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TOPIC: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I

Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 01 Nov 2010 14:17 #961

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PRÓLOGO


Eu não acreditava o que aquele homem – sujo e mau vestido – fizera comigo. Doía e ardia muito. Eu andava pelo shopping ás pressas – tampando o meu braço direito com o braço esquerdo - procurando o banheiro mais próximo. Eu não estava me sentindo bem. Alguma coisa estava acontecendo comigo. Meu corpo coçava, minha barriga doía e eu estava com uma tremenda dor de cabeça. Por que ele fez aquilo comigo?

O banheiro estava logo à direita. O corredor que levava até ele estava movimentado e barulhento. Eu fiquei de cabeça baixa, escondendo o meu – possível – rosto pálido. Entrei no banheiro um pouco zonzo. Eu sabia que alguma coisa iria acontecer comigo. Mas eu não sabia o que era.
CAPÍTULO 1 – CABINE

Solitário, eu estava sentado no vaso sanitário lendo o meu jornal. Eu já estava ali por um bom tempo. Mas estava tão bom ficar sentado, relaxando depois de um grande dia de trabalho, que preferi ficar por ali mesmo. Eu estava lendo as principais manchetes. Assassinatos na floresta e um ataque que uma garota sofreu no parque de Raccoon. Somente arranhões.

Eu ouvi uma porta ser aberta violentamente do banheiro e passos apressados passaram pela cabine de onde eu estava. Instantes depois uma porta foi fechada as pressas logo ao meu lado. Provavelmente ele deve estar passando muito mau.

Voltei ao meu jornal. Mas em instantes depois, eu comecei a ouvir gemidos. Aquilo me incomodava de alguma forma. A porta ao meu lado foi aberta, e eu pude – pelo vão entre a porta e o chão - ver uma pessoa andando lentamente no banheiro. Ele gemia alto. Mas pelo que parecia ser não havia ninguém além de mim e ele.

Eu estava indeciso de sair e ajudá-lo ou ficar quieto lendo o meu jornal e ouvindo os seus gemidos horripilantes. Mas eu desisti das duas idéias. Uma porta distante foi aberta e passos foram ouvidos. Um homem falava ao celular.

-Eu não quero isso meu amor. Eu quero uma noite, como se fosse a nossa futura lua-de-mel. – sua voz era grave e simpática. – Acho que o melhor motel seria o Exotic. Minha mulher não o conhece. Você sabe como é, não é meu...

Ele parou de falar por um momento. Fiquei na dúvida se ele foi interrompido por sua “mulher”.

-Espere Selena. – sua voz ficou séria. – O senhor está bem? – meu coração deu um pulo. Porque eu estava com medo? – O senhor precisa de ajuda-a? – ele gaguejou. – Oh, meu Deus. Selena chame ajuda! Por fa... – ele gritava.

Eu fiquei mais assustado a partir daí. O homem que estava em frente a minha porta começou a andar lentamente enquanto o outro homem que estava no celular gritava. Instantes depois um baque foi ouvido e algo se despedaçando começou a invadir a sala. Eu queria saber o que estava acontecendo.

Silenciosamente, fechei a tampa do vaso sanitário e pus o jornal no bolso do meu terno. Subi cuidadosamente no vaso e dei uma espiada na cabine direita. Não havia nada. Na cabine esquerda, eu me apavorei. Sangue escorria pelo vão da porta entre o chão. Era dali que vinha os sons? De algo se rasgando?

Eu tinha que agir, eu tinha que fazer alguma coisa. Mas o medo que apoderara do meu corpo não permitia. Decidi dar uma espiada. Agachei-me silenciosamente no chão para ver o que estava acontecendo. Coloquei a minha cabeça pra fora. Olhei para os lados para encontrar alguma coisa. No lado esquerdo havia algo. Foi aí, que finalmente, a ficha caiu.

O homem comia o outro loucamente. Uma poça de sangue estava em volta de seu corpo e ao lado o seu celular. O homem que o comia começou a levantar lentamente. Rapidamente fiquei de pé. Assustado, comecei a decidir o que fazer. Eu não podia errar. Eu não podia ficar ali.

Eu estava sem celular. Eu tinha que planejar a minha rota de fuga. Eu tinha que arrumar um jeito de sair dali o mais rápido possível.

BAM!

Alguém bateu na minha porta violentamente. Eu me apavorei. Tomei uma idéia repentina. Subi em cima do vaso sanitário e pulei para a cabine a minha esquerda. Abri a porta rapidamente e olhei para a direita.

Sua aparência era nojenta. Seus olhos eram mortos de fome, e sua boca e roupa estavam ensopadas de sangue. O que era aquilo? De repente, ele ergueu os seus braços rapidamente e começou a andar em minha direção lentamente como se fosse um sonâmbulo.

A minha esquerda estava o homem que falara no celular, cujo seu corpo estava inteiramente aberto e rasgado. O cheiro estava insuportável e ao lembrar-se disso, uma onda de enjôo passou por mim, mas eu tive que detê-la. Contornei o seu corpo e, cuidadosamente peguei o seu celular e pus em meu bolso. Dei uma olhada rápida ao ser que me seguia e saí do banheiro. Eu queria, sobretudo, respostas para tudo aquilo.

Espero que comentem e que deixe opiniões construtivas. Alguns capítulos já estão prontos, mas podem sofres modificações graças a vocês. Por isso, comentem ! ;)
Last Edit: 21 Nov 2010 17:17 by Jão Macedo (Squaare). Reason: Formatação de Texto
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Re: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 05 Nov 2010 20:20 #1025


  • Matt
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Karma: 20 Postagens: 401 Agradecimentos: 54 Pontuação: 470 XP ID Online Enviar uma Mensagem:
Gostei bastante Squaare, você escreve muito bem. A fic. está simples e bem interessante. Pode postar mais quando puder =]
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Re: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 17 Nov 2010 18:04 #1150

 Karma: -1 Postagens: 3 Pontuação: 2 XP ID Online Enviar uma Mensagem:
Muiito boa essa história,eu concordo com o Matt sobre como está a história.
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Re: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 21 Nov 2010 17:06 #1173

 Karma: 0 Postagens: 28 Pontuação: 6 XP ID Online Enviar uma Mensagem:
CAPÍTULO 2 – DESTRUIÇÃO


Sem dúvida alguma, aquilo era muito esquisito. Eu estava suado e provavelmente pálido. O corredor que instantes atrás estava barulhento e movimentado, estava apenas com os seus belos balcões de madeira que contornavam todo o corredor azul à esquerda, e que suportava pesados telefones públicos. A minha direita estava o bebedouro. Estava com sede, mas tive que contê-la, pois ficar na porta de um banheiro, cujo homem foi assassinado por um monstro, não era – obviamente – uma boa idéia.

Comecei a andar as pressas pelo estreito corredor, e senti certo alívio ao ver pessoas normais se divertindo em um calmo shopping. Mas eu sentia – de alguma forma – que aquilo não iria durar muito tempo.

Após dar uma espiada para trás, me assustei. A criatura que devorara o homem andava lentamente – como sempre – em minha direção. Aquilo era algum tipo de perseguição? Apavorado, tomei uma decisão repentina.

Poderia ser uma idéia bastante louca, mas era preciso salvar as pessoas felizes e normais que faziam suas compras tranqüilas em um belo shopping de Raccoon. Poderiam me multar, mas eu iria fazer aquilo.

Comecei a procurar o objeto vermelho com um vidrinho que ficava colado nas paredes de um lugar qualquer. Eu precisava procurar um alarme de incêndio. Aquilo, sem dúvida alguma, afastaria todas as pessoas do shopping daquele ser horrível.

Eu procurava um alarme de incêndio as pressas, dando rápidas espiadas para trás. A cada espiada, ele estava cada vez mais perto. E em instantes depois, eu achei o alarme. Peguei o celular do homem que fora devorado no banheiro, e bati furiosamente no vidro. Um sino soou. As pessoas olharam pros lados, e segunda depois, a água que via de algum lugar do teto, começou a molhar todo o shopping.

Dei um sorriso e olhei pra trás. Ele ainda estava vindo. Comecei a correr para a saída do shopping, como se eu achasse que um verdadeiro incêndio estava tomando parte dele. Corri para a escada rolante mais próxima quando um enorme barulho – além das gritarias – tomou conta do shopping. Parei de correr e olhei pros lados. Não havia nada. Mas quando decidi – por um breve momento – olhar pra cima, me apavorei. Uma coisa rodopiava do alto, e que depois de perceber o que era aquilo, eu me assustei – mais ainda -, quando o enorme teto de vidro do shopping foi quebrado por um helicóptero.

Diagonalmente, ele rodopiava em minha direção destruindo tudo em sua volta. Eu era algum tipo de imã? Suas pás estavam tortas e sua pintura preta estava totalmente arranhada. De longe eu pude ver, dezenas de pessoas sendo engolidas pela destruição. Aquilo fora a minha culpa? Eu não sabia dizer. A única coisa que eu sabia é que eu tinha que sair dali, caso eu ainda quisesse viver.

Comecei a correr novamente em direção a escada rolante que estava a metros de mim. As pessoas desesperadas gritavam loucamente por seus filhos e parentes. Era um terror presenciar tudo aquilo em um mesmo dia. O que eu fiz para merecer tudo aquilo?

Eu queria dar espiadas para trás, para ver o que estava acontecendo. O barulho era ensurdecedor. Um vento batia contra a minha roupa, tentando me derrubar. Mas eu – vitoriosamente – agüentei tudo aquilo. Meus cabelos voavam loucamente para trás, mostrando a minha testa. Minha boca estava seca e minha gravata estava roçando o meu pescoço.

Desci as pressas os degraus da escada rolante que estava se movendo. Tomando bastante cuidado para não cair. Uma queda naquele momento poderia ser fatal. Instantes depois cheguei em terra firme.

Olhei para trás e o enorme helicóptero caia sobre a escada rolante a quebrando totalmente. Ele descia do terceiro andar do shopping para o patamar rapidamente. Mas com uma gota de água que descia sobre os meus olhos, aquilo se tornou uma coisa lenta. Era totalmente assustador. Por que tudo aquilo? Mortes, destruição e canibalismo.

Ao pousar violentamente contra o chão, um enorme barulho ecoou em todo o shopping, podendo-se ouvir apenas o sino do alarme de incêndio. Sem dúvida alguma, o terceiro andar e o patamar do shopping estavam inteiramente destruídos.


Deixei este capítulo com os parágrafos separados. Todos eles juntos, implica a leitura. Os códigos deste fórum não ajudam os parágrafos. :huh: Acho que assim ficou melhor.

Obrigado pelos comentários Matt e Artur. Comentários ajudam para a postagem de mais um capítulo, acreditem.

Qualquer erro de digitação, qualquer sugestão para a história, qualquer coisa que seja construtiva, são bem vindas aqui. ;)
Last Edit: 28 Nov 2010 12:13 by Jão Macedo (Squaare). Reason: Formatação de Texto
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Re: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 27 Nov 2010 18:07 #1213

 Karma: 8 Postagens: 243 Agradecimentos: 2 Pontuação: 89 XP ID Online Enviar uma Mensagem:
li o primeiro capitulo e adorei, irei ler o segundo!

parabens pela historia!
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Re: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 19 Dez 2010 23:17 #1406

 Karma: 0 Postagens: 67 Pontuação: 43 XP ID Online Enviar uma Mensagem:
Eu sugiro,como no RE degeneração,o shopping seja interditado pelo exército e,ele tenha que se virá para sobreviver,o governo fala que é terrorismoEssa é a minha sugestao!Cabe você aceitá-la ou não. :silly:
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Re: Fanfic: Fatal Desperation - Parte I 20 Dez 2010 18:47 #1412

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Obrigado pelos comentários.

~ Brian, como o shopping se encontra em Raccoon City, ele não pode ser fechado pelo exército, sendo que a cidade inteira só é fechada no final de setembro. Ou seja, o exército só deu atenção a cidade, quando tudo ficou em uma situação crítica. Os cidadãos ainda não sabem o que está acontecendo ainda. Então, isso é caso de polícia local. E como eu disse, alguns capítulos estão prontos, e atualmente, alterei algumas coisas, como todo o terceiro capítulo logo abaixo. Sobre o shopping sofrer ataques biológicos, como o shopping de Degeneration, farei uma história paralela a Fatal Desperation, dentro deste mesmo shopping, contando a fuga de alguns sobreviventes. Tanto é, que se você ler o final do capítulo 2 e o início do capítulo 3, notará que eu não dei detalhes sobre a fuga do personagem principal. Isso eu deixarei para a história paralela. Mas isso será brevemente. E outra, as pessoas terão que gostar desta primeira parte da história. Obrigado pela atenção.
~ Apresento a vocês, o terceiro capítulo. Espero que gostem. ~

CAPÍTULO 3 – SITUAÇÃO CRÍTICA

Foi extremamente difícil fugir dos repórteres daquele dia. Meu rosto provavelmente já devia ter aparecido nos jornais, e toda a população de Raccoon já me conhecia. Era possível, mesmo sem saber, pois eu já não assistia televisão há semanas.

O acontecimento no shopping não saía da minha cabeça. Eu já havia sonhado uma vez com ele. O zumbi no banheiro, a poça de sangue, o helicóptero engolindo pessoas... Era terrível. Com sorte, eu havia conseguido escapar daquele lugar. E eu não era o único sobrevivente. Agradeci, por eu não ser o único a responder perguntas aos policias. Eu não os conheci e muito menos gravei suas faces em minha memória. Apenas olhei todos eles de longe, sem dar a mínima atenção e confiança.

Eu estava em Raccoon – uma cidadezinha tosca rodeada por montanhas – por trabalho. Eu estava administrando uma rede de lojas que seria instalada na cidade. O trabalho iria durar duas semanas. E ainda faltava uma. Peguei meu celular e dei uma olhada no calendário. 28 de setembro, uma segunda ensolarada. Na outra segunda , dia 05 de outubro, eu sairia da cidade e iria reencontrar meus amados amigos, e logo em seguida iria a Chicago, visitar meus pais. Havia um tempo que eu não os via. Mas havia tempo de sobra para fazer uma ligação, mas preferi não fazer isso.

Ao olhar o calendário, lembrei do celular que eu havia pego no banheiro masculino do shopping, em caso de emergência. Eu nem usara ele. E muito menos eu o havia lembrado. Havia dezenas de ligações. Parte delas, era de duas mulheres: Susan e Selena. Mulher e amante? Eu ri alto em meu apartamento alugado. Fiquei na dúvida se ligava para elas para lhe avisar sobre a morte do marido/amante, ou não. Após instantes pensando sobre esta difícil decisão, decidi jogar o celular fora. As duas mulheres provavelmente já sabiam da horrível notícia.

Meu apartamento alugado era simples. Um quarto, uma mini-cozinha e um banheiro apertado. Restavam apenas uma semana de sufoco. Eu agüentaria, mesmo estando acostumado com vastas varandas e enormes quartos, em que eu vivia sozinho.

Eu era uma pessoa extremamente solitária. Poucos amigos, e muitos conhecidos. Eu era uma pessoa difícil de se comunicar. Apesar de meu emprego precisar de uma boa comunicação, eu me dava conta disso. Duas semanas fora de minha casa, e nem uma ligação. Eram esses os meus amigos que eu tinha? Emmy, Ben, Leonard, Louis e Anne? Nem sequer uma mensagem. A falsidade era o meu ódio.

Decidi sair daquele sufocado apartamento e dar uma volta para aquela medíocre cidade. Após um banho, coloquei uma blusa branca, um short jeans azul e um tênis claro esverdeado. Olhei para o espelho e examinei meu rosto. Eu era branco, com lábios vermelhos escuros, olhos castanhos, cabelos pretos, e sobrancelhas grossas. Eu me achava atraente. Afinal, eu tinha auto-estima, mesmo sendo uma pessoa extremamente solitária. Peguei minha carteira, meu celular e coloquei no bolso de meu short. Peguei minhas chaves, tranquei a porta, e deparei com um vasto corredor. Fui ao elevador, e esperei ele subir.

O elevador abriu, revelando uma mulher atraente. Com o cabelo castanho curto caindo em sua testa, ela era branca, de olhos pretos. Ela usava uma jaqueta branca e uma blusa azul por baixo, um par de botas e saia preta. Ela olhou pra mim, e me deu um bom dia. Respondi educadamente. Entrei no elevador, esperei as portas se fecharem e fui até o patamar do prédio. Coloquei minha chave em meu bolso, atravessei a recepção e cheguei às ruas de Raccoon. Pra onde eu iria? Eu não sabia a resposta desta pergunta. Enquanto pensava, eu andava pra qualquer lugar, pra qualquer direção. Eu não me importava de me perder. Eu só queria tomar um ar fresco e sair do sufocado apartamento. Estar na cidade era melhor do que estar em minha moradia alugada.

As ruas não estavam tão cheias quanto na semana passada. Eu não sabia o motivo. Olhei em meu celular quantas horas eram. Oito da manhã. Deixei essa questão de lado. Após instantes, entrei em uma lanchonete, após sentir o meu estômago roncar. Comprei um café, um salgado e por incrível que pareça, um jornal – Raccoon Times. Lembrei-me da última vez que tocara em um jornal. Ele estava no bolso de meu terno. Estava em meu apartamento. Qual era a última notícia que eu havia lido? Ah, assassinatos na floresta que cercava Raccon e um ataque que uma garota sofreu no parque.

O jornal em minhas mãos estava repleto de assassinatos brutais que estavam acontecendo na cidade. Meus olhos se arregalaram ao ler as notícias daquele jornal. Ao todo, já aconteceram onze ataques “canibais” – como dizia o próprio jornal – em toda a cidade, e três ataques animais fatais. O prefeito Harris anunciou que contratou dez novos policiais – isso seria o suficiente? – para se juntar a polícia, devido à suspensão dos S.T.A.R.S. ... – Virei a página. Havia fotos de todos os membros da equipe que foram suspensos. E entre eles, Jill Valentine, a mulher que morava no mesmo prédio que eu, em que eu havia encontrado no elevador. Coincidência. Joguei o jornal de lado, e voltei para o meu café.

Se a cidade estava sofrendo com ataques canibais, o banheiro daquele shopping também havia sofrido um. Meu estômago embrulhou ao me lembrar daquela cena. A situação estava piorando cada vez mais. A cidade estava entrando em um estado crítico. E eu quase fui um alvo destes monstros que estavam atacando a cidade. Ao me lembrar do helicóptero, abri o jornal imediatamente, procurando a notícia. Era manchete de primeira página – óbvio. Uma enorme foto mostrava o shopping inteiramente destruído por um explosão. Por sorte meu rosto não estava estampado na notícia, e sim de outros sobreviventes, que preferiram se exibir. Após instantes lendo a manchete, concluí que demoraria alguns dias até que o motivo da queda seja descoberto e divulgado. Larguei o jornal de lado novamente.

Era perigoso ficar naquela cidade, mas eu não podia sequer sair dali. A minha vida dependia de dois lados da sobrevivência: a minha própria vida, e minha auto-sustentabilidade. Como eu praticamente não tinha ninguém na vida, isso mau me importava.

Um grito, dois gritos, dezenas de gritos. Olhei para a rua pela imensa janela da lanchonete, e vi uma rua – que instantes atrás estava vazia, agora cercada de habitantes correndo desesperadamente para os lados. O que estava acontecendo? A minha pergunta foi respondida em questão de segundos.

Enquanto várias corriam, um grupo de pessoas com roupas rasgadas andava com braços erguidos, feito sonâmbulos, pela imensa avenida. Após o meu cérebro processar que tipo de pessoa era aquela, o medo possuiu o meu corpo. Minhas mãos ficaram trêmulas, e eu mal conseguia pensar.

A garçonete soltou um grito, enquanto alguém trancara a porta. Instantes depois, alguém queria arrombá-la. A situação estava realmente crítica. Levantei-me da cadeira, e me afastei da enorme janela que cercava toda a lanchonete, que em questão de segundos, zumbis com olhos brancos – mortos – se esfregavam por ela, tentando arrombá-la ao mesmo tempo. Afastei-me mais ainda esbarrando no balcão. O barman, de repente pegou uma enorme arma, e mirou para a janela.

-Não atire! – gritei – Quebrar a janela só vai piorar as coisas! – o barman hesitou um pouco e baixou a arma. Percebi o quanto a minha voz estava trêmula. Eu estava apavorado diante daquela situação.

Apesar de não poder atirar na janela para não quebrá-la, ela seria destruída, em questão de segundos. Não resolveria muita coisa, mas daria tempo de uma escapatória. Olhei para os lados, procurando uma rota de fuga.

Enquanto eu lia o meu jornal, instantes atrás, muitas coisas haviam acontecido, sem ninguém notar.

-Deus, o que está acontecendo? – a garçonete aos prantos apontou para a janela.

Olhei para a janela imediatamente, e além dos zumbis tentarem arromba-lá, mais distante, um grupo deles, devorava uma mulher. Vendo aquela cena de longe, uma onda de enjôo passou por mim. Virei para o lado, e percebi que todos estavam observando aquela cena terrível.

Enquanto eu olhava para o lado, a porta estava sendo arrombada, a janela estava prestes a ser destruída e clientes gritavam desesperadamente. A garçonete e o barman estavam distraídos naquela cena.
-Temos que sair daqui! – um dos clientes gritava olhando para o barman.
O barman era um homem gordo, bigodudo, com cabelos castanhos escuros. Usava o uniforme da lanchonete, e parecia ter por volta uns cinqüenta anos. A garçonete, era loira, com um rosto angelical – não naquele momento – e usava também o uniforme.

-Na cozinha! – gritou o barman, fazendo gestos para todos passarem.

Um dos clientes foi primeiro, em seguida a garçonete, eu, e o restante dos clientes. Por último ficou o barman. Após eu entrar na cozinha, um baque foi ouvido. A porta finalmente fora arrombada. A garçonete gritava desesperadamente enquanto ouvíamos passos apressados pelo outro lado da lanchonete. O primeiro da fila – o cliente – avistou a primeira a porta e a anunciou. O barman chegara atrás, fechando imediatamente a porta da cozinha.

O cliente abriu a porta que dava aos becos. Ao abri-la, ele deu de frente com um zumbi que acabou o arranhando. Mas por sorte, o cliente o jogou ao chão. O barman – gordo – forçou passagem com sua enorme arma. Provavelmente aquilo deveria ser uma escopeta. O cliente entrou para a cozinha novamente gemendo. O zumbi havia feito um arranhão profundo nele.

Um disparo ecoou pela cozinha. O barman havia matado o zumbi. Com um gesto, todos saíram da cozinha, parando no beco. A grande avenida, estava logo a nossa frente. Dezenas de zumbis passavam, sem notar a nossa presença. O barman, apontou para a escada de incêndio que levava ao outro prédio. Era a única escapatória naquele momento.
Last Edit: 20 Dez 2010 22:24 by Jão Macedo (Squaare).
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