Obrigado pelos comentários.
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Brian, como o shopping se encontra em Raccoon City, ele não pode ser fechado pelo exército, sendo que a cidade inteira só é fechada no final de setembro. Ou seja, o exército só deu atenção a cidade, quando tudo ficou em uma situação crítica. Os cidadãos ainda não sabem o que está acontecendo ainda. Então, isso é caso de polícia local. E como eu disse, alguns capítulos estão prontos, e atualmente, alterei algumas coisas, como todo o terceiro capítulo logo abaixo. Sobre o shopping sofrer ataques biológicos, como o shopping de Degeneration, farei uma história paralela a
Fatal Desperation, dentro deste mesmo shopping, contando a fuga de alguns sobreviventes. Tanto é, que se você ler o final do capítulo 2 e o início do capítulo 3, notará que eu não dei detalhes sobre a fuga do personagem principal. Isso eu deixarei para a história paralela. Mas isso será brevemente. E outra, as pessoas terão que gostar desta primeira parte da história. Obrigado pela atenção.
~ Apresento a vocês, o terceiro capítulo. Espero que gostem. ~
CAPÍTULO 3 – SITUAÇÃO CRÍTICA
Foi extremamente difícil fugir dos repórteres daquele dia. Meu rosto provavelmente já devia ter aparecido nos jornais, e toda a população de Raccoon já me conhecia. Era possível, mesmo sem saber, pois eu já não assistia televisão há semanas.
O acontecimento no shopping não saía da minha cabeça. Eu já havia sonhado uma vez com ele. O zumbi no banheiro, a poça de sangue, o helicóptero engolindo pessoas... Era terrível. Com sorte, eu havia conseguido escapar daquele lugar. E eu não era o único sobrevivente. Agradeci, por eu não ser o único a responder perguntas aos policias. Eu não os conheci e muito menos gravei suas faces em minha memória. Apenas olhei todos eles de longe, sem dar a mínima atenção e confiança.
Eu estava em Raccoon – uma cidadezinha tosca rodeada por montanhas – por trabalho. Eu estava administrando uma rede de lojas que seria instalada na cidade. O trabalho iria durar duas semanas. E ainda faltava uma. Peguei meu celular e dei uma olhada no calendário. 28 de setembro, uma segunda ensolarada. Na outra segunda , dia 05 de outubro, eu sairia da cidade e iria reencontrar meus amados amigos, e logo em seguida iria a Chicago, visitar meus pais. Havia um tempo que eu não os via. Mas havia tempo de sobra para fazer uma ligação, mas preferi não fazer isso.
Ao olhar o calendário, lembrei do celular que eu havia pego no banheiro masculino do shopping, em caso de emergência. Eu nem usara ele. E muito menos eu o havia lembrado. Havia dezenas de ligações. Parte delas, era de duas mulheres: Susan e Selena. Mulher e amante? Eu ri alto em meu apartamento alugado. Fiquei na dúvida se ligava para elas para lhe avisar sobre a morte do marido/amante, ou não. Após instantes pensando sobre esta difícil decisão, decidi jogar o celular fora. As duas mulheres provavelmente já sabiam da horrível notícia.
Meu apartamento alugado era simples. Um quarto, uma mini-cozinha e um banheiro apertado. Restavam apenas uma semana de sufoco. Eu agüentaria, mesmo estando acostumado com vastas varandas e enormes quartos, em que eu vivia sozinho.
Eu era uma pessoa extremamente solitária. Poucos amigos, e muitos conhecidos. Eu era uma pessoa difícil de se comunicar. Apesar de meu emprego precisar de uma boa comunicação, eu me dava conta disso. Duas semanas fora de minha casa, e nem uma ligação. Eram esses os meus amigos que eu tinha? Emmy, Ben, Leonard, Louis e Anne? Nem sequer uma mensagem. A falsidade era o meu ódio.
Decidi sair daquele sufocado apartamento e dar uma volta para aquela medíocre cidade. Após um banho, coloquei uma blusa branca, um short jeans azul e um tênis claro esverdeado. Olhei para o espelho e examinei meu rosto. Eu era branco, com lábios vermelhos escuros, olhos castanhos, cabelos pretos, e sobrancelhas grossas. Eu me achava atraente. Afinal, eu tinha auto-estima, mesmo sendo uma pessoa extremamente solitária. Peguei minha carteira, meu celular e coloquei no bolso de meu short. Peguei minhas chaves, tranquei a porta, e deparei com um vasto corredor. Fui ao elevador, e esperei ele subir.
O elevador abriu, revelando uma mulher atraente. Com o cabelo castanho curto caindo em sua testa, ela era branca, de olhos pretos. Ela usava uma jaqueta branca e uma blusa azul por baixo, um par de botas e saia preta. Ela olhou pra mim, e me deu um bom dia. Respondi educadamente. Entrei no elevador, esperei as portas se fecharem e fui até o patamar do prédio. Coloquei minha chave em meu bolso, atravessei a recepção e cheguei às ruas de Raccoon. Pra onde eu iria? Eu não sabia a resposta desta pergunta. Enquanto pensava, eu andava pra qualquer lugar, pra qualquer direção. Eu não me importava de me perder. Eu só queria tomar um ar fresco e sair do sufocado apartamento. Estar na cidade era melhor do que estar em minha moradia alugada.
As ruas não estavam tão cheias quanto na semana passada. Eu não sabia o motivo. Olhei em meu celular quantas horas eram. Oito da manhã. Deixei essa questão de lado. Após instantes, entrei em uma lanchonete, após sentir o meu estômago roncar. Comprei um café, um salgado e por incrível que pareça, um jornal – Raccoon Times. Lembrei-me da última vez que tocara em um jornal. Ele estava no bolso de meu terno. Estava em meu apartamento. Qual era a última notícia que eu havia lido? Ah, assassinatos na floresta que cercava Raccon e um ataque que uma garota sofreu no parque.
O jornal em minhas mãos estava repleto de assassinatos brutais que estavam acontecendo na cidade. Meus olhos se arregalaram ao ler as notícias daquele jornal. Ao todo, já aconteceram onze ataques “
canibais” – como dizia o próprio jornal – em toda a cidade, e três ataques animais fatais. O prefeito Harris anunciou que contratou dez novos policiais – isso seria o suficiente? – para se juntar a polícia, devido à suspensão dos S.T.A.R.S. ... – Virei a página. Havia fotos de todos os membros da equipe que foram suspensos. E entre eles, Jill Valentine, a mulher que morava no mesmo prédio que eu, em que eu havia encontrado no elevador. Coincidência. Joguei o jornal de lado, e voltei para o meu café.
Se a cidade estava sofrendo com ataques canibais, o banheiro daquele shopping também havia sofrido um. Meu estômago embrulhou ao me lembrar daquela cena. A situação estava piorando cada vez mais. A cidade estava entrando em um estado crítico. E eu quase fui um alvo destes monstros que estavam atacando a cidade. Ao me lembrar do helicóptero, abri o jornal imediatamente, procurando a notícia. Era manchete de primeira página – óbvio. Uma enorme foto mostrava o shopping inteiramente destruído por um explosão. Por sorte meu rosto não estava estampado na notícia, e sim de outros sobreviventes, que preferiram se exibir. Após instantes lendo a manchete, concluí que demoraria alguns dias até que o motivo da queda seja descoberto e divulgado. Larguei o jornal de lado novamente.
Era perigoso ficar naquela cidade, mas eu não podia sequer sair dali. A minha vida dependia de dois lados da sobrevivência: a minha própria vida, e minha auto-sustentabilidade. Como eu praticamente não tinha ninguém na vida, isso mau me importava.
Um grito, dois gritos, dezenas de gritos. Olhei para a rua pela imensa janela da lanchonete, e vi uma rua – que instantes atrás estava vazia, agora cercada de habitantes correndo desesperadamente para os lados. O que estava acontecendo? A minha pergunta foi respondida em questão de segundos.
Enquanto várias corriam, um grupo de pessoas com roupas rasgadas andava com braços erguidos, feito
sonâmbulos, pela imensa avenida. Após o meu cérebro processar que tipo de pessoa era aquela, o medo possuiu o meu corpo. Minhas mãos ficaram trêmulas, e eu mal conseguia pensar.
A garçonete soltou um grito, enquanto alguém trancara a porta. Instantes depois, alguém queria arrombá-la. A situação estava realmente crítica. Levantei-me da cadeira, e me afastei da enorme janela que cercava toda a lanchonete, que em questão de segundos, zumbis com olhos brancos – mortos – se esfregavam por ela, tentando arrombá-la ao mesmo tempo. Afastei-me mais ainda esbarrando no balcão. O barman, de repente pegou uma enorme arma, e mirou para a janela.
-Não atire! – gritei – Quebrar a janela só vai piorar as coisas! – o barman hesitou um pouco e baixou a arma. Percebi o quanto a minha voz estava trêmula. Eu estava apavorado diante daquela situação.
Apesar de não poder atirar na janela para não quebrá-la, ela seria destruída, em questão de segundos. Não resolveria muita coisa, mas daria tempo de uma escapatória. Olhei para os lados, procurando uma rota de fuga.
Enquanto eu lia o meu jornal, instantes atrás, muitas coisas haviam acontecido, sem ninguém notar.
-Deus, o que está acontecendo? – a garçonete aos prantos apontou para a janela.
Olhei para a janela imediatamente, e além dos zumbis tentarem arromba-lá, mais distante, um grupo deles, devorava uma mulher. Vendo aquela cena de longe, uma onda de enjôo passou por mim. Virei para o lado, e percebi que todos estavam observando aquela cena terrível.
Enquanto eu olhava para o lado, a porta estava sendo arrombada, a janela estava prestes a ser destruída e clientes gritavam desesperadamente. A garçonete e o barman estavam distraídos naquela cena.
-Temos que sair daqui! – um dos clientes gritava olhando para o barman.
O barman era um homem gordo, bigodudo, com cabelos castanhos escuros. Usava o uniforme da lanchonete, e parecia ter por volta uns cinqüenta anos. A garçonete, era loira, com um rosto angelical – não naquele momento – e usava também o uniforme.
-Na cozinha! – gritou o barman, fazendo gestos para todos passarem.
Um dos clientes foi primeiro, em seguida a garçonete, eu, e o restante dos clientes. Por último ficou o barman. Após eu entrar na cozinha, um baque foi ouvido. A porta finalmente fora arrombada. A garçonete gritava desesperadamente enquanto ouvíamos passos apressados pelo outro lado da lanchonete. O primeiro da fila – o cliente – avistou a primeira a porta e a anunciou. O barman chegara atrás, fechando imediatamente a porta da cozinha.
O cliente abriu a porta que dava aos becos. Ao abri-la, ele deu de frente com um zumbi que acabou o arranhando. Mas por sorte, o cliente o jogou ao chão. O barman – gordo – forçou passagem com sua enorme arma. Provavelmente aquilo deveria ser uma escopeta. O cliente entrou para a cozinha novamente gemendo. O zumbi havia feito um arranhão profundo nele.
Um disparo ecoou pela cozinha. O barman havia matado o zumbi. Com um gesto, todos saíram da cozinha, parando no beco. A grande avenida, estava logo a nossa frente. Dezenas de zumbis passavam, sem notar a nossa presença. O barman, apontou para a escada de incêndio que levava ao outro prédio. Era a única escapatória naquele momento.