Resident Evil 2 Remake | Debate entre desenvolvedores traz convidado surpresa!

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A Capcom revelou em seu canal oficial a terceira parte da mesa-redonda especial com os desenvolvedores de Resident Evil 2 Remake, e esta terceira parte tem um convidado especial: o polêmico Hideki Kamiya, diretor de Resident Evil 2 original, lançado em 1998!

Em total clima de descontração, o debate começa comparando a semelhança entre Kamiya e o diretor do Remake, Kazunori Kadoi, já que os dois são carecas e usam óculos. O produtor Yoshiaki Hirabayashi é quem filma e serve de mediador no debate, que traz, além de Kamiya e Kadoi, Yasuhiro Anpo, que ajudou a dirigir o jogo, e Jun Takeuchi, produtor executivo.

Na conversa, algumas informações são legais de se destacar:

Kadoi, Kamiya e Anpo entraram na Capcom no mesmo ano, e todos (incluindo Takeuchi) trabalharam no primeiro Resident Evil, lançado em 1996. Kamiya foi planner (“planejador”) e, depois, foi escolhido para dirigir Resident Evil 2, o primeiro jogo que ele dirigiu na vida. Hoje, está na Platinum Games.

Sentimentos depois de jogarem o Remake: Kamiya disse que se sentiu muito assustado, e ainda disse que não sabe fazer jogo de terror. Ele ainda diz que “como era O Remake de RE2, ele ficou interessado, mas, ao mesmo tempo, não querendo se assustar”. Ele ainda pergunta aos diretores se eles não sentiram medo fazendo o jogo, que responderam dizendo que estão “imunes” ao terror por estarem acostumados. Kamiya disse que os zumbis não parecem mais polígonos movidos por códigos pela quantidade de realismo que carregam. Ele ainda finalizou que não tem nada de ruim para falar do jogo. Ainda assim, eles comentam que Kamiya costumava mandar mensagens para Kadoi enquanto jogava, reclamando da falta de munição.

Hirabayashi deu cartões para todos, com tópicos a serem abordados no debate. O primeiro, puxado por Takeuchi, é sobre ideias descartadas durante o desenvolvimento. Takeuchi aproveita a presença de Kamiya para perguntar de ideias que estavam no original, mas não no Remake. Kamiya diz que diabos são aquelas peças de xadrez?”. Ele diz que, no Remake, para resolver o puzzle, fez um desenho num papel com as marcações. Takeuchi diz que, durante o desenvolvimento, as plantas (Ivy) eram algo “impossível”, pois ela ficaria ridícula dentro da proposta realista do jogo. Kamiya disse que ver como elas ficaram era algo que lhe interessava enquanto jogava, e que se surpreendeu com o resultado final. Kamiya relembra que o jogo não tem aranhas, e puxa para Kadoi o fato de ele ter sido o “cara da aranha do RE1”, responsável por animá-las. Ele diz que elas foram substituídas pelos G-Adult no trecho onde, correspondentemente com o original, elas deveriam aparecer. Kamiya cita a terceira forma do G (William Birkin) e elogia o ângulo de câmera como “divino” na batalha. Sobre a “cena do beijo”, eles comparam com o original e acontece mais cedo no Remake, algo que foi ideia do Takeuchi. Kamiya elogia e diz que ficou interessante por nos questionarmos sobre os reais objetivos de Ada Wong. Eles riem com o fato de que Leon S. Kennedy “é fácil de manipular”.

O segundo cartão traz o tópico “coisas que gostaria de perguntar ao diretor original”. Eles brincam com a “fase abandonado e bêbado”, e riem dizendo que isso é “coisa do Leon”. Kamiya brinca que talvez tenham se inspirado nele mesmo. Eles lembram que esta informação apareceu em um guia oficial, não no jogo. Ele diz que todos estavam trabalhando perto do Natal, e que havia acabado de ser despejado, e que se fosse trabalhar no Natal, todos iam saber. E, por isso, ele faltou neste dia! Ele também relembra um dia em que chegou atrasado e todos estavam falando sobre a decisão de criar um minigame bem difícil. Ele se queixou disto ao Shinji Mikami, produtor do jogo, que respondeu, “ué, você não estava lá”. Kadoi pergunta se foi assim que o minigame The 4th Survivor (com HUNK) surgiu e ele confirma que sim, e que já que estava tudo decidido, ele queria fazer da melhor forma, então foram usados recursos descartados no desenvolvimento para o HUNK. Kadoi pergunta sobre a voz do Tofu ter sido a de Katsutoshi Karatsuma, programador dos inimigos no jogo original, e ele diz que acha que quem pediu ao rapaz para fazer a voz foi o Mikami. No Remake, aliás, Karatsuma regravou as falas do “personagem”!

O terceiro tópico é em relação ao Kamiya fazendo perguntas ao Kadoi e ao Anpo, como diretores do jogo. Kamiya relembra que Kadoi, na época de RE1, queria que a faca tivesse um “ataque carregado”, e que chegou a pedir ao Takeuchi para que trabalhasse nisso! Eles ainda se lembram da mesma época em que Kadoi, obcecado com a faca em RE1, tentava terminar o jogo usando somente ela. O jogo também teria o recurso de se defender com facas e depois recuperá-las, algo implementado no Remake do jogo, lançado em 2002, e agora repetido no RE2 Remake. Eles discutem também o fato de que cada inimigo neste Remake de RE2 mantém os danos que tomou mesmo se você sair da sala, algo que, na época do original, não era possível, pois o cenário “recarregava”, além, é claro, dos corpos não sumirem mais ao sair e voltar a uma sala. Anpo lembra que isto foi testado na época do RE2 original, ainda na época do RE1.5, o protótipo. Eles também riem da frase “just go” (apenas vá!) de Marvin Branagh no original, mas Kamiya disse que não se lembra. Takeuchi diz que não lembrava mais de Ben Bertolucci, e que “aparentemente” foi ele quem fez a animação da cena dele na prisão.

O próximo tópico é sobre revelações dos segredos do RE2 original. Kamiya cita o fato do jogo ter dois discos: ele estava em uma sala de reuniões com Mikami falando de algo, quando Anpo chega e diz que o jogo não iria caber em um disco só. Enquanto Mikami estava paralisado, ele não entendia qual era o problema. Eles relembram Noboru Sugimura, o roteirista do jogo original, assim como de CODE: Veronica e Resident Evil 0. Na época, Sugimura tinha 48 anos, e faleceu em 2005 aos 57 anos. Kamiya diz que não saberia, no lugar de Sugimura, como lidar com produtores de 25-26 anos, reclamando das coisas, mas que ele nunca os desmereceu por serem mais novos. Para Kamiya, que dirigiu RE2 com amor que tinha por ter trabalhado no RE1, Sugimura tinha este amor como jogador pela série.

O último tópico é sobre deixar uma mensagem aos jogadores, e Kamiya brinca que, agora, ele é um jogador também. Como o primeiro a deixar uma mensagem, Kamiya diz para não falarem em inglês com ele ou serão bloqueados, oopssss… brincadeiras a parte, ele diz que foi o diretor do RE2 original, mas que curtiu totalmente o Remake como jogador e realmente sentiu o terror do jogo, portanto, ele recomenda a quem não jogou. Anpo-san (que a legenda não decide se é Ampo ou Anpo, confusão que se estende desde RE5 e Revelations 2, jogos onde ele trabalhou) diz que fez parte da equipe do jogo original e que, desta vez, eles se esforçaram ao máximo para satisfazer os fãs do clássico, respeitando o original, mas tentando tornar as memórias que seriam icônicas ainda mais especiais. Kadoi confessa que fica mais aliviado em saber que Kamiya está contente com o resultado do Remake e agradece a todos que também gostaram. Takeuchi diz que, na fase de planejamento, a ideia era atingir as expectativas por ser algo que os fãs queriam muito, mas que, honestamente, ele não sabia se isto era possível, e que felizmente deu tudo certo graças aos esforços da equipe.

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  • Comparar RE 2 do PS1 com RE 2 Remake é claro que vai existir comparações no quesito Terror e gráfico… RE vem evoluindo no quesito tecnologia e também no quesito idéias. O que importa mesmo é apresentar novamente a série com aspecto evoluído e com boa jogabilidade para um bom entretenimento. De uma maneira geral, sempre lembrando dos primórdios RE da vida, bons tempos de PS1!!!!