Resident Evil 5 | Files Traduzidos


Memórias de Patrick 1

Por um tempo, parecia que o Mestre Spencer recuperaria sua antiga saúde, mas o destino não foi tão generoso, e agora ele se confina em seus estudos por dias. Faz anos que não o vejo fazer suas refeições na sala de jantar. Eu tenho me dedicado a preparar refeições a seu gosto e levá-las todos os dias à sua sala de estudos. Infelizmente, ele não tem mais forças para comer nada além de sopa e outros líquidos.
Não consigo me lembrar de um momento na história desta casa em que a situação estivesse tão terrível quanto agora. Em gerações passadas, a Propriedade Spencer era um ponto de encontro somente para os europeus mais ricos da sociedade. Agora apenas uma equipe de esqueletos ficou para cuidar de um homem que se mantém em reclusão em uma de suas muitas residências.
Minha família está no serviço de casa dos Spencer desde o tempo de seu grande avô. Este rápido estado de decadência teria sido inimaginável até mesmo para uma geração anterior.
Eu me lembro carinhosamente dos dias de minha juventude; mas agora parece ter sido há uma eternidade. Foi há uns 50 anos atrás, quando meu pai era o mordomo principal da família. Naquela época eu estava aprendendo minhas tarefas para me preparar para sucedê-lo, e sempre havia alguma tarefa ou recado que me faziam ficar correndo pela casa.
Eu me lembro que o Lorde Ashford, outro aristocrata de uma família tradicional, e um dos colegas de escola do Mestre Spencer, o Doutor Marcus, vinham se refugiar do calor do verão nesta casa de campo. Meu pai e eu os acompanhávamos e fazíamos de tudo para ver o que queriam em vão.
Talvez porque eu fosse a pessoa mais nova lá, eles ficavam me provocando como se eu fosse um deles. Eu me lembro do dia em que o Lorde Ashford me deu meu primeiro copo de conhaque. Foi no segundo andar da sala de jantar, atrás das estátuas de pedra alinhadas na sala, eu nunca vou me esquecer do cheiro suave de quando ele abriu a garrafa. Mas aqueles tempos adoráveis são apenas lembranças agora.
Lorde Ashford, Doutor Marcus, e é claro meu pai, todos já faleceram. Só o Mestre Spencer ficou, e eu temo que seus dias possam estar acabando.
Quando o Mestre Spencer morrer, marcará o fim de sua ilustre família, assim como meu serviço de família a ele. Por enquanto, eu só posso esperar pelo inevitável.


Memórias de Patrick 2

Eu não consigo parar de pensar nos gritos daquelas pobres almas aprisionadas no porão. Eu administrei o vírus em todas elas conforme as instruções do Mestre Spencer. Seja lá o que tenham se tornado, elas não são mais humanas.
Eu ajudei em diversos experimentos por ordem do Mestre Spencer. Eu não sei que utilidade um simples mordomo não escolarizado em ciências como eu pode ter, mas eu devia ter orgulho pelo mestre confiar em mim com seu importante trabalho. Ele geralmente despreza ou desconfia de todos ao redor dele.
Porém, eu não consigo evitar sentir uma incoerência entre como eu acho que deveria me sentir e meu estado mental atual. Por um lado, estou cheio de alegria pela chance de ajudar o mestre de qualquer forma que eu puder; por outro, eu sinto como se estivesse perdendo um pouco de minha alma em cada experimento em que o ajudo. A única forma em que eu posso preservar minhas faculdades mentais é tirando uma folga, ou tentando me afastar de qualquer sentimento.
Seja qual for o caso, eu devo agir e não questionar o mestre.
Dever e honra; é isto o que importa.
Por gerações, minha família esteve em serviço leal à família Spencer. Eu não trairei meus deveres, e servirei ao Mestre Spencer até o fim. Eu dediquei minha vida a servi-lo, e não há mais volta.
Está na hora de verificar as cobaias e reportar suas atuais condições ao Mestre Spencer.
Vou cumprir meus deveres, e os farei com muita honra.


Memórias de Patrick 3

Eu estive a serviço do Mestre Spencer durante a maior parte de minha vida adulta. Nos últimos tempos, porém, eu penso que suas ações são difíceis de compreender. Por exemplo, ele tomou todas as precauções possíveis para ocultar seu paradeiro do mundo exterior. Por qual razão, eu não sei.
Então, um dia ele me pede para encontrar um certo homem e deixá-lo ciente do paradeiro do mestre. Eu não sei por que ele iria tão longe para contatar este homem, mas talvez ele quisesse ver se alguém podia encontrá-lo.
O homem em questão é o Sr. Albert Wesker, um homem de quem não ouvia falar há muito tempo. Eu só o vi uma vez, e foi há mais de dez anos.
Tenho vergonha em admitir que não consigo me lembrar de seu rosto, porque como mordomo é meu trabalho lembrar das pessoas. A razão, creio eu, é por causa de seus olhos – aqueles olhos frios e sem sentimentos que ofuscam completamente suas outras características. De qualquer forma, eu me dediquei a botar a informação nas mãos de Wesker sem deixá-lo saber que era a vontade do Mestre Spencer de que ele tivesse esta informação.
Eu sei de um certo indivíduo inescrupuloso que colocaria a informação nas ruas, pelo preço certo. Ele é o tipo que não se importa com quem fala. O que faz este indivíduo ter tamanha importância é ele estar a serviço de uma espiã que tem contato regular com Wesker.
Eu paguei a este homem (esqueci se seu nome era Roberto ou Ricardo) mais do que ele merecia e lhe dei o mínimo de informação necessária para satisfazer a vontade do Mestre Spencer.
Eu obedientemente segui as instruções do Mestre Spencer para a carta. Foi neste ponto que a situação teve uma reviravolta crítica.
O mestre, ele me deixou ir, mas eu não sei por quê. Eu pedi uma razão – a única vez em que o questionei – mas ele respondeu apenas com silêncio.
Eu não sei o que fazer. Estou cheio de uma sensação de perda. Tudo o que eu sabia se foi. Eu dediquei minha vida inteira a servir a família Spencer, e agora este livro foi fechado à força sem razão aparente.
Os únicos que continuarão serão aqueles guardas de segurança não confiáveis e as pessoas aprisionadas sob a propriedade. Eu realmente duvido das habilidades dos guardas em atender a todas as necessidades do Mestre Spencer.
Será que ele está planejando morrer? Não! Ele não é este tipo de homem. Ele não iria querer deixar todos os seus negócios não concluídos.
O Mestre Spencer deve ter algum grande plano que está além de minha habilidade de compreensão.
De qualquer forma, eu só posso obedecer aos seus desejos e ir embora. Eu serei fiel até o fim, mesmo que me parta o coração fazer isto.

(Há outro arquivo aqui. Parece ser uma lista de indivíduos de teste.)
Indivíduos de Teste
001: Hans
002: Felicia
003: Marco
004: Jonah
005: Irma
006: Ken
007: Laura
008: William
009: Hiro
010: Derek
011: Miles
012: Alex
013: Albert

O número de candidatos foi limitado aos 13 indivíduos listados acima.


Memórias de Spencer 1

Eu, Ozwell E. Spencer, fundador da Umbrella e também seu chefe executivo, aqui me proclamo como comandante de toda a humanidade. Todos devem se prostrar diante de mim como um dia fizeram aos seus antigos falsos deuses.
Pelo menos, era assim que meu destino devia ter sido.
Mas eu não me tornei um deus; eu não consegui me desatar de minha fraca humanidade.
Em vez disto, meu corpo está sendo destruído por esta maldita doença, a doença da idade. Ela talhou rugas em meu rosto como uma terra ressecada, e meus braços são como finos caules ressecados de uma árvore morrendo. A idade me privou do uso de minhas pernas.
A única chance que eu tenho de me tornar um deus e dar forma ao destino da humanidade é interrompendo esta doença de continuar destruindo meu corpo.
Acredito que haja um ditado sobre realizar as alegrias da vida quando alguém está a um passo da morte.
Ditados como estes são para os fracos que vão morrer. Eles tentam mascarar seus medos com aforismos dignos de pena. Mortais não compreendem o que a vida significa para aqueles para quem a morte não é um problema. Os ignorantes adoram fazer generalizações para incluir aqueles que não participariam de suas reflexões pedantes.
Eu irei desfazer esta caricatura injusta feita comigo a tempo, e vou me apresentar como o ser perfeito que comandará toda a humanidade.
Eu lhes darei novas direções para governar suas vidas.
Tudo o que me resta é encontrar a chave para a vida eterna!
O vírus criado pela Umbrella é esta chave. Ele anula o encurtamento dos telômeros, o que nega a função que limita a divisão celular. Em algum lugar deste processo está a chave para a imortalidade. Se o processo pudesse ser aperfeiçoado, esta chave seria minha.
Eu tenho os meios disponíveis para mim. Eu posso realizar minhas ambições, graças a Alex.
Eu perdi muito em capital humano depois da falência da Umbrella, mas ainda tenho Alex, a melhor e mais brilhante de todas, e a última de minhas crianças.
Eu tenho fé de que se alguém pode encontrar a cura para a doença do tempo que me afasta de assumir meu papel como líder da humanidade, é Alex.
Alex encontrará uma maneira.


Memórias de Spencer 2

Eu fiz tudo o que Alex me pediu.
A ingenuidade de Alex ultrapassa a das pessoas normais. Esperamos pelo momento apropriado, reunimos os materiais necessários, e Alex continua mantendo a operação correndo vagarosamente.
A maioria das crianças fica presa aos limites de seu próprio intelecto, mas isto não acontece com Alex. Eu nunca testemunhei alguém tão adepto em absorver os talentos dos outros simplesmente os observando.
Eu não poderia estar mais satisfeito. Alex mostra qualidades superiores a qualquer outra pessoa.
Eu forneci tudo que Alex e os outros pesquisadores precisariam para conduzir sua pesquisa: fundos ilimitados, equipamentos top de linha, materiais de pesquisa e uma infinidade de cobaias. A única coisa necessária é tempo.
Eles conduzirão sua pesquisa em uma ilha isolada nos mares ao sul, onde há uma instalação militar abandonada de um país próximo. Alex já partiu com um grupo de assistentes de pesquisa, materiais de pesquisa e centenas de cobaias.
Eu esperei ansiosamente por boas notícias sobre a pesquisa. Em vez disto, eu recebi apenas um telefonema um mês depois me pedindo para mandar mais cobaias. Como é possível que eles tenham usado centenas de cobaias em apenas um mês?
Enquanto minha frustração aumenta, Alex tenta me garantir.
“Você ficará satisfeito em ouvir que todos os experimentos estão correndo vagarosamente.”
E então eu continuo esperando…


Memórias de Spencer 3

Eu esperei, esperei e nenhuma notícia ainda da ilha. Faz um ano desde que eles se foram, e eu já mandei milhares de milhares de cobaias para sua pesquisa.
Assim que Alex faz um avanço no vírus, a equipe o administra em outro grupo de cobaias. Infelizmente, eles não têm tempo para estudar o vírus antes de testá-lo. Se parece plausível, eles prosseguem e vêem como as cobaias reagem a ele.
Tudo isto é de se esperar, suponho. Não é culpa de Alex.
Eu tenho sido impaciente; verdade, mas a situação é urgente.
A idade não apenas me deu esta aparência desprezível, como também atacou meus órgãos internos e os deixou virtualmente inúteis. As pequenas funcionalidades que eu posso aproveitar deles são graças apenas às máquinas presas ao meu corpo. O tempo é um inimigo impiedoso.
Estou contando com você, Alex! Só você pode me dar a chave para a vida eterna!


Memórias de Spencer 4

Finalmente! Um relato de sucesso!
O experimento foi um sucesso!
Só a notícia enviou uma nova onda de energia correndo por minhas veias.
Me sinto rejuvenescido. O jantar da noite passada até parecia mais saboroso. O vinho melhor. Meu mordomo, Patrick, realmente é um sábio da culinária.
Infelizmente, esta alegria teve vida curta.
Alex desapareceu! Eu estaria menos preocupado se este fosse o único relato lamentável da ilha.
Os outros pesquisadores também não estão em lugar algum!
Nem mesmo as milhares de cobaias!
E o mais importante, todo o material de pesquisa, incluindo o vírus final que me faria um deus, não pode ser localizado!
Eu fui traído!
Eu me permiti ser traído novamente!
Eu devia ter aprendido com meus erros com Albert!
Agora minha vida está por um triz.
A única pessoa em quem posso confiar é meu fiel mordomo, Patrick.
Ele é minha última esperança para localizar o vírus que irá me curar desta doença miserável.
Mas será que o tempo está do meu lado?
Esta é a pergunta que ocupa minha mente.
E somente o deus que estou para me tornar pode responder esta pergunta.