Livro Traduzido | Resident Evil Archives Vol. II

PALAVRAS-CHAVE | UMBRELLA

ESCADARIA PARA O SOL

O lema da Umbrella Farmacêutica Inc. era “preservando a saúde das pessoas”. Por baixo desta proveitosa imagem pública, no entanto, a Umbrella mascarava um objetivo mais sombrio: o desenvolvimento ilegal de vírus e B.O.W.s (Armas Biológicas). A grande corporação internacional fora oficialmente fundada em 1968, mas a razão para sua fundação data de quase cem anos antes, em meados do século 19.

Durante este período de tempo, as manchetes dos jornais contavam histórias de exploradores intrépidos fazendo expedições na África. Henry Travis, membro da próspera companhia mercantil Travis Trading, resolveu seguir os passos deles, e usou o dinheiro de sua família para fundar sua própria expedição no continente. Ele publicou o resumo de sua jornada em uma enciclopédia de 72 volumes chamada “Pesquisa da História Natural”, mas seus registros meticulosamente detalhados foram julgados como produto de pura licença criativa. No fim, apenas algumas cópias dos volumes chegaram a ser publicadas, sendo vendidas como uma mera ficção.

Nas décadas seguintes, a Pesquisa da História Natural foi preservada por seu valor estético por um pequeno grupo de ávidos colecionadores. Pouco depois, ganhou nova estima nas mãos de Ozwell E. Spencer, membro de uma poderosa família nobre e mais tarde fundador da Umbrella. Spencer se interessou pela descrição no livro dos costumes de folclore regionais, particularmente pelos rituais da Tribo Ndipaya: eles diziam possuir uma flor, conhecida como “Escadaria para o Sol”, que dava grande poder aos que a consumiam.

Para descobrir mais sobre esta flor misteriosa, Spencer iniciou uma expedição à África em 1966, junto com o virologista James Marcus e seu nobre amigo Edward Ashford. Usando as descrições fornecidas na Pesquisa da História Natural, eles procuraram pelas terras da Tribo Ndipaya e eventualmente encontraram as antigas ruínas onde nascia a Escadaria para o Sol. Dentro das ruínas, eles encontraram uma câmara sagrada, o único lugar onde as flores cresciam. A câmara era conhecida como “O Jardim do Sol”.

As pesquisas na Escadaria para o Sol foram conduzidas inicialmente por Marcus e seu pupilo, o pesquisador-chefe Brandon Bailey. Aqueles primeiros dias foram brutais: O pequeno grupo foi forçado a encarar constantes ataques dos verdadeiros donos do jardim, os Ndipaya, sem garantias de que sua pesquisa um dia os levaria a algum lugar. Naquele ambiente hostil, até Marcus começou a desanimar.

Então, finalmente, depois de três meses de pesquisas, tudo foi compensado. Assim como Marcus teorizara, a flor carregava em seus botões um vírus nunca descoberto que podia recombinar o código genético de um organismo. Eles chamaram o vírus de “Progenitor”, e então nomearam a flor de “Flor do Progenitor”. Marcus rapidamente voltou com as flores para seu próprio laboratório.

Marcus queria se lançar na pesquisa do Progenitor, mas imediatamente chegou a um obstáculo: as flores cultivadas no laboratório não produziam o vírus Progenitor! Mesmo quando o ambiente foi ajustado para as mesmas condições da câmara africana – água, solo, temperatura, umidade, luz do sol – os botões não produziram o vírus. Marcus rapidamente gastou todo o estoque do vírus que tinha trazido da África, e um ano se passou sem resultados úteis.

CENTRO DE PESQUISAS DA UMBRELLA NA ÁFRICA

Em 1968, Spencer propôs a Marcus e Ashford a idéia de iniciar uma companhia como fachada para suas pesquisas virais. Este era o nascimento da Umbrella Farmacêutica Inc. Com a pesquisa do Progenitor ainda estagnada, Marcus aceitou o convite de Spencer para recomeçar sua pesquisa sob patrocínio da Umbrella. Ele esperava retornar para a África para continuar sua pesquisa no Progenitor, mas em vez disto, Spencer o transferiu para a direção do novo Complexo de Treinamento Administrativo da Umbrella, na cidade de Raccoon. Marcus ficou aborrecido por não poder participar em pessoa da pesquisa do Progenitor, mas relutantemente concordou quando lhe disseram que seu melhor aluno, Bailey, estaria no comando em seu lugar.

Quando Bailey voltou para a África, descobriu que soldados armados haviam retirado a Tribo Ndipaya das ruínas, e que o novo Centro de Pesquisas Africano já estava em construção. Bailey passou a supervisionar a construção do centro, e logo expandiu seu tamanho para três vezes mais do que o plano original. A expansão correu tão precipitadamente que os trabalhadores acidentalmente redirecionaram a fonte de água das Flores do Progenitor. Felizmente, o supervisor da construção descobriu um rio subterrâneo a 500 metros de profundidade, e usou o sistema mais atual da companhia Fabiano para restaurar o abastecimento constante de água dos “lençóis das flores”.

Em Junho de 1969, o Centro de Pesquisa da Umbrella na África foi oficialmente fundado como a linha de frente no estudo do vírus Progenitor. Bailey assumiu a posição de diretor do complexo, e não perdeu tempo ao mandar amostras para Marcus no Complexo de Treinamento Administrativo da Umbrella, almejando o sucesso de seu adorado professor. Marcus se lançou na pesquisa do Progenitor mais uma vez, determinado a recuperar o respeito que merecia como um dos membros fundadores da Umbrella.

Dez anos se passaram. Em Janeiro de 1978, Marcus combinou com sucesso o DNA de sanguessugas com o vírus Progenitor, criando o T-Virus que se tornaria a base para todo o desenvolvimento de B.O.W.s que viria em seguida. No entanto, o que Marcus não sabia era que este era o plano de Spencer desde o início. Ele havia manipulado o desejo de Marcus em se auto-afirmar com sua pesquisa, explorou sua ligação com Bailey, e então esperou pacientemente que seus planos dessem frutos na forma de um novo tipo de vírus.

O T-Virus foi aperfeiçoado em 1988, e com isto, a utilidade de Marcus chegou ao fim. Spencer enviou seus homens de confiança, os candidatos administrativos Albert Wesker e William Birkin, para se livrarem dele.

Após o assassinato de Marcus, Spencer restringiu a pesquisa do vírus Progenitor ao seu solo de cultivo na África, controlando com firmeza todas as informações a respeito. Em suas próprias palavras, “quando se enterra um tesouro, não se deve deixar um mapa”. Apenas alguns poucos executivos de acesso nível 10 sabiam da localização do Centro de Pesquisa. Funcionários transferidos do centro eram mantidos sob supervisão, e o próprio diretor Bailey ficou virtualmente preso lá por quase trinta anos.

Spencer manteve tanto segredo sobre o paradeiro do complexo que, mesmo depois de seu fechamento em 1998, ele permaneceu completamente intocado, até a corporação Tricell sair em busca dele.

A DESTRUIÇÃO DA CIDADE DE RACCOON

Um desastre acometeu a Umbrella em Julho de 1998. O T-Virus foi liberado do Complexo de Treinamento Administrativo nas Montanhas Arklay e se espalhou pela floresta em torno de Raccoon. O homem responsável pela epidemia foi James Marcus. Apesar de ter sido assassinado em 1988, ele foi trazido de volta à vida por uma espécie de sanguessuga que ele havia criado com o T-Virus, e retornou para se vingar da Umbrella por roubar sua pesquisa.

Mais tarde, em Setembro de 1998, insetos e pequenos mamíferos causaram uma nova epidemia do T-Virus em Raccoon. Seus cidadãos foram quase todos transformados em zumbis, e os poucos que permaneceram não infectados ficaram em uma situação desesperadora com poucas esperanças de fuga. A força policial da cidade foi destruída, e quando a Umbrella mandou a sua U.B.C.S. (Serviço de Contenção Biológica da Umbrella) para procurar por sobreviventes, eles também foram eliminados. No fim, o governo americano foi forçado a declarar lei marcial na cidade.

Em Outubro de 1998, não se podia mais negar a gravidade da situação, e o congresso aprovou a “esterilização” de Raccoon. O exército lançou um míssil estratégico ao centro da cidade, destruindo os infectados e o vírus de uma só vez. Este plano resultou na contenção bem sucedida da epidemia, mas muitos consideraram o sacrifício de 100.000 vidas um preço muito alto a se pagar.

Após a esterilização, o governo prontamente ordenou a suspensão dos negócios da Umbrella, a quem eles julgavam como responsáveis pelo incidente. Em protesto, o presidente da Umbrella, Spencer, reuniu uma excelente equipe de defesa e abriu um processo contra o governo. O subseqüente “Caso Raccoon” convocou o testemunho dos sobreviventes, afirmando que o governo os havia coagido a difamar a Umbrella, e que o plano de esterilização havia sido um plano do governo para destruir provas de seu próprio envolvimento. Assim como Spencer planejara, a teoria da conspiração funcionou.

Entretanto, com o passar dos anos, a Umbrella começou a perder força na batalha legal. O golpe final veio em 2003 depois de uma epidemia biológica na região do Cáucaso, na Rússia. Uma fonte anônima enviou dados confidenciais de computadores da Umbrella ao governo, provando que eram eles por trás de Raccoon. Apesar de toda a trama de Spencer, o processo da Umbrella foi rejeitado.

As ações da Umbrella caíram logo após a condenação judicial, e os consumidores perderam completamente a confiança na marca. No fim, a companhia foi forçada a declarar falência.

ARTIGO DE JORNAL SOBRE A QUEDA DA UMBRELLA

Filial Local da Umbrella Prestes a Fechar

TÓQUIO, JAPÃO: Hoje, a filial japonesa da corporação multinacional Umbrella Farmacêutica Inc. anunciou seu fechamento e começou a liquidação de itens. A sede da companhia declarou falência no começo desta semana.

A Umbrella fundou sua filial japonesa em 1984 com o propósito inicial de importar produtos farmacêuticos desenvolvidos na América. Em 1987, foi finalizado o Centro de Pesquisas da Umbrella no Japão, que usava biotecnologia para chegar à pesquisa independente e ao desenvolvimento farmacêutico.

As ações da Umbrella vinham decaindo após acusações a respeito da “Tragédia de Raccoon”, e o golpe à imagem pública fez suas vendas estagnarem. Com a Umbrella sendo recentemente declarada culpada em diversos processos contra eles após a tragédia, a companhia foi forçada a declarar falência.

A filial japonesa da companhia vinha buscando novas fontes de investimentos nas últimas semanas, mas não recebeu ofertas de empresas farmacêuticas ou de outras companhias locais ou estrangeiras. A decisão de fechar foi feita em consideração a este fato.

(Trecho de edição matinal de um jornal, 15/3/2004)

 

COLAPSO DA SUBSIDIÁRIA UMBRELLA JAPÃO

Memorando sobre o fim da corporação (14/3/2004)

Este é um memorando para informá-los da decisão tomada na reunião de diretores no dia 10 de Março. Decidimos fechar nossa companhia devido à falência declarada pela sede de nossa companhia, a Umbrella.

Nós reconhecemos o trabalho árduo de todos os nossos funcionários para manter o empreendimento rentável, mas com a estagnação de nossas vendas após o incidente de 1998 na cidade de Raccoon, nos EUA, e nossa sede sendo declarada culpada em diversos processos, nós julgamos ser impossível continuar nossa produção.

Estivemos procurando diligentemente por uma nova companhia para a qual pudéssemos transferir nossos projetos, mas nossos esforços se provaram infrutíferos. Não temos escolha, senão fechar nossas portas.

A liquidação de itens da companhia será conduzida por Akitaka Igurashi (ex-diretor administrativo da Umbrella Japão).

Permitam-me tomar um último momento para agradecer a todos por seu trabalho árduo e apoio à nossa companhia até o fim.

Umbrella Japão, Inc.

Diretor Administrativo, Akitaka Igurashi


PROJETO T-A.L.O.S.

Em 1998, Wesker foi designado para a reivindicação do Complexo de Treinamento Administrativo da Umbrella que estava fechado, onde ele descobrira a respeito da epidemia planejada pelo renascido James Marcus. Wesker decidiu usar o incidente para se mudar para uma companhia rival. Quando o executivo da Umbrella, Coronel Sergei Vladimir, percebeu que Wesker pretendia traí-los, ele liberou a criatura Ivan, uma derivação do Tyrant T-103, para destruí-lo. Wesker causou uma explosão no complexo de treinamento e fugiu, frustrando os planos de Sergei.

Sergei decidiu não ir atrás de Wesker, optando, em vez disto, por executar sua própria missão confidencial no Complexo de Pesquisas Arklay. Sua intenção era a de recuperar o Projeto T-A.L.O.S. que havia iniciado com uma equipe de pesquisa de armas biológicas, e transferi-lo para seu país natal, a Rússia, para sua finalização.

O projeto T-A.L.O.S. era um plano para transformar o Tyrant T-102, usado no Incidente da Mansão, em uma nova geração de arma biológica. A criatura, chamada Talos T-011 por causa do guardião mítico de Creta, seria controlada por computador e equipada com armadura e armas pesadas apropriadas para derrubar tanques e helicópteros. A prioridade de Sergei era a recuperação deste Talos de testes.

Enquanto Wesker estava usando a equipe S.T.A.R.S. para recolher dados de combate de B.O.W.s, Sergei enviou todos os dados de pesquisa da Umbrella para o computador U.M.F.-013, depois usou a inteligência artificial defensiva, Red Queen (Rainha Vermelha), para proibir o acesso de Wesker. Ele, então, levou a Red Queen de volta com ele para a Rússia para continuar o desenvolvimento de Talos sob sua estrita supervisão.

O desenvolvimento aconteceria em um novo complexo localizado em uma usina abandonada da época da União Soviética. A Umbrella comprou o complexo como se fosse uma companhia fictícia, e então construiu um imenso complexo de pesquisas abaixo dele.

O Projeto T-A.L.O.S. continuou neste recém-construído “Complexo de Pesquisas da Umbrella no Cáucaso”, em uma tentativa de render lucros para a Umbrella em meio à queda de suas ações, garantindo uma posição na venda de B.O.W.s no mercado negro. Sergei usou as amostras e dados que recuperara do Complexo de Pesquisas Arklay, e seguiu em direção à finalização do projeto.

Infelizmente para Sergei, estas ambições seriam em vão. Elas seriam destruídas mais uma vez pelo traidor, Wesker.

Wesker viera sozinho ao complexo do Cáucaso, tanto para se vingar de Sergei quanto para seus próprios objetivos. Sergei libertou seus guarda-costas, os Ivans, mas Wesker os derrotou sem esforços. Sem outros recursos, Sergei se injetou com o T-Virus, transformando-se em um monstro de poder opressivo em uma tentativa final de destruir Wesker.

Wesker, por outro lado, já havia recebido de si mesmo habilidades sobre humanas, usando uma forma aprimorada do T-Virus desenvolvida por Birkin. O resultado foi um incrível confronto entre dois oponentes sobre humanos, algo nunca visto antes no mundo. Quando a poeira da batalha brutal baixou, foi Wesker quem saiu vitorioso, acabando para sempre com os sonhos de Sergei de reviver a Umbrella. Tudo estava de acordo com sua filosofia: “A única coisa que pode derrotar o poder é mais poder.”

Wesker recuperou seu acesso ao U.M.F.-013 e roubou o Arquivo da Umbrella, uma coleção de todos os dados acumulados pela Umbrella ao longo dos anos. Ele, então, apagou todos os backups de dados do U.M.F.-013, e com seu habitual ar de calma, deixou o complexo de pesquisas.

RED QUEEN (RAINHA VERMELHA)

A Red Queen era uma Inteligência Artificial defensiva que habitava o supercomputador da Umbrella, U.M.F.-013. Ela desempenhava passivamente suas tarefas dentro da rede mundial da companhia, mas durante emergências assumia um papel ativo, executando ataques físicos ou cibernéticos para proteger seu sistema e seus dados. Seus objetivos primários de defesa são:

  1. O controle de complexos da Umbrella e recursos financeiros.
  1. A proteção dos executivos da Umbrella.

A Red Queen também podia controlar remotamente o protótipo Talos Tyrant, graças a um chip de computador implantado no cérebro dele pelo executivo da Umbrella, Sergei.

O U.M.F.-013 era o décimo terceiro supercomputador no abrigo subterrâneo de Raccoon. Seu mainframe possuía um backup de todos os dados acumulados pela Umbrella, conhecido como “Arquivo da Umbrella”. Os dados contidos neste arquivo eram tão extensos que diziam que, enquanto o backup existisse, a restauração da Umbrella ainda era teoricamente possível.