Personagens | Ozwell E. Spencer

Ano de nascimento: 1931 (não confirmado)
Tipo sanguíneo: Desconhecido.
Altura: 1,79cm
Peso: 65kg

Aparições (e Menções) em títulos da série:

Biohazard / Resident Evil Remake (2002)
Biohazard / Resident Evil 0 (2003)
Biohazard / Resident Evil: The Umbrella Chronicles (2007)
Biohazard / Resident Evil 5 (2009)


Biografia e Participação na Série:

Ozwell E. Spencer tem sua origem na nobre aristocracia europeia, daí o “status” de “Lorde” que muitas vezes substitui seu primeiro nome, e ele é comumente chamado de “Lorde Spencer”.

Sua ambição, combinada com a de outro aristocrata, Sir Edward Ashford, e a do virologista Dr. James Marcus, era a de mudar o rumo da humanidade para sempre. A utopia de Spencer era a de criar uma raça superior de humanos, onde ele pudesse governar. A primeira parte de seus planos começou a se concretizar quando, através de seus infinitos recursos financeiros, ele teve acesso à obra “Pesquisa de História Natural”, um compilado de 72 volumes escrito pelo explorador Henry Travis, fundador da empresa Travis Trading (que posteriormente passou a se chamar Tricell) durante anos de expedição pelo continente africano, catalogando toda a flora e fauna local durante o século 19.

Apesar da obra de Henry ter sido desacreditada, acredita-se até que propositalmente por seu irmão, para evitar que mais pessoas tivessem acesso a tais descobertas e fizessem uso delas, Spencer obteve as informações necessárias para seguir em busca de um vírus que poderia criar a raça superior que tanto almejava, através de um processo de seleção natural daqueles com genes mais fortes e poderosos. Este vírus, batizado de “Progenitor”, era originário de uma rara flor, conhecida como “Escadaria para o Sol”, cultivada em um jardim sagrado nas ruínas protegidas por uma antiga tribo africana, os Ndipaya, que já faziam uso das propriedades da flor: aquele que resistisse aos efeitos de seu consumo era declarado o homem mais forte e passava a ser o chefe da tribo. Esta tradição se estendeu por inúmeras gerações dos Ndipaya, que protegiam o jardim a qualquer custo.

Em 1962, Spencer assinou contrato com o renomado arquiteto nova-iorquino George Trevor para a construção de uma imensa mansão em meio à densa floresta da cidade americana de Raccoon. O projeto teria duração de cinco anos. Neste meio tempo, o trio iniciou expedições à África em 1966, em busca da flor do Progenitor, e eventualmente encontraram o “Jardim do Sol”, nas profundezas das ruínas dos Ndipaya. Os primeiros progressos da pesquisa viriam alguns meses depois, com a estabilização do vírus, e várias amostras da flor foram coletadas para serem levadas para os laboratórios de Marcus nos Estados Unidos, mas, de alguma forma misteriosa, o vírus só se desenvolvia nas flores que cresciam em seu habitat subterrâneo. Para que as pesquisas continuassem, portanto, eles precisaram se estabelecer na região, onde disputaram brutalmente o espaço com a tribo indígena, que tinha o único intuito de proteger suas tradições e seu solo sagrado.

Com a conclusão da mansão, em 1967, Trevor e sua família acabaram se tornando as primeiras cobaias das pesquisas com o vírus. A família foi convidada para uma estadia na mansão agora completa, mas George, por compromissos profissionais, precisou mandar sua esposa Jessica Trevor e sua filha Lisa Trevor antes, e as encontraria em Raccoon alguns dias depois. Com um imenso laboratório construído em seu subsolo, as duas foram abduzidas e injetadas com variantes do Progenitor. Jessica acabou falecendo, enquanto a jovem Lisa sofria mutações ao longo dos anos. Chegando à mansão, George ouve de Spencer uma história de que Jessica e Lisa haviam ido visitar uma tia doente e que logo voltariam para lá, mas elas nunca voltaram. Por saber demais e já tendo Lisa com quem trabalhar, Trevor acabou aprisionado, foi definhando e morreu poucos dias depois.

Em 1968, Spencer sugeriu aos sócios a criação de uma companhia, e foi assim que surgiu a Umbrella, sob a fachada de empresa farmacêutica. Por conta de uma exposição acidental ao vírus, Edward acabou por contraí-lo e faleceu pouco depois. O tempo passava, e Marcus, no cargo de diretor do Complexo de Treinamento Executivo da Umbrella, continuava tão focado em suas pesquisas que sequer percebeu que a posição de liderança de Spencer à frente da Umbrella só aumentava.

A primeira parte do megalomaníaco projeto de vida de Spencer em criar uma raça superior de humanos vinha das pesquisas com o vírus Progenitor, e a segunda tinha como base a seleção de um grupo de crianças de diversas partes do mundo para que recebessem patrocínio e uma educação baseada nos princípios do próprio Spencer. A este projeto foi dado o nome de “Projeto W.”, criado por um dos pesquisadores da Umbrella. Treze crianças foram selecionadas, e receberam o sobrenome Wesker. Uma delas, Albert, por ironia do destino, acabou se tornando um dos discípulos do Complexo de Treinamento da companhia.

Em Janeiro de 1978, foi finalmente criada a primeira variante do Progenitor, batizada de T-Virus, com a combinação do vírus com o DNA de sanguessugas. A influência de Spencer continuava crescendo na empresa, e ele finalmente convenceu o quadro de executivos da companhia que Marcus gastava demais em suas pesquisas e não realizava progressos. O resultado disto foi o fechamento e a desativação do Complexo de Treinamento: o fundo financeiro e todos os funcionários e pesquisadores foram transferidos para os laboratórios da mansão Spencer, local que foi chamado de Complexo de Pesquisas Arklay, onde era pesquisada uma segunda abordagem do T-Virus com as descobertas que eram feitas na cobaia imortal Lisa.

Finalmente, em 1988, Marcus concretizou a criação do T-Virus, a primeira variante oficial do Progenitor, e Spencer decidiu roubar sua pesquisa. Para isto, ele mandou dois dos pupilos da confiança de Marcus, Albert Wesker e William Birkin, agora pesquisadores em Arklay, para assassinar o ex-professor. Birkin assumiu a pesquisa do T-Virus logo depois.

A influência da Umbrella em Raccoon crescia desde a sua fundação, com ricas doações de fundos para modernização da cidade e de seus recursos. A criação da força tática S.T.A.R.S. (Serviço de Táticas e Resgates Especiais), em 1996, teve grande participação da Umbrella, que forneceu patrocínio à delegacia de polícia da cidade, o R.P.D., para fundação do esquadrão especial. Obviamente, os objetivos escusos de Spencer eram a motivação para tal: Albert Wesker, ex-pesquisador e agora informante da Umbrella, foi nomeado o capitão dos S.T.A.R.S. e líder da equipe Alpha. Desta forma, a companhia poderia continuar com suas atividades ilegais, sem a preocupação de investigações policiais no futuro.

Em 11 de Maio de 1998, ocorre um acidente e, consequentemente, um vazamento viral no Complexo de Arklay, onde vinha sendo pesquisado o Tyrant T-002, humanoide baseado no T-Virus. Todos os funcionários e pesquisadores acabaram infectados e morreram, retornando depois como zumbis, um efeito colateral do vírus. Algumas armas biológicas que vinham sendo pesquisadas no complexo subterrâneo conseguiram escapar, e um surto de ataques violentos teve início na região da floresta e das montanhas Arklay nas proximidades. Albert Wesker recebe ordens da Umbrella para convocar os S.T.A.R.S. com o pretexto de investigar o caso, mas o real objetivo era o de atraí-los até a mansão para coletar dados de batalha deles, como soldados bem treinados, contra as armas biológicas.

Em 24 de Julho, Wesker deveria coletar estas informações, acionar o sistema de autodestruição da mansão e entregar os relatórios à Umbrella. No entanto, o capitão dos S.T.A.R.S. tinha outros planos, e pretendia forjar sua morte para depois se vender para uma companhia rival, entregando a eles os dados coletados e o Tyrant T-002. Spencer se aproveitou deste fato para obrigar o pesquisador William Birkin, amigo de Wesker, a entregar uma amostra especial do vírus Progenitor apropriada para o organismo de Albert para que ele se injetasse com ela, acreditando estar usando uma criação do próprio Birkin para concluir seus planos de “morte temporária”, podendo, depois andar e agir livremente nas sombras. Todas as outras crianças Wesker do projeto haviam morrido quando infectadas com o vírus, e Albert era agora a única esperança de Spencer para a conclusão de seu plano a longo prazo. Para a sua tristeza, porém, Wesker é declarado morto pelo departamento de informação da Umbrella, que acreditava que o ex-funcionário havia morrido na explosão do complexo.

Os planos de Spencer não acabariam assim, e mesmo com a morte da última “criança Wesker” e da destruição dos complexos em Raccoon e Arklay, ele ainda tinha recursos para continuar com a produção biológica da Umbrella e da concretização de sua utopia de se tornar um governante de um novo mundo.

O primeiro passo tomado por ele logo após o vazamento no laboratório foi contatar Sergei Vladimir, membro do alto escalão executivo da companhia e amigo de confiança, para recuperar o projeto T-A.L.O.S. no Complexo de Arklay, antes que fosse pelos ares junto com o restante das B.O.W.s e do resquício do T-Virus à solta. Ainda contando com a ajuda de Vladimir, meses depois, quando a infecção atinge a cidade de Raccoon, eles conseguem transportar o gigantesco supercomputador, U.M.F.-013 contendo todos os dados das pesquisas da Umbrella para o laboratório secreto conduzido por Sergei na região do Cáucaso, na Rússia, onde era realizada a produção em massa de armas biológicas. Este foi o último complexo da companhia a finalmente cair, em Fevereiro de 2003, com uma operação de invasão de uma equipe de contenção biológica da qual participavam Chris Redfield e Jill Valentine. Além da morte de Sergei e da destruição de T-A.L.O.S., Wesker, também infiltrado no laboratório, coleta uma cópia de todo o sistema da Umbrella, deletando os arquivos originais.

Através da destruição do complexo do Cáucaso, Chris e Jill conseguem coletar provas suficientes para incriminar a Umbrella e acusar Spencer oficialmente de todas as atividades ilegais da empresa e do envolvimento na tragédia em Raccoon. Velho e decrépito, Spencer passa a viver recluso em um antigo castelo na Europa, na companhia de Patrick, seu mordomo de confiança. Spencer jamais desistiria de sua utopia, e com a ajuda de Patrick, eles continuam conduzindo experimentos secretos no subsolo do castelo, utilizando o vírus Progenitor em cobaias humanas. O outro trunfo na manga de Ozwell se chama Alex Wesker, em quem ele depositara a esperança de desenvolver algo que o tornaria imortal. Para isto, ele enviava cobaias humanas e recursos ilimitados para as pesquisas de Alex, realizadas em algum local remoto. Para desespero de Spencer, no entanto, Alex desaparece repentinamente, junto com as pesquisas, as cobaias e o projeto que o tornaria um Deus na terra.

As suas esperanças começavam a se esvair pouco a pouco, mas o destino se provou ao seu lado mais uma vez, e ele descobriu que Albert, uma das crianças de seu projeto, ainda estava vivo, e que havia tido sucesso ao administrar o Progenitor em seu organismo. Ele precisava ver o seu projeto bem sucedido, e forçou Patrick a vazar sua localização de modo que chegasse até Wesker. Ao contatar o contrabandista de armas biológicas Ricardo Irving, ele exigiu que a informação fosse passada à espiã Ada Wong e, assim, até Albert. Na primavera de 2006, os dois finalmente se encontram, quando Wesker aparece no castelo de Spencer. Sozinhos, já que Patrick deveria ir embora depois de cumprir suas últimas ordens, Spencer conta toda a verdade a Albert. Ele fala sobre sua utopia de criação de uma raça de seres humanos com DNA superior, sobre o projeto W e que Wesker é a última cobaia do projeto ainda viva. Revoltado com a prepotência do velho homem, Wesker o mata, colocando, assim, um fim ao sonho megalomaníaco de Spencer, e ao mesmo tempo dando continuação ao projeto, almejando ele tomar o lugar que Ozwell um dia gostaria de assumir: tornar-se um Deus na terra, fazendo uso de seu projeto financiado pela Tricell, o vírus Uroboros.

Naquela mesma noite, porém, Chris Redfield e Jill Valentine, agora membros do esquadrão anti-bioterrorista BSAA, também segue uma pista da localização do último fundador ainda vivo da Umbrella, e seguem ao castelo com a tarefa de finalmente prendê-lo, depois de tantos anos. Quando chegam, encontram apenas o cadáver de Spencer sob o chão e Wesker diante de uma janela. O confronto entre os agentes e Wesker acaba mudando o destino dos três para sempre, quando Jill se sacrifica para salvar Chris de ser quase morto por Wesker, e se lança na direção de uma janela em frente a um precipício, caindo junto com Albert.

  • Quando o primeiro Resident Evil foi lançado em 1996, a trama por trás da construção da mansão de Spencer e do uso da família Trevor como as primeiras cobaias do vírus foi ocultada de forma a não tornar a história do jogo tão complexa. A história completa foi contada somente no Remake do primeiro título, lançado em 2002.
  • Apesar de ser um personagem vital para a franquia desde seu primeiro título, Spencer só fez uma aparição nos jogos em Resident Evil 5, lançado em 2009.
  • Em Resident Evil Dead Aim, o cruzeiro de luxo da Umbrella raptado por Morpheus D. Duvall, ex-pesquisador da companhia, recebe o nome de Spencer Rain.
  • Em Resident Evil The Umbrella Chronicles, no final do capítulo “Death’s Door”, acredita-se que o homem no banco de trás do helicóptero pilotado por Sergei Vladimir seja Spencer, mas tal fato nunca foi confirmado oficialmente.