curtas mangas de listras azuis. Sua perna estava amostra com uma saia Jeans, sandálias com um pequeno salto e uma bolsa tiracolo.
- Jill! – se animou Chris por tê-la visto. Ela fechou a porta rapidamente para que as pessoas não os vissem lá dentro.
- Como você está Chris? Tive saudades! – falou Jill sorridente. Chris tirou os óculos do rosto, o colocando pendurado na gola da camisa.
- Estou bem, com um pouco de insônia, mas nada além daquilo! – falou Chris. Jill sorriu dizendo:
- Também estou sem conseguir dormir.
- Barry ainda não chegou! – disse Chris Redfield. Eles tinham marcado uma pequena reunião na delegacia de policia. Chris achava melhor lá, pois outro lugar teria risco de ter a Umbrella colado neles e se a corporação vissem juntos saberiam que estavam tramando algo. 
- Vejo que eles não mudaram a sala. – disse Jill andando pelo local deixando sua bolsa em cima de sua mesa. Chris sorriu. Ele caminhou até o meio da sala próximo a Jill, suas mesas eram vizinhas uma próxima a outra.
- Conseguiu alguma informação? Infelizmente eu nem sei por onde começar... – Jill suspirou – acho que eles estão atrás de mim. – Chris respirou fundo. Ele não gostou de saber que a Umbrella estava rodeando Jill, mas também ele sabia que a Umbrella estava atrás dele.
- Não consegui nada de valor, pelo visto a mesa de Wesker não tem nada falando sobre os laboratórios e a Umbrella, nem mesmo sobre o vírus. – Jill deu as costas para Chris preocupada. Ela caminhou pela sala amaldiçoando por não ter nenhuma pista onde começar.
- Temos que nos infiltrar no prédio da Umbrella! – afirmou Chris.
- Será perigoso!  - Disse Jill voltando a olhar para ele – e acho que nem mesmo o prédio da Umbrella deve ter algo sobre a mansão. Provavelmente eles escondem provas e fatos muito bem escondidos, e já estão de olho na gente, caso tentarmos algo. – a porta dos S.T.A.R.S. abriu repentinamente e por trás dela, surgiu Barry.
- Chris, Jill... me desculpem se me atrasei! – disse Barry fechando a porta. Jill sorriu dizendo:
- Não Barry, chegou na hora certa!
Barry vestia uma calça social com sapatos, uma camisa com mangas levantadas até os cotovelos de cor bege.
- É bom ver vocês novamente! – disse Barry sorrindo.
- Eu e Jill estamos pensando em uma maneira de achar algum tipo de evidencia que possamos comprometer a Umbrella, saber o que ela faz não só aqui, mas em todo mundo ou até mesmo em Raccoon. – disse Chris, Barry se aproximou deles.
- Acho que temos que fazer algo rápido... – falou Barry. Chris se calou e Jill ficou serena. – a Umbrella já está atrás da gente. Eles querem nossas cabeças. Creio que não fizeram nada mais ainda porque todos acham que somos loucos, mas se tivéssemos as provas, com certeza já poderíamos estar mortos! – afirmou Barry. Chris suspirou, e ficou com medo de Barry ter assustado Jill.
- Acho que Irons tem haver com algo, ele e Wesker estavam próximos demais e, quando avisamos sobre o laboratório Arklay ele ficou pálido e sem jeito. Ter afastado a gente do cargo dos S.T.A.R.S. da tempo a Umbrella de fazer o que ela quiser! – falou Chris.
- Até mesmo de cobrir os fatos! – completou Jill. Barry abaixou a cabeça falando:
- Eu entendo o entusiasmo de vocês, mas eu não posso correr tanto... – Barry ficou sem jeito. Chris juntou as sobrancelhas e Jill esperou ele continuar – as meninas... e Kathy! Eu não... posso colocá-las em risco.
- Eu entendo Barry! – disse Jill pondo a sua mão no ombro do companheiro, o mesmo fez Chris.
- Vou levá-las até o Canadá, escondê-las por lá, para que a Umbrella não as encontrem! – Chris sorriu. Ele olhou para Jill que ainda apoiava sua mão sobre Barry. Ele pensou que o assunto da Umbrella poderia assustá-la, mas o contrário, Jill parecia ser segura e firme naquilo em que ela fala.
- Ok... – disse Chris chamando a atenção dela – eu tenho um certo plano... é fácil, eu preciso entrar na sala de Brian e achar algo por lá, ou Jill ou Barry distrai ele e os agentes que tentarem se aproximar da sala!
- Onde está Irons? – perguntou Barry.
- Ele está... – Chris foi interrompido pela porta se abrindo. De trás dela, Brian Irons. Ele deu pequenos passos e sorridente entrando na sala dos S.T.A.R.S. e claro, mexia em seu bigode.
- Ora, ora se não vejo aqui, uma reunião entre amigos? – disse Irons com sarcasmo. Jill ficou quieta, mas com ódio pelas veias e o mesmo fez Chris, tão mais furioso quanto.
- Eu pensei que dei uma ordem a vocês! – disse Irons.
- Chefe Irons, estamos ainda procurando a fundo o que aconteceu dentre a floresta, sabemos o que aconteceu lá vivenciamos aquilo, estamos tentando transpassar para vocês o verdadeiro fato do que está acontecendo! – Chris apertou na mesma tecla, mas Jill não fez nada, apenas assistiu e Barry o mesmo.
- Chris eu entendo o que vocês estiveram em um momento difícil e estão tentando nos ajudar, mas eu não posso escrever em um relatório que zumbis que pulam da cova estão matando policiais por ai! – alguém passou no corredor dando risadas. Chris fechou as mãos e Jill percebeu.
- Desculpe Chris... – falou Irons. Ele deu as costas e deixou os três dentro da sala, fechando a porta. Chris olhou para Jill frustrado, ele não conseguiu mais uma vez convencer Irons. Mas Jill disse:
- Pronto? – Chris juntou as sobrancelhas e Barry disse:
- Vamos lá! – ele saiu primeiro da sala, Jill acenou com a cabeça e também saiu da sala e agora era a vez de Chris, ele teria que ser rápido, apesar de ter dito a eles sobre o plano, não esperava que iria botar em prática tão cedo. Ele saiu da sala e ainda via Jill atravessar a porta para o outro corredor se encontrando com Irons, Chris foi para o outro lado, procurando outra saída para o hall principal. Jill foi rápida, mas Barry mais ainda, ele falava com Irons sobre alguma coisa de policiais e sobre os membros dos S.T.A.R.S., ela chegou a escutar palavras como:
- É lamentável saber que perdemos tantos agentes competentes nessa missão... – Jill se juntou a eles dois na conversa, como se estivesse interessada no assunto. Chris tentou achar uma passagem mais fácil para o Hall e não estava conseguindo, ele teria que descer a escada de metal que era totalmente inapropriada usá-la, a sorte dele é que ela estava sendo usada por alguém. Chris desceu as escadas o mais rápido que ele pode fazer e foi passando pelo hall com passos rápidos, mas mostrando naturalidade. Irons descia as escadas e Barry junto a Irons não paravam de falar sobre diferentes assuntos. Jill passou por eles indo para a procura de Chris, Irons adorava pessoas lhe chaleirando e Barry estava fazendo um ótimo trabalho. 
Chris se sentia nervoso e só pudera, ele estava fazendo algo contra a lei e sua vontade era de correr pelo departamento atrás a sala de Irons. Entrando no ultimo corredor, não tinha muitos policiais, na verdade só alguns, Chris teria que mostrar tranqüilidade. Ele andou de seu jeito normal, seu coração batia forte e ele estava suado. Passou pelos policiais que conversavam sobre besteiras, Chris passou sem eles percebê-lo, caminhou tranqüilo até a porta de Irons e abriu delicadamente.
A sala de Irons era enorme, o chão brilhava e tinha estátuas, mesas etc. Ele foi até a mesa de Irons procurando sobre alguma coisa, papel por papel, mas de uma forma rápida sem poder desorganizar nada. Relatório sobre ladrões, assaltos, assassinatos, estupro, suicídios, nada sobre o caso da mansão de Spencer. Chris abriu as gavetas e procurou pelas pastas alguma coisa. Finalmente ele achou “Relatórios sobre Assassinatos Bizarros”. Chris pegou a pasta e colocou em cima da mesa de Irons. Ele viu tudo, Relato dele, Jill, Barry, Wesker, Martin, Sullivan etc. Nada; apenas teorias para com o que acontecia em Raccoon.
- Droga! – resmungou Chris. Seu tempo estava acabando e nada encontrava. Barry conseguiu pegar um pouco de tempo de Irons, mas não achou assunto o bastante para distraí-lo. Irons apertou a mão de Barry dizendo:
- Obrigado Sr. Burton, anotarei sobre suas informações! – agradeceu sobre os assuntos que Barry falou com ele.
Jill chegou ao corredor e viu dois policiais tagarelando algo, parecia que não tinham visto Chris, mas perceberam a presença dela no local. Ela respirou fundo e ficou esperando que algo acontecesse.
Chris não achava mais nada, bateu nas estantes, gavetas, pastas e nada encontrava, até que finalmente achou algo. “Para o Sr. Irons de Ben”. Era um papel amassado duas vezes, e dentro tinha:
Caro Sr. Irons
Pedimos que tome cuidado nas entradas pelo o esgoto. A mídia está em cima dos acontecimentos e ela não pode chegar tão longe. Mantenha os oficiais distantes!
Chris franziu a testa olhando aquele pedaço de papel. O que exatamente essa carta queria dizer? O ferrolho da porta estava girando, alguém ia entrar na sala, Chris se assustou, por sorte ele estava por trás da mesa de Irons e se agachou rezando para que não fosse ele. Mas infelizmente era, os passos de Irons entrou na sala e o coração de Chris foi a mil, escondido atrás do birô
- Chefe Irons? – Chris ouviu a voz de Jill. O homem virou para ela e ele pode escutar novamente.
- Pode vir aqui um instante, por favor?
Jill estava mais que nervosa, seu coração batia forte e sua mão tremia, se ele encontrasse Chris lá dentro seria uma catástrofe. Irons saiu da sala e Jill, junto com ele, começaram a andar pelo corredor conversando. Chris colocou a carta no bolso e saiu da sala, deixando a porta aberta e correndo para a sala da frente de interrogações. Jill conseguiu ver a mudança de local de Chris, ela falava sobre a sala dos S.T.A.R.S. por estar suja e mostrou a Irons dos dois policiais tagarelando no corredor, ao invés de trabalhar.
- Ei vocês dois! – gritou Irons com os rapazes – porque não estão trabalhando?
- Estamos... – o rapaz ficou nervoso – falando sobre um procedimento que estamos trabalhando senhor!
- Façam isso na sala de vocês! – disse Irons. Ele olhou para Jill e continuou a falar – mandarei alguém arrumar a sala dos S.T.A.R.S.
- Ok – disse Jill sorrindo. Irons voltou para sua sala e Jill estava mil vezes mais tranqüila, com um pouco de peso na consciência por falar do dois policiais. Sua respiração saiu calma e Chris pôde sair da sala de interrogações. Irons finalmente tinha entrada em sua sala e Chris falou com Jill.
- Por pouco...
- Muito pouco! – disse Jill – encontrou algo? – perguntou.
- Nada, não posso ter certeza de Irons ter algo com a Umbrella, apenas encontrei um papel que tem escrito para Irons tomar cuidado com a mídia e manter os oficiais longe de algo. Eles devem estar falando dos assassinatos que ocorreram.
- Manter policiais longe? – perguntou Jill.
- Não só isso, mas também falaram algo como os esgotos... – Jill franziu a testa. Barry entrou no corredor e estava nervoso, mas conseguiu ficar calmo ao ver Chris e Jill juntos.
- Como saímos? – perguntou Barry.
- Sem muito sucesso e só com mais perguntas! – disse Chris. Jill suspirou.
- O que faremos agora? – Chris nada disse. Barry se manteve calado. De fato o próximo passo seria difícil e eles nem sabiam por onde começar. Pra falar a verdade a pessoa que estava mais alienada nisso tudo era Chris. Jill estava incerta ainda qual rumo tomar e Barry preocupado com sua família. A reunião tinha terminado ali. Todos saíram com mais duvidas e nada foi resolvido.
 
Chris pôs os pés fora da delegacia, Jill e Barry ao seu lado. Ele virou para eles dizendo:
- Foi muito bom vê-los! – falou Chris sorrindo. Barry sorriu e Jill não fez diferente.
- Até a próxima Chris! – disse Barry batendo forte na mão do amigo. Jill sorriu e Barry beijou sua cabeça – Tchau Jill, cuidado! – Jill acenou e voltou a olhar para Chris, ainda frustrada. Chris a olhou e percebeu o quanto Jill estava bonita. Com o sol batendo em sua branca pele que refletia seu brilho natural. De fato Jill não percebia o jeito que Chris olhara para ela.
- Então Chris... – disse Jill – manteremos contato, se você souber de alguma coisa ou precisar de alguém, já sabe com quem contar! – Chris sorriu, mas logo ficou sério.
- Claro! – Jill acenou para ele, com a chave do carro em sua mão, saindo da delegacia. Chris ficou no mesmo lugar pensativo, lhe amaldiçoando por não ter pegado o carro, mas ele tinha uma pista que Irons realmente tinha algo envolvido, com a Umbrella ou não. Irons era um político e todo político esconde seus podres, Chris só teria que saber, qual era!

 

 

Episódio 5
 

Roberto sorria bastante com a festa que estava fazendo. Sua casa era a primeira antes de entrar na sua adorada vila. Uma grande casa com primeiro andar, sua esposa, Tereza, fazia a comida, seu filho, André de 19 anos, distribuía as cervejas para todos que estavam na festa. Roberto adorava chamar seus colegas do vilarejo e redondezas para as festas que ele organizava, para falar a verdade ele conhecia todo mundo e todos gostavam muito dele.  Tereza saiu de dentro de casa com vários tipos de comida colocando sobre uma grande mesa de madeira no meio das árvores vermelhas no meio do outono. Roberto pegou seu violão e sentou na pequena escadaria para o terraço de sua casa, logo, várias crianças se aproximaram dele para escutar a musica que ele iria tocar.
Não só as crianças, mas todos fizeram silêncio para escutar Roberto tocar a viola. Seu filho, André, ficou bastante atento para ver o pai tocar e Tereza cruzou os braços enchendo de alegria da bela festa que seu marido estava fazendo. Roberto tocou uma musica lenta, sua voz, um pouco rouca, ficava suave com as notas seguidas pelo violão, logo todos lhe acompanhavam na letra, até mesmo as crianças.
Era uma bela festa e só Roberto sabia fazer uma festa assim. Todas as festas que alguém organizava na vila, sempre chamavam Roberto, ele era um ótimo homem, trabalhador, bom marido e bom pai, era o tipo de homem calmo, sem maldades, sem raiva. A festa seguiu muito bem, todos festejaram, beberam, riram, se animaram, mas só uma coisa incomodava Roberto de toda aquela festa. Seu amigo, Tenório, ultimamente não se comportava bem, era um homem sorridente e amigo de todos, sua esposa recorreu a Roberto dizendo eu ele estava agressivo e tinha momentos que não parecia ser ele. Roberto terminou de tocar seu violão e todos aplaudiram, menos Tenório. O rapaz estava sentado em uma cadeira, de cara emburrada, ele olhava para o nada, parecia estar em transe com algo. Roberto se levantou lentamente da escada, passando o violão para seu filho indo em direção a Tenório. O homem nem se quer via Roberto chegar próximo e a esposa de Tenório só assistia de longe, enquanto conversava com outras mulheres da vila. Todos estavam divididos em grupos, os rapazes de um lado tomando cerveja e rindo bastante, as mulheres ajudando Tereza com as coisas e conversando também, as crianças corriam brincando pelo local, e adolescentes bem afastados como de costume.
Roberto segurou o ombro do amigo que nem sentiu a pesada mão dele.
- Tenório? – perguntou Roberto chamando-o. O homem de fato estava inconsciente. – Tenório?! – chamou pela segunda vez apertando mais forte seu ombro. O homem olhou para ele, mas parecia não ser ele, olhou de uma forma diferente, como se tivesse raiva, agindo de uma maneira estranha. Roberto se assustou, todos pararam de falar e só prestaram atenção.
- Tenório? – perguntou mais uma vez, assustado. Tenório piscou os olhos e olhou para Roberto sorrindo.
- Me desculpe, Roberto... – disse ele esfregando os olhos – você estava falando comigo? – Roberto sorriu, deu três tapas leves na costa do amigo e falou:
- Não, vai beber meu amigo? – Tenório sorriu, pegando a cerveja. Todos estavam quietos, assistindo o que Tenório dizia.
- Claro! E que continue a festa! – nesse momento a alegria voltou, seus amigos gritaram e Roberto sorriu, mas quando ele olhou para o rosto da esposa dele, ela estava séria, pois sabia ela que algo estava acontecendo de errado com seu esposo.
 
A festa continuou o resto da noite. Nada aconteceu, apenas todos sorriram e brincaram como todas as festas feitas por Roberto.
Ao amanhecer a vila era a coisa mais bonita que pode se ver. O sol brilha entre as folhas do outono mostrando uma tonalidade laranja por onde quer que passe. Todos da vila acordavam cedo, às vezes ainda era escuro. Roberto não era diferente, ele se levantava as quatro da manhã para ir ao seu trabalho. André costumava ir com ele, mas por algum motivo, Roberto não queria seu filho por perto. Roberto trabalhava como escavador nas minas do castelo da família Salazar, era um pouco distante por isso ele teria que acordar bastante cedo. Tereza já havia colocado o café da manhã na mesa e André, que nem de pé ainda estava. Roberto terminou de tomar café e foi logo pegando uma grande mochila que ele levava para o trabalho, com comida, café, e instrumentos de escavação. Antes dele sair, sempre dava um abraço e um beijo em Tereza e saia no frio do outono de sua casa. No caminho, ele passava por pontes de madeira e casas dos seus colegas de trabalho, quase todos da vila trabalhavam como escavadores. Ao chegar à vila, muitos de seus colegas já esperavam prontos e de pé, sorridentes, cumprimentando Roberto. Algumas mulheres pegavam ovos de galinhas, outras ordenhavam leite das vacas, homens também trabalhavam as ajudando, colocando comida para os animais etc.
Depois da grande caminhada, eles tinham que entrar nos escombros do castelo, para chegar até as escavações, onde escavavam animais pregados em pedras ordenados pelo Sr. Salazar. O trabalho era duro e forçado, quase o dia todo sem ver a luz do sol, mas o pagamento era digno. Roberto não gostava de trabalhar naquele lugar, ele tinha um mau pressentimento de que aquilo não era certo. Para ele, se os animais estavam cravados na pedra escondidos debaixo de vários metros de areia, era para ele permanecer ali. E depois das escavações, não só Tenório agia de maneira diferente, mas outros rapazes também agiam. Tinha algo ruim nesse lugar e esse era o maior motivo pelo qual, Roberto não queria André por lá.  Na hora do descanso, onde todos iam comer, alguns continuavam a cavar, um deles era Tenório, mas Roberto não dava importância para isso, só que ele ficou interessado em outra coisa, nos assuntos que os rapazes falavam.
- Dizem que Sr. Salazar está querendo reabrir a igreja. – falou o rapaz. Mas outro interveio.
- Reabrir? Dizem que já esta aberta e viram várias pessoas no castelo que eram seguidores dos Los Illuminados. – outro falou:
- Dizem que eles são pessoas de bom coração e o que querem é a paz no mundo.  – Os comentários pela seita Los Illuminados continuaram, Roberto não era nem um pouco a favor dela, mas era a maior influência no local. A família Salazar há muito tempo abominaram a seita e parece que reataram novamente. “Isso era bom?” se perguntou Roberto. Qual foi o motivo pela qual eles decidiram abandonar a seita e o motivo para reatar? Tudo estava indo muito estranho, tão estranho quanto Tenório, que não parava de machucar a pedra. Não só Roberto estava reparando no comportamento estranho dele, mas todo mundo estava começando a ficar com medo. Francisco, o melhor amigo de Roberto que lhe ajudava bastante nas escavações, decidiu deixar o trabalho depois de ver Guilherme agir de mesma maneira estranha que Tenório.
Roberto não tinha mais certeza se ele queria continuar naquele trabalho. Na pedra estava cravada a terrível criatura, parecia uma formiga gigante, só que pior, com uma feição terrível. Finalmente o trabalho terminou naquele dia, Roberto voltou para casa cansado, com os ombros doendo e com pensamentos do que ele iria fazer, se continuaria no trabalho, ou deixaria de lado. Mas se deixasse de lado, poderia não ter mais dinheiro para sustentar a sua família.
A melhor hora do dia era quando Roberto chegava em casa, sua mulher sempre fazia um belo jantar. Jantavam todos juntos na mesa e sempre que podiam chamavam até vizinhos para comer com eles. Aquele dia era especial, só sua mulher e seu filho. Roberto fazia o mesmo ritual quando chegava, beijava a esposa, abraçava seu filho e terminava a noite com um belo jantar.
 
2 meses depois...
 
Dois meses se passaram. Roberto continuou trabalhando nas escavações no fundo do castelo Salazar. Mas ele não era mais o mesmo. Isso percebia André, seu filho. Seu pai sempre foi muito carinhoso e atento com a família. Depois de algumas semanas continuando na escavação, Roberto passava a madrugada trabalhando lá, não aparecia mais em casa.
Fazia cinco dias que André não via o pai. Ele ajudava a mãe a pôr a mesa para o jantar. Tereza, sempre colocava o prato para seu marido, mas já fazia um bom tempo que continuava vazio. Ao lado de fora estava chovendo, e nesse dia ela não esperava seu marido chegar. Trovões e relâmpagos soavam muito alto e a chuva era forte. Até que Tereza escutou um barulho. Eram passos entre os trovões. Passos pesados que entravam no terraço casa. Assustada, ela olhou para André, ele terminava de por o prato sobre a mesa quando a porta abriu brutalmente. Ele virou assustado e pegou a faca que estava em cima da mesa à mãe também ficou nervosa, sem saber o que fazer. André andou devagar pela casa, com a faca na mão. Ele tremia todo o corpo, se sentia nervoso, sua respiração lenta, virando para próximo a porta ele viu uma sombra parada. As luzes do trovão mostravam que era um homem, devagar o homem entrou, com passos lentos e pesados.
- Parado! – gritou André – quem pensa que tu és para entrar assim? – O homem se aproximou de André e ele pôde ver a terrível face dele. Era seu pai. Olheiras fortes e fundas.
- Pai? – perguntou André assustado por ver o pai daquele jeito. Tereza correu pela cozinha até o lado de seu filho assustada, até que olhou o marido.
- Roberto? – perguntou assustada – é você? – O homem caminhou como se não estivesse em consciência, seus passos devagar caminharam abrindo caminho entre Tereza e André. Ele foi até a mesa da cozinha e começou a comer tudo com a mão. Tereza estava aterrorizada, sem contar que André também. Roberto comia como um animal, não era ele, como se estivesse possuído. Tereza correu para seu marido assustada o pegando pelo ombro.
- Roberto o que você está fazendo? - ele não a enxergou, ela continuou apertando o ombro do marido e o chamando, até que ele fez algo. Brutalmente empurrou Tereza contra a parede, como um animal, um bicho.
- Pai o que você está fazendo?! – gritou André assustado. Os olhos de Roberto estavam irritados e vermelhos, de fato não era ele. Roberto começou a tossir bastante, sangue saia de dentro dele enquanto tossia. Ele esfregou os olhos com as costas das mãos e voltou a olhar para Tereza, dessa vez diferente.
- Tereza? – perguntou ele. André ainda estava de faca na mão – o que está fazendo ai? – perguntou ele.
- O que? – perguntou Tereza confusa. Ele estendeu a mão para Tereza para levantá-la e logo viu sua mão, suja de sangue. Ele olhou confuso para Tereza e viu André com a faca nas mãos.
- O que está acontecendo comigo? – perguntou ele com vergonha. Ele saiu correndo pela casa, subindo as escadas correndo para o quarto. André ajudou a levantar sua mãe do chão que bateu forte com a cabeça na parede. A comida que Roberto estava comendo com as mãos, ficou toda espalhada para todos os lugares.
- Vamos, temos que limpar isso... – disse ela com lágrimas nos olhos.
- Sim... sim! – disse André ajudando a mãe. Por mais estranho que fosse seu pai não estava em estado normal, como se estivesse possuído, alienado. André sentia que teria que proteger sua mãe, e ele também. Ele olhou a faca e a colocou no bolso.
 
Alguns dias se passaram e foi um tormento. Roberto estava inconsciente, não falava com Tereza, nem com André. Muitas vezes ele ficava sentado na cadeira, coçando o peito e gemendo. Ele comia pouco e quando ia comer se alimentava mais como um animal. Tereza chorava todos os dias e André não podia fazer nada.
Um dia, de inverno, André pegou uma carroça e foi até a vila. Nevava bastante o chão era todo branco e ele teria que tomar cuidado. Há algumas semanas ele não ia para a vila por conta da neve, nevava muito, era uma das épocas mais frias do ano, mas finalmente tinha parado um pouco. Ele atravessou a ponte com cuidado, desceu os morros escorregadios e molhados, até finalmente chegar à vila. Tudo lá parecia ocorrer normal. Sr. Pedro ordenhava a vaca, enquanto Sra. Francisca cuidava das galinhas.
Apesar de tudo parecer normal, tinha algo diferente. André se aproximou com sua carroça, e olhou para Seu Pedro que tinha uma cara infeliz, Dona Francisca também não estava nada alegre. Algumas outras pessoas que estavam lá não pareciam estar felizes também. Parando a carroça no meio da vila, André desceu e foi falar com Seu Pedro.
- Seu Pedro? – perguntou André.
- Sim André? – disse ele – há alguns dias que não lhe vejo.
- Ah, é por conta do nevoeiro... me diga Seu Pedro, o que se passa?
- Estamos vivendo em épocas difíceis André... tudo está fora do comum, as vezes nem reconheço mais as pessoas dessa vila. – André ficou calado e ele continuou.
- Me diga... como está seu pai? – perguntou Seu Pedro.
- Ele parece estar... doente. – disse André.
- Tal como Filipe, tal como Juan, tal como Franciesco! Todos ficando doentes... – disse Seu Pedro infeliz. André tentou não falar mais, ele saiu de perto de Seu Pedro e foi fazer seu trabalho. O que estava acontecendo com todos ali era um mistério, o que estava acontecendo com seu pai? A vila não tinha mais festas, pessoas não brincavam mais na neve. André estava com medo, algo de mal estava realmente acontecendo e eles não tinham ninguém para ajudar, ninguém, até que um dia...
 
O inverno estava chegando ao fim, André continuou indo para vila e viu muitas coisas estranhas acontecerem. Dona Francisca foi enforcada pelo seu filho, que costumava ser seu amigo. Paolo, outro rapaz que morava em uma casa mais em baixo da vila, saiu quebrando toda a casa em um ato violento. O pior de tudo foi ver Roberto, gritando quase todas as noites, se jogando do primeiro andar, batendo com a cabeça na parede. Cada vez mais as pessoas ficavam violentas. Roberto não foi mais para o trabalho e André tinha que se virar para trazer dinheiro para a família. Tereza ficava aterrorizada com toda aquela noticia e nem vivia mais em seu estado normal.
Ela estava sentada na frente da janela, dentro do carro, o fraco sol batia enquanto assistia o vento soprar. André estava do lado de fora cortando madeira para fazer lenha. Roberto deitado, quieto, dormindo na cama atrás de Tereza. Repentinamente, ele acordou. Com seus olhos vermelhos.
- Tenho que ir... – dizia ele levantando o tronco lentamente, sem expressão em seu rosto. – Tenho que ir... – dizia novamente repetidas vezes.
- Roberto? – perguntou Tereza assustada já chorando. Levantando da cama, ele saiu do quarto e foi descendo as escadas, como um sonâmbulo.
Enquanto André cortava a madeira, viu seu pai sair de casa. Ele parou e olhou confuso para o pai, que andava pelo lugar indo em direção a vila.
- Pai? – perguntou André. Ele não respondia. Tereza saiu de casa nervosa, olhando para o filho. Roberto repetiu:
- Tenho que ir... – Aquilo deixou André mais confuso e sua mãe segurou o braço do filho, praticamente gritando por ajuda.
- O que está acontecendo com ele? – Roberto continuava a andar e falar que tinha que ir a algum lugar, aquilo era estranho, mas impedi-lo seria praticamente inútil.
- Eu vou atrás dele! – disse André, mas a sua mãe gritou.
- Não! Vai para onde? E se você voltar que nem ele?
- Vamos juntos! – André segurou o pulso da mãe e os dois saíram seguindo Roberto. Ele não tava fazendo um caminho estranho, ele estava indo para a vila. Os passos de Roberto eram lentos, ele parecia estar sendo atraído por algo. Quando os três chegaram à vila, se assustaram com uma multidão. De fato todos estavam lá, cheio, como se estivesse acontecendo algum evento. E não só Roberto andava daquele jeito, outras pessoas outros moradores da vila também estava, andando de uma forma como se tivesse alienado, caminhavam ate um homem, que levava para a igreja.
- Senhoras e Senhores! – disse o homem em voz alta com firmeza. Tereza e André se juntaram a multidão de pessoas que estavam na vila e Roberto também.
- Algumas pessoas estão doentes... – disse o homem – agindo de maneira bruta. Sabe porque isso acontece? – todos quietos escutando o homem falar. – Espíritos ruins estão em volta dessa vida... porque vocês são pecadores! O pecado está se tornando visível, e sólido. Por muitos, esqueceram a nossa querida religião, e se deixaram levar pelo pecado... Meus caros, vocês estão assim, vendo família se destruir, pessoas que vocês tanto amam tentar cometer o ato da morte! – Tereza olhou para Roberto, que assistia o que o homem falava. André saiu de perto.
- André para onde vai? – perguntou Tereza, assustada e tremula.
- Fique aqui! – disse André saindo pelo meio do povo que assistia o homem falar.
- Me pergunto... Quem aqui não pecou? – todos permaneciam calados – todos aqui pecaram, todos agem como se vivessem eu seu próprio mundo, todos aqui não tem a quem recorrer. Os Los Illuminados sempre foram à fonte de riqueza desse vilarejo, de equilíbrio. Nós mantínhamos as pessoas em uma linhagem correta, sem pecar e sem passar pelo que vocês estão passando. – André chegou mais de perto o que o homem falava e olhava a reação das pessoas também, um olhando para outro, temendo algo pior.
- Infelizmente nossa bela religião foi esquecida, pelos nobres e por vocês... E agora vocês vêem o que está acontecendo? Todos estão morrendo aos poucos, morrendo para si e matando sua família. – O homem de capa preta e grande barba andou de um lado para o outro com as mãos para trás.
- Mas nós... temos a solução! – disse ele sorrindo – Graças aos nossos nobres castelãos, nossa religião está de volta para essa vila. Vocês não podem esperar que a cura caia do céu, que brote do chão... Mas podem ter certeza... Nós teremos!
 
A porta de passagem para a igreja se abriu e o misterioso homem que dizia ser dos Los Illuminados entrou junto com mais dois rapazes encapuzados de vermelho e preto. O que ele falara, teve resultado imediato, rapidamente todas as pessoas que estavam no pátio da vila entraram para a passagem da igreja, até mesmo Tereza, seguida de Roberto. André tentou impedir a mãe, mas já era tarde.
O jovem rapaz sentia-se tremulo e nervoso, sem saber o que fazer. Sua respiração era rápida, ele tinha que tomar alguma atitude. Será mesmo que os Los Illuminados tinha a cura para aquilo? Rejeitando a passagem da igreja e pulando a cerca entrando na floresta, André correu até a igreja. O úmido chão molhava seus joelhos quando ele caia, a forte respiração e o desespero corriam em suas veias. Saindo de dentro das árvores, ele chegou até o cemitério da igreja. Todos o seguiam como fosse uma procissão e olhando para cima, André viu a Igreja aberta, depois de tanto tempo.  As pessoas entravam nela lentamente, tumultuando todos lá dentro.
André tinha medo de se juntar, sua mãe estava lá dentro, todos estavam lá junto com os outros, a vila ficou deserta, sem um pé de pessoa, apenas animais. André, se escondendo de trás de alguns túmulos, olhava o que acontecia na igreja. Pessoas eram colocadas em uma cadeira, duas outras as seguravam de um lado e do outro, enquanto uma vinha alguém encapuzado com algo na mão, uma seringa, só que bem grande e injetava no pescoço da pessoa que estava sentada na cadeira. André ficou confuso, depois de ser injetada, a pessoa levantava e saia normal, como se nada tivesse acontecido. Muitos ainda estavam com medo e tinham receio de ir, a feição de fato era de horror, o homem de capa preta olhava acontecer e sorria com o canto da boca.
Aquilo não era certo, André sentia. As pessoas estavam sendo enganadas ou alguma coisa. Ele teria que chama a sua mãe, mas era tarde demais. Ela sentou na cadeira amedrontada pelos dois rapazes do lado dela. O homem vinha com a seringa e injetou nela pelo pescoço até que ela sentiu a dor da pontada. André segurou forte o tumulo com ódio do que estava vendo. Roberto, de seu lado, não fazia nada, apenas olhava. Aquilo foi com todos que estavam da vila e André não suportou ver mais aquilo, ele saiu correndo de volta para vila sem que ninguém o visse. Ele estava tremendo, seu coração a mil. O que diabos estava acontecendo ali? o que diabos aqueles homens queriam com a família dele e com todos da vila? Los Illuminados tiveram um bom motivo para fechar a igreja. Porque de repente eles voltaram?
André fez todo o caminho de volta. A vila deserta sem ninguém, casas vazias, caminhos vazios. Ele era a única pessoa que andava pelo local. Até que finalmente chegou em casa, indo para seu quarto como se fosse o único lugar que estivesse seguro e permaneceu lá... assustado, quieto, apenas com sua forte respiração.
 
Não demorou muito para que todos voltassem para casa. A promessa de curar as pessoas do pecado para André era uma farsa.  Mas sua mãe pareceu voltar melhor, diferente de Roberto, que ainda mantinha seu olhar fundo e assustador. No dia seguinte, tudo ocorreu normal. Tereza pós o café da manhã, André comeu e ela também, Roberto era forçado a comer por ela, que continuava deitado doente. Depois da refeição, ele foi até a vila continuar o trabalho, pegou lenha, leite, ovos, carne. Trabalhou normal na fazenda de seu Franciesco, alimentou as vacas, as ordenhou, deu comida para as galinhas e tudo mais. Seu Franciesco continuava alienado igual a Roberto, ele também estava deitado na cama sendo tratado pela sua mulher. André voltou para casa no final do dia e o jantar já estava pronto feito pela sua mãe. Roberto não saiu da cama, passou quase o dia todo gemendo. Tudo estava tranqüilo, até André perceber sua mãe muito calada, mas ele relevou.
André acordou mais um dia, seu pai não levantava da cama. Ainda sonolento, ele saiu de seu quarto e quando foi até a sala de jantar tomou um susto. Sua mãe não havia preparado o café da manhã. Isso era raro de acontecer, praticamente impossível, sempre Tereza fazia o café da manhã primeiro. Ele foi até o quarto dos pais, Tereza ainda permanecia deitada na cama ao lado de Roberto que também dormia.
- Mãe? – chamou André empurrando de leve o ombro da mãe.
- Mãe?! – chamou mais uma vez.
- O que tu queres?! – perguntou a mãe.
- Mãe?... – André nunca ouviu a mãe falar daquela maneira, parecia que ela ainda estava no sonho, quando ela viu o filho.
- Meu filho... – disse ela levantando desacreditada do que fez – me desculpe... – disse ela. Assim que olhou para janela e viu a luz do dia, ela levantou apressada da cama.
- Meu Deus... Deveria já ter levantado e preparado o café...
- Não, mãe... descanse, você está cansada... deixe que eu como na fazenda de seu Franciesco! – Ele colocou Tereza de volta para dormir e foi seguir o seu trabalho. De fato sua mãe estava estranha, tão igual ao pai. André estava vivendo em um pesadelo, vendo seus pais mudarem de comportamento, como se fossem outras pessoas. Ele não sentia o abraço do pai a dias e parece que não vai sentir o carinho da mãe também.
Antes de chegar à fazenda de seu Franciesco, os rostos das pessoas da vila não era mais de tristeza e sim e raiva. Eles olhavam com caras emburradas para André que passava com a carroça. Ele estava se sentido um peixe fora d’água. Quando chegou a fazenda de seu Franciesco, a coisa foi pior. A mulher dele expulsou André de lá, disse que não queria mais ele trabalhando com eles, ela o expulsou aos berros, deixando André tremendo. A mulher dele tinha olhos vermelhos, como se estivesse prendendo o sangue no rosto.
Para André agora era o fim. Ele sabia muito bem o que estava acontecendo. Eram aqueles malditos Illuminados, foram eles que fizeram isso com todos da vila. Transformou todos de boa família com pessoas mal encaradas e ignorantes. Diferente de Roberto, que durou um pouco mais para se tornar estranho daquele jeito, Tereza foi mais rápido. No dia seguinte, ela continuou a não fazer o jantar, nem café da manhã nem almoço. Ela matou uma galinha com a faca e bebeu do sangue dela. Tudo aquilo André assistiu. Apenas tinha momentos em que ela se tornava Tereza, mas a maioria do tempo, ela virou um animal. Roberto não fazia nada, apenas andava de um lado para o outro da casa e Tereza parecia possuída. André não suportava mais aquilo, sua mãe agindo como louca, seu pai como um morto-vivo. Quando ele ia para a vila, todas as pessoas agiam estranhas, mal humoradas, olhando para André com repugnância, coisa que nunca aconteceu. Foi lá, no meio da vila que André viu a pior coisa da vida dele, uma coisa que ele nunca imaginaria ver. Era noite e ele já estava voltando para casa, quando Seu Franciesco veio pelo meio da vila se contorcendo de dor, ele gemia e gritava. Gritos de agonia e pânico, ele coçava o peito, como Roberto fazia e no rosto de André pavor. O coração dele foi a mil, sua boca mantinha-se seca e sua mão tremula. Ninguém ajudou Seu Franciesco. André sentiu que tinha que fazer algo e ele foi em direção para o velho homem que ajoelhou no chão de dor e grito.
Mas na metade do caminho em que André ia ajudar o pobre velho, a cabeça dele estourou, jorrando sangue em toda sua volta. Todos do vilarejo olhavam aquilo aterrorizados e outros nem ligavam. A cabeça do homem estava pendurada de lado e de dentro do pescoço dele, saiu uma coisa. Por incrível que pareça aquilo tinha garras e era grande, os olhos pulados para fora e gemia, um berro sem ser voz humana.
André não pensou duas vezes, de dentro da carroça ele tirou o machado e correu para cima de Seu Franciesco, ou o que restou dele. Dando um chute no velho, fazendo ele cair no chão, André tomou cuidado para que as garras dos tentáculos que saia de dentro dele não o batessem. Com toda força, ele bateu com o machado na terrível coisa, espirrando sangue de Seu Franciesco e sangue alaranjado da terrível criatura. Por André ter feito isso, muitos da vila se sentiram indignados e começaram a gritar:
- PEGUEM-NO! – vários moradores da vila vieram para cima de André que a única arma que tinha era o machado.
- O que pensas que estás fazendo?
- Ele quer nos destruir!
- Renegado, Renegado! – As pessoas da vila não paravam de falar. André não queria machucar aquelas pessoas, eram vizinhos dele, convidados das festas de seu pai.
- Levem ele para igreja! – André não podia deixar... ele correu fugindo de todos que estavam ali. Mas as pessoas foram o seguindo. Seu coração batia forte e ele não tinha outro lugar para ir a não ser em sua casa. O céu soltou um trovão e relâmpago. Aquilo iluminava os vermelhos olhos de todos que corriam atrás dele.
 Atravessou a ponte em meio à chuva que caia junto com o forte vento, era perigoso, mas André tinha que fazer aquilo correndo. Ele largou o machado no chão e entrou em casa fechando a porta rapidamente. Sua respiração era forte, ele estava cansado e molhado, sujo de sangue, ele tinha visto aquilo, Seu Franciesco com a cabeça pendurada e um ser estranho saindo de dentro de seu corpo. Os moradores estavam se aproximando da casa, André correu para janela e viu eles chegarem próximo, mas não percebeu o que estava atrás dele. Seu pai o agarrou pelo pescoço, jogando o rapaz no chão com uma força fora do comum.
- Pai?! – perguntou André. O homem o agarrou novamente pelo pescoço, os olhos vermelhos em sua direção.
- Levar para Igreja! – disse seu pai, ou o que tinha dentro dele. Rapidamente sua mãe veio, batendo com um jarro na cabeça de André, o desmaiando.
 
Ao acordar, André estava na igreja, sentado na mesma cadeira em que sua mãe foi injetada com algo, pelos Illuminados. Ao seu lado, rapazes com capas pretas e em frente a ele, um homem de capa roxa sorrindo.
- Não se preocupe meu caro... – disse o homem – já injetamos a cura para seus pecados! – André sentiu o furo em seu pescoço.
- Maldito! – disse ele, para o homem que sorria de forma doentia...
 
Duas semanas se passaram. André ainda morava na mesma casa, tinha a mesma vida. Mas ele não era o mesmo. Ele saiu de casa andando como se estivesse sonâmbulo e seus olhos, vermelhos.