Livro Traduzido | Resident Evil Archives Vol. II

RESIDENT EVIL 4

PRÓLOGO: BATISMO NA EUROPA

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Um carro sujo desce por uma estrada na montanha. O inverno ainda era um aviso distante, mas as árvores dos dois lados da estrada estavam desfolhadas, envoltos em tapetes de folhas mortas.

A melancólica melodia Flamenca no carro parecia combinar bem com a monótona paisagem. Leon S. Kennedy estava sentado no banco de trás, contemplando a vista.

“Ei, quem é você mesmo?”

O policial mais velho no banco de passageiro se dirigiu a Leon. O policial mais jovem no volante olhou para cima quando ele falou. Eles haviam sido contratados para levar Leon ao seu destino, uma certa vila na zona rural.

“Acho que este é um jeito local de quebrar o gelo. De qualquer forma, vocês sabem do que se trata. Minha missão é procurar a filha desaparecida do Presidente.”

“O quê, sozinho?”

“Tenho certeza de que vocês não iriam comigo, para que pudéssemos cantar juntos ao redor de uma fogueira de algum acampamento de escoteiros. Ou talvez me acompanhassem.”

O policial mais velho riu, mas não falou mais nada.

“É uma ordem direta do chefe. Posso te dizer que não é moleza.”

“Estou contando com vocês.”

O policial mais velho apenas sorriu e deu de ombros.

O carro passou por uma ponte de madeira, e então parou. O policial ao volante apontou para um pequeno caminho pela mata. Era possível ver casas rurais depois das árvores.

“Logo à frente fica a vila.”

Leon já estava partindo sozinho quando recebeu uma transmissão de rádio de seu apoio do quartel general.

“Eu sou Ingrid Hunnigan. Serei seu apoio nesta missão.”

“Então o nome dela é Ashley Graham, certo?”

“Exatamente. Ela é a filha do Presidente.”

Vários dias antes, um misterioso grupo havia raptado Ashley em sua universidade, em Massachusetts. Leon havia acabado de ser designado como guarda-costas de Ashley, então o Presidente confiou a ele a missão de resgatá-la. Sua única pista era o relato de uma testemunha ocular, de uma gangue vestida de preto levando uma garota, que se encaixava na descrição dela, para uma vila logo à frente.

“Eu tentarei descobrir mais informações sobre eles por minha conta também.”

Leon finalizou a transmissão. Ele decidiu começar com a primeira casa que encontrara.

A casa parecia bem deteriorada, como se não tivesse sido habitada há anos. Um homem que parecia ser o dono estava fazendo fogo em uma lareira. Leon o chamou, mas o homem não se virou. Leon se aproximou dele, e lhe mostrou uma foto de Ashley Graham.

“Será que o senhor reconheceria a garota nesta foto?”

O homem desviou os olhos da lareira. Deu uma olhada na foto, e então começou a resmungar furiosamente com Leon. Leon não conseguia entender o que ele estava dizendo, mas é óbvio que o homem queria que ele fosse embora.

“Desculpe por incomodá-lo.”

Assim que ele se virou para ir embora, um tremor tomou a sala. Leon sentiu alguém atrás dele – alguém atrás de sangue.

Ele se esquivou, depois rolou para frente. O homem sacudiu o machado em sua direção, acertando suas costas de raspão e rasgando o ar com força. Leon se virou e empunhou sua 9mm automática. Ele deu um aviso ao homem:

“Pare!”

Os estranhos incidentes com os quais lidera ao longo dos anos surgiram em sua mente. Ele já havia sido atacado antes por civis normais, mas eles eram cadáveres ambulantes infectados com T-Virus. Os olhos deste homem tinham um vermelho não natural, mas ele não parecia como qualquer zumbi que Leon já havia visto.

“Eu disse para parar!”

O homem gritou e levantou mais o seu machado.

Leon puxou o gatilho. A bala furou o homem, levando-o ao chão sem se mover. Leon ouviu um motor roncando lá fora, seguido pelo som dos policiais gritando, e um estrondo violento. Isto não devia ser bom. Ele saiu e viu que a ponte havia sido derrubada, com fumaça preta vindo lá de baixo. Ele olhou pela beirada do precipício e viu o caminhão e a viatura em ruínas. Não havia sinal dos policiais.

Este era a primeira amostra da loucura que Leon estava prestes a enfrentar…

-2-

A praça da vila era cheia de casas de pedra. Mulheres carregavam água, enquanto os homens empilhavam montanhas de feixes, que eles haviam cortado à mão com suas foices. Gado e galinhas também podiam ser vistos.

No centro da praça havia um poste de aproximadamente 3m de altura. O policial mais velho estava amarrado a ele, pendurado sem firmeza, enquanto chamas estalavam do monte de feixes sob seus pés.

Leon observou a cena através de seus binóculos, depois começou a andar em direção à vila novamente. Em uma casa ele encontrou uma montanha de ossos descorados – de visitantes queimados no poste, e aldeões que foram contra a maioria. Se esta cidade realmente tinha algo a ver com o desaparecimento de Ashley… então Leon não tinha tempo a perder.

Enquanto Leon andava lentamente pela vila, ele subitamente deu de cara com um aldeão, que apontou para Leon e gritou. Aldeões começaram a vir até ele, de todas as direções. Eles não atacavam individualmente, mas coletivamente em pequenos grupos, como se a multidão fosse feita de partes de um único predador.

“Quem são estas pessoas?”

Leon correu para se esconder em uma casa próxima dali.

Os aldeões ficaram batendo na porta. Alguém acionou um motor lá fora, e Leon viu um aldeão carregando uma motosserra. Outros aldeões estavam erguendo escadas para chegarem às janelas do segundo piso. Como se não fossem estranhos o bastante, suas habilidades de solução lógica de problemas eram verdadeiramente assustadoras. Ele estava encurralado como um rato.

Leon disparou bala atrás de bala, mas para cada aldeão que caía, uma nova leva chegava para substituí-los. A situação estava piorando a cada minuto. Ele tinha que encontrar uma maneira de sair dali…

Ele ouviu um som… o sino da igreja estava tocando. Leon observava incrédulo o monte de aldeões parava, se virava e murmurava para eles mesmos, enquanto iam juntos em direção a um prédio que levava para a cidade.

Leon ficou sozinho na praça da vila. Além dele, os restos chamuscados do policial chamejavam na chama se extinguindo.

CAPÍTULO 1: O CULTO DOS LOS ILLUMINADOS

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Leon procurou na vila de casa em casa, e encontrou um bilhete em uma velha cabana. Fotos dele estavam grudadas a ele.

O bilhete falava de um agente americano que recentemente vinha fazendo perguntas sobre a vila. Ele incluía um aviso para não deixar o agente entrar em contato com “o prisioneiro”.

O prisioneiro em questão estava sendo mantido em uma velha casa depois da fazenda, mas preparativos estavam sendo feitos para transportar o prisioneiro ao vale, para monitorá-lo mais de perto. O bilhete enfatizava a importância de manter o americano bem longe.

Ele estava assinado pelo chefe da vila, Bitores Mendez. Se o prisioneiro em questão fosse Ashley, ele sabia que teria que chegar até ela antes que eles a tirassem de lá.

Leon seguiu pelas fazendas, tomando cuidado para não ser visto.

Finalmente, ele encontrou a velha casa e a invadiu. Ele ouviu algo se debatendo em um armário perto dos fundos. Ele o abriu, e um homem latino de cabelos escuros caiu de dentro dele. Enquanto Leon o desamarrava, o homem latino perguntou.

“Você… não é como eles?”

“Não. E você?”

Libertado das amarras, o homem estralou seus dedos. Eles estavam cobertos de anéis brilhantes, que pareciam fora de contexto para uma vila tão retirada.

Leon pensou novamente no bilhete que encontrou na vila. Se este homem fosse o “prisioneiro” em questão, ele devia ser inimigo da vila… mas isto não fazia dele um aliado de Leon. Ele teria que ser cauteloso. Ele suspeitava que o homem achava o mesmo a respeito dele.

O homem falou novamente.

“Eu só tenho uma pergunta muito importante. Você tem um cigarro?”

A impropriedade desta pergunta assustou Leon que, em vez disto, logo lhe ofereceu cigarro. Parecia que ele teria um longo caminho pela frente antes de obter respostas de verdade.

A conversa deles foi interrompida pouco depois pelo surgimento de dois aldeões carregando ferramentas de fazenda. Mas a atenção do latino estava focada atrás deles. Ele falou sarcasticamente.

“Perfeito.”

Atrás dos aldeões estava um homem imenso vestido com um sobretudo desbotado. Havia uma longa barba em seu rosto, um estranho contraste com sua cabeça completamente careca. Leon continuou em silêncio e o observando, cuidadosamente.

O latino cochichou.

“O chefão.”

Em outras palavras, este era o chefe Mendez da vila. Leon lançou um chute contra ele, mas Mendez agarrou seu pé com sua palma direita, e o atirou sem esforços no ar. Leon caiu com força contra a parede. Sua consciência se esvaiu.

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Sonhos são coisas fugazes. Através da cortina da inconsciência, Leon viu um velho homem vestido com um robe, carregando um bastão. Ele parecia uma espécie de mágico de um conto de fadas. O mágico falou.

“Humanos medíocres…”

Sua voz ressoava na mente de Leon.

“Vamos lhe dar o nosso poder.”

Ele sentiu uma dor em seu pescoço, como uma picada de agulha.

“Logo, você será incapaz de resistir a este… poder intoxicante.”

Leon pensou consigo mesmo em seu sonho. “Que magia é esta? O que eles injetaram em mim?”

Quanto voltou a si, Leon se viu em uma velha casa. Suas mãos estavam amarradas para trás, presas às mãos do latino. Ele havia acordado de seu pesadelo… mas a realidade não era muito melhor.

“Ei, acorda.”

O latino resmungou uma resposta.

“Saio de um buraco, e entro em outro. Americano, sí? Afinal, o que traz um sujeito como você a esta parte do mundo?”

“Meu nome é Leon. Eu vim aqui em busca desta garota. Você a viu?”

Enquanto Leon se apresentava, ele mostrava ao homem uma foto de Ashley.

“Deixe-me adivinhar. Ela é a filha do Presidente?”

O homem latino disse que ouvira os aldeões falando da filha do Presidente. Ele especulou que ela poderia estar trancada na igreja. Enquanto Leon pensava a respeito, perguntou ao latino sobre ele.

“Me llamo Luis Sera. Eu era policial em Madri. Agora sou apenas um zé-ninguém, que é o cara das mulheres.”

Ele podia estar falando de Leon mesmo. Leon contou a ele que também havia sido um policial, apenas por um dia.

“De alguma forma eu acabei me envolvendo com o incidente na cidade de Raccoon, no meu primeiro dia como policial.”

“Este foi o incidente da epidemia viral, certo?”

Leon concordou, e Luis continuou.

“Acho que vi uma amostra do vírus em um laboratório no departamento.”

Ele parou. Um aldeão havia entrado no abrigo, coberto com sangue e carregando um enorme machado.

“Faça alguma coisa, policial.”

O aldeão se virou na direção deles, erguendo o machado.

“Depois de você!”

Os dois se curvaram para frente e estenderam seus braços. Quando o machado caiu, cortou as amarras que os prendiam. Leon facilmente lidou contra os aldeões que vieram em reforço, mas quando olhou para cima, Luis havia ido embora.

Só havia um lugar para Leon ir. Ele deixou a velha casa para trás.

-3-

Leon estava seguindo para a igreja quando encontrou uma grande mansão. Era escrupulosamente bem conservada, pelo qual ele logo deduziu que provavelmente fosse a casa do chefe. Entrando por uma janela dos fundos, ele se viu em uma sala que parecia tanto com sala de estudos quanto com quarto. Havia um bilhete na escrivaninha.

Como instruído por Lorde Saddler, estou com o agente confinado, vivo. Por que mantê-lo vivo? Eu não entendo totalmente quais são as intenções do Lorde.

Se por alguma razão uma terceira parte estiver envolvida, não acho que eles deixariam uma chance destas escapar.

Leon especulou que a terceira parte envolvida poderia ser outro grupo agindo contra eles. Enquanto olhava pela sala, um retrato chamou sua atenção. Havia algo familiar nela.

Era um homem de capa, o feiticeiro de seu sonho…

Ele ouviu um som. Mais alguém estava na mansão. Leon empunhou sua pistola automática e saiu no corredor. Uma mão o segurou por trás, fazendo Leon derrubar sua arma. O grande homem de casaco começou a levantá-lo pelo pescoço.

Leon sentiu sua consciência se esvaindo. Tudo estava ficando vermelho.

“Você carrega o mesmo sangue que nós, ao que parece.”

Com estas palavras, Mendez repentinamente jogou Leon no chão. Havia um ar de sarcasmo em sua voz quando ele falou de novo.

“No entanto, você é um intruso. Apenas se lembre, que se você virar um aborrecimento para nós, encarará severas conseqüências…”

Quando Leon olhou para cima de novo, Mendez já havia ido embora, desaparecido para dentro do quarto.

Pouco depois, ele recebeu uma chamada. Hunnigan vinha pesquisando um culto religioso que chamava a vila de lar. Eles eram a gangue de vestes pretas que havia abduzido Ashley.

“Eles se chamam Los Illuminados.”

Leon contou sobre seu encontro com o chefe da vila Mendez para Hunnigan.

“Ele poderia ter me matado, mas me deixou viver. E mencionou algo sobre eu carregar o mesmo sangue que eles. Seja lá o que isto significa.”

Leon finalizou a chamada, e voltou a seguir para os andares inferiores da mansão. Então, ele parou. Mendez ainda estava no quarto. Ele tinha que encontrar a igreja o mais rápido possível, e seria mais rápido se ele conseguisse a informação do paradeiro de Ashley com Mendez. Esta era a sua chance de pegá-lo desprevenido. Leon deu meia volta, e abriu a porta do quarto.

Mendez estava esperando por ele. O grande homem foi atrás dele com passos suaves, jogando Leon no chão, e apertou seu pé direito contra seu peito. Conforme ele pressionava mais, Leon ouvia suas costelas estalando.

Houve um disparo, e o som de vidro quebrando. Mendez se virou na direção da janela, soltando Leon. Do lado de fora da janela, havia uma mulher com um vestido vermelho mirando uma arma na direção dele. Mendez arrebentou a janela ao tentar pegá-la, mas a mulher já havia desaparecido.

A sala ficou quieta de novo. Aquela mulher… memórias correram pela mente de Leon, mas ele sabia que não havia tempo a perder com sentimentalismo.

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Leon encontrou a igreja. Ela estava completamente silenciosa, e a porta estava bem trancada. Ele precisaria de uma chave para entrar. Forçar a entrada poderia colocar Ashley em perigo ainda maior. Leon tinha um novo objetivo: ele tinha que buscar a chave na vila.

Dois aldeões estavam pilotando um pequeno barco no lago nevoento. Eles estavam com o corpo do policial jovem, o qual eles atiraram na água. As ondulações ao redor do corpo flutuando de repente se transformaram em ondas, quando uma enorme criatura de pele cascuda saltou à superfície. A criatura meio salamandra devorou o corpo do policial, depois mergulhou de novo com um rosnado. Hora de comer, ao que parecia.

Leon chegou até a margem, e entrou em um barco.

Então surgiu diante dele no lado nevoento: A grande criatura saiu da água, tentando devorar o barco. Leon a apunhalou com arpões, e quando a batalha terminou, ela caiu de volta na água.

Leon desembarcou na outra margem, seguindo para uma pequena cabana. Lá, ele foi tomado por uma dor súbita correndo por seu peito. Ele tampou sua boca e tossiu, e viu sangue na palma de sua mão. De repente, seu corpo ficou pesado. O mundo ao seu redor ficou preto. Suor frio desceu por sua testa. Assim que passou pela porta, ele perdeu as forças e desmaiou no chão.

Havia algo se contorcendo dentro de seu corpo, se mexendo por seu peito, estômago, e descendo por suas pernas. Aquela sensação de violação era ainda mais aterrorizante do que a dor. Leon olhou para suas mãos. Veias vermelhas e azuis formavam linhas visíveis em seus braços. Elas aumentaram, se espremendo pela pele, e então…

Ele ouviu um grito. Leon se sentou, e percebeu que havia sido ele mesmo. Ele esteve inconsciente na pequena cabana.

Ele contatou Hunnigan na base e explicou a situação. Ela lhe disse que ele ficou fora de contato por pelo menos seis horas.

“Comecei a me sentir tonto. Então, acho que devo ter perdido a consciência.”

“Talvez isto tenha alguma ligação com o que o chefe da vila estava falando.”

As palavras de Hunnigan lembraram Leon de seu estranho sonho, mas ele sabia que não podia parar para pensar nisto. Ele tinha que correr e encontrar Ashley. Logo que terminou a chamada, notou um pedaço de papel na cabana. Alguém havia deixado uma carta para Leon. Ela lhe dava a localização da chave da igreja onde Ashley estava presa. Havia a seguinte frase como observação:

Sobre o que está acontecendo com seu corpo… Se eu pudesse ajudá-lo, eu o faria. Mas, infelizmente, está além de meu poder.

Leon olhou para baixo de novo, para a mão que segurava a carta. Ela ainda estava suja de sangue.

CAPÍTULO 2: O HORROR DO SANGUE

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A capela era uma sala simples. Uma estreita sacada se estendia pela circunferência externa, com dois portões de ferro bloqueando o caminho. Leon descobriu o mecanismo para destrancar os portões, e abriu a porta à frente deles.

Dentro havia o que parecia ser um pequeno depósito. Uma garota de cabelos louros estava parada ali: Ashley. Quando ele a chamou, ela imediatamente jogou uma tábua em sua cabeça.

“Não chegue perto!”

Leon ficou ciente da arma em sua mão. Depois de ser raptada e arrastada por meio mundo por um culto assustador, era natural que ela ficasse com medo quando um estranho apareceu segurando uma arma. Leon a guardou no coldre, e falou com ela novamente.

“Meu nome é Leon. Estou sob ordens do Presidente para resgatar você.”

“O quê? Meu pai?”

Seus olhos brilharam com uma esperança infantil enquanto ela olhava para Leon. Ele puxou seu rádio e informou Hunnigan de que estava com Ashley sob sua proteção.

“Bom trabalho, Leon. Eu enviarei um helicóptero imediatamente.”

O ponto de retirada era em um lugar ao nordeste das fazendas da vila.

“Entendido. Estou a caminho.”

Leon tirou Ashley da sala e entraram na capela. Mas enquanto desciam as escadas em direção à saída, eles ouviram uma voz vinda de trás deles.

“Eu ficarei com a garota.”

O interlocutor era um homem vestido com uma capa roxa, carregando um bastão, como um mágico.

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“Meu nome é Osmund Saddler, sou o mestre desta bela… comunidade religiosa.”

Os retratos que vira por toda a cidade. O mágico de seu sonho. Era o homem que estava diante dele agora: Saddler.

“O que você quer?”

“Demonstrar ao mundo todo o nosso incrível poder, é claro. Os Estados Unidos não irão mais achar que podem mandar no mundo para sempre. Então, raptamos a filha do Presidente, para dar a ela nosso poder, e depois mandá-la de volta.”

Atrás de Leon, Ashley murmurou em reminiscência chocada.

“Leon, acho que eles injetaram alguma coisa no meu pescoço.”

“O que vocês fizeram com ela?!”

“Nós apenas colocamos um pequeno… presente. Oh, haverá uma baita festa quando ela voltar para casa de seu querido pai.”

Saddler baixou sua voz e continuou.

“Acho que me esqueci de lhe dizer que lhe demos o mesmo presente.”

Tudo voltou à tona para ele. Aquele horrível pesadelo… a picada de agulha.

“Eu realmente espero que vocês gostem de nossas pequenas, porém especiais contribuições. Quando os ovos eclodirem, vocês se tornarão meus fantoches.”

Leon não queria acreditar, mas se lembrava muito bem do comportamento suicida dos aldeões.

Logo em seguida, dois homens encapuzados apareceram, cada um carregando uma besta com flechas de fogo. Leon agarrou a mão de Ashley e a puxou, arrebentando uma janela suja e caindo fora da igreja.

Do lado de fora, a chuva estava caindo. Ashley permaneceu no chão molhado por um momento, depois olhou para ele com medo.

“Leon, o que vai acontecer com a gente?”

A resposta de Leon era tanto para ele mesmo quanto para ela.

“Não se preocupe. Nós entramos nesta confusão, nós iremos sair.”

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Seguindo pelo caminho à direita da igreja, eles enfrentaram hordas atrás de hordas de ataques de aldeões. Leon queria avançar o mais rápido possível, mas a presença de Ashley tornava isto difícil. Ainda assim, ela se mostrou mais forte do que ele esperava, e até o ajudou a passar por alguns obstáculos.

Foi então que Hunnigan o contatou com más notícias.

“Perdemos contato com o helicóptero. Alguém deve tê-lo abatido, mas não sabemos determinar quem.”

“Ótimo…”

“Estamos preparando outro helicóptero para vocês. Enquanto isto, quero que sigam para o ponto de extração.”

Não era só perder o helicóptero que o incomodava. Era a ideia de que alguém sabia cada passo deles. Ele estava imaginando se poderia haver algum vazamento no departamento de informação do governo.

Depois que passaram por uma ponte, eles viram uma multidão de aldeões se reunindo. Uma multidão segurando tochas também vinha de trás. Eles buscaram abrigo em uma cabana próxima, onde são recebidos por uma voz masculina.

“Mundo pequeno, hein?”

Era Luis. Ele jogou o ferrolho da porta para Leon, e começou a falar, seus olhos em Ashley.

“Vejo que o Presidente equipou sua filha com balística também.”

“Que rude! E eu não acredito que haja qualquer relevância nisto. Quem é você?”

“Perdão, Vossa Alteza. Talvez a senhorita queira se apresentar primeiro, antes de perguntar o nome de alguém?”

Mesmo em um momento como aquele, ele ainda fazia piada. Devia ter o sangue latino.

“O nome dela é Ashley Graham. A filha do Presidente?”

Leon percebeu que Luis se concentrava intencionalmente nos olhos de Ashley. Ele murmurou em voz baixa para ele.

“Não se preocupe. Ela está bem.”

Luis devia saber algo sobre a coisa que inseriram em Ashley e Leon. Era por isto que o culto Los Illuminados estava atrás dele.

“Ahh, deixa para lá. Deve ser algum sintoma típico antes de se transformar em um deles…”

“Olhem!”

Ashley cortou Luis antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Luzes de tochas estavam tremeluzindo pelas janelas. Os aldeões haviam cercado a cabana, preparando-se para entrar.

“Ashley, lá para cima!”

Luis foi para o lado de Leon, enquanto se preparavam para a entrada dos aldeões. Ele tinha uma antiga pistola de exército em sua mão.

“Certo… é hora do jogo.”

Os aldeões esmurravam a porta e entravam pelas janelas. Leon ouvia escadas sendo erguidas para o andar superior. Eles estavam entrando em hordas por qualquer lugar por onde pudessem, mas os dois homens resistiam, com Luis provando a si mesmo que era capaz de lutar.

O sino tocou – Não, era só um trovão? Os passos vindos de cima começaram a ficar distantes da janela, e o brilho das tochas recuou na distância. Quando Leon baixou sua arma, Luis se virou para ele.

“O que fazemos agora?”

“A ponte que atravessamos para chegar aqui já era, então acho que não temos escolha, senão continuar indo em frente.”

Luis olhou nos olhos de Leon, depois se virou para a porta e começou a andar. Ele falou indiferente por cima do ombro.

“Eu me esqueci de uma coisa. Vocês podem continuar.”

Leon deu um passo para segui-lo fora da cabana, mas Luis já estava fora de vista. A névoa da noite se movia lentamente em torno deles.

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Leon e Ashley continuavam seguindo para o ponto de extração, quando encontraram um local de aparência suspeita. Leon mandou Ashley esperar do lado de fora, então abriu a porta de ferro e entrou. Lá dentro, parecia um matadouro. O lugar parecia abandonado. Ferramentas de fazenda, palha, madeira e latas de metal por todo lado.

Leon sentiu algo o espreitando pelas costas. Ele se virou a tempo de uma mão imensa agarrar sua garganta. O dono da mão era o grandalhão de casaco, Bitores Mendez.

Mendez jogou Leon pelo ar em direção a uma das colunas de apoio. Ele, então, aproximou-se de Leon, a mão direita levantada. Leon desviou do golpe e chutou um dos tambores de metal. Gasolina derramou do chão, molhando os pés de Mendez.

“Hasta luego.”

Leon atirou no combustível, espalhando uma onda de fogo pelos pés de Mendez. A chama aumentava, tomando seu casaco. A lata explodiu com um som ensurdecedor.

No centro do inferno, o corpo de Mendez passava por uma bizarra transformação. Seu tórax esfarrapado começou a subir, apoiado por uma coluna espinhal alongada. Duas protrusões em forma de cauda de escorpião saíram de suas costas. Era como se houvesse algo dentro dele que só agora estava mostrando sua forma real.

Leon se afastou de Mendez e disparou uma série de tiros na coluna espinhal do monstro. A espinha se rompeu com a força dos tiros, deixando Mendez caído no chão ardente em duas partes.

Porém, não estava terminado ainda. Uma sombra negra surgiu das chamas – a parte superior de Mendez. Usando as protrusões em suas costas, ele se pendurou nas vigas, olhando para Leon com os olhos sem vida. Ele realmente era persistente. Mendez se lançou em direção a Leon, golpeando-o com uma de suas presas de escorpião. Leon se retraiu de dor quando a ponta arranhou sua lateral, mas rolou pelo chão e descarregou sua arma nele.

Com um último urro de agonia, Mendez finalmente parou de se mexer. Olhando para baixo, para seu semblante não humano, Leon relembrou as palavras que ele havia dito:

“Você carrega o mesmo sangue que nós.”

Estas palavras pareciam se prender à sua mente.

CAPÍTULO 3: O PEQUENO DEMÔNIO, RAMON SALAZAR

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Seus perseguidores eram incansáveis, e o calor das tochas aumentava em suas costas. Leon e Ashley conseguiram fugir por pouco e se abrigaram em um castelo nos arredores. Enquanto passavam pela área principal, de repente, ouviram uma voz atrás deles.

“Leon!”

Era Luis.

“Tenho uma coisa para vocês.”

Ele tocou os bolsos furtivamente, e então resmungou alto.

“Droga! Eu devo ter deixado cair quando estava fugindo deles.”

“Deixou cair o quê?”

“Um remédio que vai parar suas convulsões.”

Estava claro que Luis sabia bastante sobre o que estava infectando os aldeões.

“Olha, eu sei que vocês estão infectados. Vocês estão tossindo sangue, certo?”

Luis estava sendo completamente direto agora, sem fazer as piadas de antes. Leon murmurou afirmativamente, e Luis fez a Ashley a mesma pergunta.

“Sim.”

“Os ovos eclodiram. Não temos muito tempo.”

As palavras dele trouxeram à mente o que Saddler dissera na igreja – sobre “plantar” neles um “presente”.

“Do que você está falando?”

“Eu tenho que voltar e pegar.”

“Por que você -”

Luis repeliu a pergunta.

“Me faz sentir melhor. Vamos deixar assim.”

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Assim que entraram no salão principal do castelo, eles foram recebidos por uma risada aguda. Uma figura estava olhando para eles do terraço do segundo andar; um pequeno homem, vestido como um nobre renascentista. Ele era escoltado por dois homens encapuzados que pareciam agir como seus guarda-costas.

“Quem é você?”

“Me ‘llamo’ Ramon Salazar, o oitavo castelão desta magnífica arquitetura. Eu fui honrado com o prodigioso poder do grande Lorde Saddler.”

Observando melhor, Leon percebeu que o rosto de Salazar era coberto de rugas. Ele parecia um velho no corpo de uma criança – um mestre apropriado para o velho castelo assustador.

“Eu os estava esperando, meus irmãos.”

“Não, obrigado, ‘mano’.”

As palavras de Salazar perturbaram Leon. Elas pareciam indicar que o parasita dentro dele tinha uma ligação com o homenzinho horripilante.

“Minha nossa, temos um mal-humorado aqui.”

Ele claramente gostava de provocá-los.

“Se você se preocupa com o seu próprio bem estar, sugiro que vocês se rendam e simplesmente… se tornem nossos reféns. Ou, Sr. Scott, você pode nos entregar a garota, porque você não vale nada, lamento. Você pode morrer.”

Salazar soltou uma gargalhada, e então desapareceu com seus serviçais encapuzados. Leon o observava indo embora, fervendo de raiva. Ashley falou.

“Eu nunca vou me transformar em um deles! Nunca!”

Seus olhos se encheram de lágrimas, e Leon subitamente se sentiu envergonhado pelas expectativas que colocara nela. Não importa o quanto ela agia bravamente, ela ainda era apenas uma garota, lutando contra um terror sem nome e invisível dentro dela. Sob as circunstâncias, ela vinha sendo extraordinariamente corajosa.

“Pode ter certeza disto. Vamos encontrar uma cura.”

Sua resposta foi gentilmente tranquilizante.

-3-

O castelo era um labirinto cheio de cultistas armados. Leon e Ashley progrediam lentamente pelas salas e passagens, mas não havia como saberem qual caminho eles deveriam seguir até estarem seguros.

Enquanto desciam por um longo salão, Ashley logo começou a tossir. Ela colocou uma mão sobre a boca, e sangue escorreu entre seus dedos.

“Você está bem?”

Leon colocou a mão no ombro de Ashley, mas ela o afastou. O medo que a consumia finalmente se tornou demais para suportar.

“Estou bem! Me deixa em paz!”

Ashley começou a correr pelo salão. De repente, uma fileira de espetos se ergueu do chão entre ela e Leon, separando-os com suas barras de metal.

Fileira após fileira se erguia, forçando Ashley a fugir pelo corredor. Assim que ela chegou à parede, correntes de metal surgiram, prendendo-a antes de puxá-la para o outro lado. Leon podia ouvir seus gritos do outro lado da parede. Ele gritou.

“Não se preocupe, Ashley! Eu vou atrás de você!”

Seu transmissor vibrou. Leon rapidamente atendeu.

Ele foi recebido com uma gargalhada aguda.

“Salazar! Como você…”

“Nós interceptamos a linha. Não queríamos que você contasse a ninguém qualquer informação desnecessária…”

“Cadê a Ashley!?”

“Ah… Então ela caiu em uma de nossas maravilhosas armadilhas. Vamos garantir que a encontraremos. Não se preocupe com ela.”

Leon sabia que sua primeira prioridade era a de salvar Ashley. Ele cuidaria de Salazar depois.

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Leon seguiu para onde Ashley estava esperando por ele, passando pela rede complexa de armadilhas do castelo e por ataques esporádicos dos cultistas. Em seu caminho, ele descobriu alguns documentos interessantes a respeito dos experimentos dos pesquisadores com os parasitas.

O culto Los Illuminados chamava os parasitas de “Las Plagas”, e aqueles implantados com eles de “Los Ganados”. Parecia que os cultistas haviam começado a pesquisar as Plagas depois de exumar seus restos fossilizados no subsolo do castelo. Leon não podia evitar em notar que muitos dos documentos citavam o nome de Luis.

Ele buscava por uma casa de hóspedes na ala esquerda do castelo, quando de repente sentiu uma arma em suas costas.

“Coloque as mãos onde eu possa vê-las.”

Era uma voz de mulher.

“Desculpe, mas seguir as ordens de uma moça não faz meu estilo.”

“Para cima. Agora.”

Ela teria que ser uma oponente formidável para espreitá-lo despercebida pelas costas – mas se realmente quisesse matá-lo, já o teria feito.

Leon se virou, agarrando sua oponente com uma chave de braço, enquanto puxava sua arma. A mulher golpeou, abaixando seu corpo para se soltar e chutar a arma, então girou para frente para pegar a arma de seu coldre inferior. Mas logo que ela o pegou e se virou para ele, sentiu uma linha afiada de metal gelado em seu pescoço. Era a faca de Leon.

“Conselho, tente usar facas da próxima vez. Funcionam melhor em confrontos corpo a corpo.”

Diante dele estava uma bela mulher de cabelos negros em um vestido vermelho – alguém familiar.

“Leon. Há quanto tempo.”

“Ada…”

Ada Wong, a mulher mistério. Eles haviam lutado juntos há seis anos, durante a epidemia de T-Virus em Raccoon. Ela se jogara na frente de um ataque que atingiria Leon. Ele pensava que ela havia morrido por ele naquele dia…

Mas, depois, quando começou a realizar missões para o governo dos EUA, ele começou a ouvir rumores sobre uma mulher cujas descrições batiam com as de Ada. Ele não tinha dúvidas de que a mulher diante dele era Ada em pessoa.

“Então é verdade.”

“Verdade? O quê?”

“Você, trabalhando com Wesker.”

“Vejo que você fez o seu dever de casa.”

Albert Wesker havia sido o comandante da divisão de elite S.T.A.R.S. em Raccoon, mas vendera seus próprios homens para realizar suas ambições. Um homem infame nas sombras, seu nome surgia de tempos em tempos ligado a incidentes internacionais, geralmente epidemias do T-Virus.

O conhecimento de Leon sobre Wesker vinha não apenas de relatórios do governo, mas de testemunhos de alguns de seus amigos mais próximos. Era difícil acreditar que a Ada que salvara sua vida pudesse estar trabalhando com um homem deste tipo.

“Por que, Ada?”

“O que você tem com isso?”

Ada derrubou seus óculos escuros. Ela evitava o olhar dele, e olhava para o vazio.

“Por que você está aqui? Por que aparecer assim?”

Logo em seguida, seus óculos explodiram com uma luz, forçando Leon a cobrir seus olhos. Ela aproveitou a oportunidade para pegar sua arma do chão. Quando Leon se virou de novo, ela já estava com metade do corpo para fora da janela.

“Te vejo por aí.”

Com isto, ela desapareceu.

-5-

Leon estava em uma grande câmara próxima ao centro do castelo. Ele tinha certeza de que estava se aproximando do outro lado da parede de onde Ashley desaparecera.

“Leon!”

Ele se virou para ver Luis Sera. Luis levantou seus braços com um sorriso triunfante. Em sua mão esquerda, ele segurava uma cápsula.

O som de carne rasgando ecoou pela sala, e a cápsula caiu da mão de Luis. Uma lâmina do tamanho de sua cabeça estava saltada de seu peito, saindo de um grande tentáculo. Sangue jorrou do ferimento, quando o tentáculo ergueu mais o corpo de Luis.

“Luis!”

O tentáculo sacudiu o corpo de Luis, jogou-o sem cerimônias no chão e então recuou. Saddler estava parado atrás deles, o tentáculo se retraindo para dentro de seu robe.

Saddler pegou a cápsula do chão, e falou com satisfação.

“Agora que eu tenho a amostra, você não me serve para mais nada.”

“Saddler!”

“Meu garoto Salazar garantirá que você tenha o mesmo destino.”

Saddler sorriu desdenhosamente para Leon, e saiu da câmara. Leon correu até Luis, que estava agora deitado em uma piscina de seu próprio sangue. Leon falou com ele.

“Fique comigo, Luis.”

Luis tossiu, forçando as palavras.

“Eu sou um pesquisador… contratado por Saddler.”

Isto explicava por que ele sabia tanto sobre as Plagas.

“Ele descobriu o que eu estava planejando.”

“Não fale.”

Leon pressionou uma mão no ferimento para parar o sangramento, mas Luis apertou a lateral. Ele segurava uma garrafa de pílulas.

“Aqui. Isto deve segurar o crescimento do parasita.”

As pupilas de Luis dilataram. A luz estava deixando seus olhos. Com seu suspiro de morte, ele murmurou seu último desejo a Leon.

“A amostra… Saddler levou. Você tem que pegar de volta.”

-6-

Leon conseguiu soltar Ashley, mas conforme continuavam pelo castelo, um inseto humanoide a capturou. Leon deixou o castelo na perseguição, e visualizou uma torre alta à distância. Com seus binóculos, ele pôde ver Ashley sendo levada para a tosse, liderada por Salazar.

Quando Leon chegou no topo da torre, encontrou Salazar parado diante de um altar. Seu guarda-costas de capuz preto estava com ele, e seus olhos estavam concentrados em algo acima e além do altar. Ao perceber que Leon viera em busca de Ashley, Salazar se virou para ele, sorrindo como um garoto que havia acabado de fazer uma travessura.

“Ah, você chegou atrasado. O ritual acabou. Ela partiu com meus homens para uma ilha.”

Uma grande flor adornava a parede atrás do altar. Mas não era uma simples decoração – ela estava, na verdade, crescendo da parede! Tentáculos balançavam no ar ao redor de sua base.

“Acho que é hora de eu mostrar meu respeito à sua insistência impressionante.”

Os tentáculos envolveram Salazar e seu guarda-costas, e os carregou para dentro de uma massa central de pétala. As pétalas se fecharam e pulsavam de forma descompassada. Subitamente, um imenso tentáculo surgiu da flor aberta. Na ponta dele, havia uma face grotesca, que olhava para Leon com seu olho esquerdo absurdamente inchado. Na base dos tentáculos, Salazar havia se fundido com a flor, seu tronco saltando da própria flor.

“Monstros…”

A sala sacudiu violentamente, e outros dois tentáculos surgiram das paredes da torre. Era quase como se fosse um parasita infestando a torre toda.

“Acho que, depois deste, será um a menos com o qual se preocupar.”

Leon deslizou para longe dos tentáculos, revezando entre ataque e defesa. Ele mirou sua arma na cabeça de Salazar e puxou o gatilho.

A bala perfurou a testa de Salazar, fazendo seu corpo ir para trás como um fantoche que teve as cordas cortadas. Os tentáculos que saíam do corpo principal do monstro e cresciam da parede instantaneamente encolheram e caíram.

Talvez fosse isto que Salazar quisesse: tornar-se um mártir por sua fé. Leon manteve este último pensamento para ele, e então se levantou e partiu.

CAPÍTULO 4: CONFRONTO COM UM VELHO AMIGO

-1-

A vaga silhueta de uma ilha podia ser vista através da névoa do oceano à noite; ela ficava mais nítida conforme se aproximavam. Amanheceria logo. Leon sentou no assento do passageiro da lancha, observando os prédios industriais enfileirados nos rochedos.

A condutora da lancha era Ada Wong. Ela estava lá quando Leon surgiu na doca do castelo após derrotar Salazar. Era quase como se ela estivesse esperando por ele. Ele não perguntou se ela estava lá para ajudá-lo ou com outro objetivo. Ele só a observava de lado em silêncio pensativo.

“Tenho que cuidar de algumas coisas.”

Ada notou que Leon estava olhando para ela e girou rapidamente o leme, batendo a lancha na base do rochedo. Ela puxou sua arma de gancho do coldre na coxa e disparou o cabo na ponta do rochedo, chegando ao local em um instante.

“Te vejo mais tarde.”

A forma de Ada desapareceu na névoa. Leon pegou o leme em pânico, e então endireitou a lancha.

“Mulheres.”

Leon parou na ilha, e notou que era um campo de mineração. Enquanto ele seguia pelos caminhos internos, os trabalhadores vinham atacá-lo, com machados, arco e flechas, e dinamite. Não havia dúvidas de que eles estavam infectados com parasitas. Alguns tinham Plagas totalmente crescidas dentro deles e continuavam vivos mesmo depois de terem perdido suas cabeças.

Leon descobriu uma sala de controle dentro do prédio principal, e usou as câmeras de segurança para localizar o depósito onde Ashley estava sendo mantida. Avançando com determinação, ele encontrou um cartão-chave no que parecia ser um laboratório, e o usou para abrir sua cela improvisada.

“Leon!”

Ashley estava encolhida no canto. Quando viu Leon, ela sorriu e ficou de pé imediatamente.

“Você está bem?”

Ashley parecia calma. Ela acenou silenciosamente para ele. Parecia que eles ainda tinham algum tempo.

“Vamos lá, vamos sair daqui.”

-2-

A corrida continuava. A equipe lutava contra carrinhos de mineração, mergulhava em compactadores de lixo e passava por um grande número de situações difíceis. Ashley seguia as instruções de Leon, mostrando todo o caráter decisivo que se poderia esperar da filha do Presidente. Apesar de queixas ocasionais, ela entendia que ele sabia o que era melhor para ela.

Esperando por eles na passagem subterrânea de fuga estava Osmund Saddler. Ele parecia satisfeito enquanto olhava para eles.

“Eu posso senti-las, crescendo cada vez mais dentro de vocês.”

Leon sentiu seu ódio fluir ao ser lembrado da Plaga dentro dele. Quando Saddler levantou sua mão, uma dor incapacitante correu por seu peito, e ele caiu se contorcendo no chão.

“Talvez você possa resistir, mas não pode desobedecer.”

Saddler virou sua mão para Ashley.

“Agora, venha comigo, Ashley.”

A expressão de Ashley ficou vazia enquanto olhava para Saddler, e seus olhos ganharam o mesmo brilho vermelho dos aldeões. Ela começou a andar para frente, como se puxada por uma corda invisível.

Quando a dor de Leon cessou, os dois já haviam desaparecido. Ele se levantou com as pernas trêmulas, e percebeu que não podia mais negar a sua situação.

“Já começou…”

Enquanto Leon mais uma vez ia atrás de Ashley, ele acabou chegando a um imenso complexo subterrâneo. Parecia menos com uma mineradora e mais com um grande laboratório de pesquisas.

Ele sentiu alguém atrás dele e se virou… mas não havia ninguém. Então, sentindo um ataque vindo de cima, ele rolou para trás. Olhou a tempo de ver um homem com uma faca fincada no chão, onde ele estava. O homem se virou, e lentamente ergueu seus olhos para ele.

“Faz tempo, camarada.”

Leon conhecia o homem.

“Krauser…”

Jack Krauser. Ele e Leon já haviam lutado juntos como parceiros. Mas, pouco depois, Krauser havia…

“Eu morri em um acidente há dois anos. Foi isto que te disseram?”

Krauser tomou distância. Começou a circular Leon, como um predador rondando sua presa.

“Foi você quem raptou a Ashley.”

Krauser respondeu à pergunta de Leon com indiferença.

“Você entende rápido. Isto já era esperado. Afinal, eu e você sabemos de onde viemos.”

De repente, Krauser manejou sua faca, Leon desviou por pouco, e pressionou a sua própria faca no pescoço de Krauser. Krauser se jogou para trás para desviar, depois voltou a ficar de pé para avaliar seu inimigo novamente.

Este homem era um lutador profissional com facas, treinado pelo Exército dos EUA. Leon sabia que ele não seria um oponente fácil.

“O que você quer?”

“A amostra que Saddler desenvolveu, só isso.”

“Deixe a Ashley fora disso.”

“Oh, eu precisava comprar a confiança do Saddler. Assim como você, eu sou americano.”

A troca de ataques continuava. Os dois acabaram lutavam corpo a corpo, mas Krauser acabou com o aquecimento, girou e chutou Leon nas costas. Leon caiu, sua faca escorregando pelo chão. Krauser andou até Leon caído e murmurou para ele.

“Tudo pelo bem da Umbrella.”

“Umbrella?”

“Chega de conversa. Morra, camarada!”

Krauser saltou no ar e levou a faca na direção de Leon. Leon a segurou com as duas mãos, mas, com o peso de Krauser sobre ele, a ponta da faca já estava quase entrando em sua garganta.

Houve um disparo, e a faca de Krauser voou. Leon o chutou no estômago e se levantou. Krauser olhou para o local de onde o tiro viera, e falou, sua voz cheia de sarcasmo.

“Oras, se não é a vadia de vestido vermelho.”

Ada apontava a arma para ele. Krauser olhava de volta para ela em silêncio, depois se virando para Leon.

“Você pode até prolongar sua vida, mas não pense que escapará de sua morte inevitável.”

Logo após Krauser desaparecer, Ada foi até Leon, indagando.

“Vocês se conhecem?”

…e Krauser parecia conhecer Ada. Leon a pressionou por respostas.

“Talvez seja hora de você me contar o motivo de estar aqui?”

“Talvez outra hora.”

Com aquela resposta obtusa, Ada deixou a sala.

-3-

Em um túnel artificial, Leon encontrou um memorando que Krauser havia escrito para seus aliados. Ele explicava que a razão pela qual entrara para o culto Los Illuminados foi para obter uma amostra da Plaga. Krauser vinha trabalhando com Ada sob ordens de Wesker, então, em algum lugar, as coisas devem ter ficado estranhas entre eles.

Ele saiu do túnel e entrou nas ruínas de uma antiga cidade – imaginou se seus habitantes tiveram que lidar com aqueles parasitas abomináveis também.

“Então, vocês dois estão juntos agora, é isso?”

Era Krauser. Ele olhava para Leon de um lugar mais alto.

“Cadê a Ashley?”

“Você realmente quer saber? Ela está depois daquele portão.”

Krauser indicou uma porta de pedra perto do fundo das ruínas. Disse a Leon que ele precisaria de três insígnias para abrir a porta. Duas insígnias estavam escondidas nas ruínas.

“E me deixe adivinhar… você está com a última.”

Leon acertou: Krauser estava ali para resolver as coisas entre eles, de uma vez por todas. Ele recebera a ordem de se livrar de Leon, e com suas habilidades, o teria facilmente eliminado à distância. Mas Krauser não queria isto. Ele queria lutar com Leon de homem para homem, e iria – Leon querendo ou não. Era a única maneira de saber quem realmente era o melhor soldado.

Krauser preparou sua submetralhadora. Leon desviou dos tiros, correndo para recuperar as duas insígnias, e então perguntou a ele.

“O que você pretende fazer, restaurar a Umbrella?”

“Trazer ordem e equilíbrio a este nosso mundo insano.”

Ele estava falando sério? Com certeza, a verdadeira insanidade era usar vírus e parasitas para controlar humanos! Leon falou.

“Um psicopata como você não pode trazer ordem ou equilíbrio.”

“Você não acha mesmo que uma mente conservadora pode mostrar um novo curso ao mundo, acha?”

Krauser jogou sua arma e ergueu seu braço esquerdo ao céu. Ele dilatou, seus dedos se fundindo em uma garra com uma fileira de lâminas surgindo de seu braço. Estava claro que ele já tinha uma Plaga dentro dele.

“Testemunhe o poder!”

Os olhos de Krauser brilharam com uma luz vermelha.

“Prepare-se para a sua morte, Leon.”

Krauser chegou até Leon em um instante, atacando com seu novo braço de lâmina. Leon mal conseguia desviar dos golpes e atirava em contra-ataque, mas Krauser saltava para trás, desviando das balas. Este era o poder que seu corpo mutado lhe dera.

O confronto deles até a morte continuou.

Krauser transformou sua lâmina em um escudo para repelir as balas de Leon, e então lentamente avançou. Ele acertou Leon e o fez cair no chão, depois tentou acertá-lo com sua lâmina. Leon desviou rapidamente, e acertou as pernas de seu oponente com sua faca. Assim que Krauser caiu de joelhos, Leon apontou sua arma para sua cabeça. Ele apertou o gatilho sem qualquer momento de hesitação.

Krauser permaneceu de pé por um momento, emitindo um urro… depois, caiu no chão, sem emoção. Uma piscina de sangue se espalhou em torno dele enquanto seu braço esquerdo definhava silenciosamente.

CAPÍTULO 5: O FIM DE SADDLER

-1-

Leon deixou as ruínas e seguiu para o complexo de mineração, onde uma grande multidão de Ganados estava esperando. A estrutura era fortificada com barricadas e faróis de busca, seus defensores armados com lança-foguetes, arco e flechas, e até metralhadoras giratórias. Aproximar-se da fortaleza não seria fácil.

Pouco depois, Leon ouviu os rotores de um helicóptero no céu. Era o helicóptero dos Estados Unidos pelo qual ele esperava.

“Cara, já estava na hora.”

“Desculpe, trânsito ruim. Vou cobrir você.”

O piloto virou sua atenção para os tanques de combustível da fortaleza. Eles explodiram e fizeram os Ganados a postos arderem em chamas.

“Isto, sim, é o que eu chamo de reforço!”

Leon falava pelo rádio, claramente feliz pelo reforço. O piloto respondia animadamente.

“Meu nome é Mike. Se está procurando por poder de fogo, veio ao lugar certo.”

Quando as metralhadoras giratórias impediram Leon de prosseguir, Mike usou suas balas e foguetes para explodir suas armas. Mike o ajudava a passar pelas barricadas, em direção à escadaria no final.

Ele havia acabado de chegar à abertura no topo do rochedo, quando um grupo de Ganados armados apareceu. Eles cercaram Leon.

“Proteja-se!”

Leon reagiu imediatamente à ordem de Mike. Ele se jogou atrás de uma pilastra, enquanto as armas do helicóptero disparavam supressivamente. Os Ganados se espalhavam em pânico sob a chuva de balas; nenhum escapou. Leon ergueu seus olhos para o helicóptero no ar, e expressou seu agradecimento com uma voz entusiasmada.

“Obrigado. Quando sairmos daqui, as bebidas são por minha conta.”

Subitamente, houve um breve lampejo de luz, e o helicóptero explodiu. Fumaça subiu da máquina destruída enquanto caía no desfiladeiro.

“Mike!”

Leon se virou e viu um Ganado segurando um lança-foguetes, no alto de uma torre a distância. Saddler estava ao lado dele.

“Vou garantir que você seja o próximo a morrer, Saddler.”

-2-

Leon se infiltrou na estrutura subterrânea da ilha, e eventualmente encontrou Ashley. Ela estava trancada dentro de uma grande câmara. Leon tentou soltá-la, mas a voz de Saddler o impediu.

“Você logo terá um poder incrível. E, mesmo assim, prefere escolher a morte.”

“Eu vou levar a Ashley de volta, você querendo ou não.”

“Ah, a audácia dos jovens.”

Saddler deslizou rapidamente e golpeou Leon com a palma de sua mão direita. Leon não pôde desviar, e bateu na cápsula atrás dele. Ele tossia, enquanto a dor corria por seu peito. Saddler se aproximou, uma risada crescendo em sua garganta. Sua mão esquerda estava esticada na direção de Leon, como quando ele raptou Ashley.

Sons de disparos ecoaram. Saddler parou e se virou, seus olhos parando em uma mulher de vestido vermelho. Era Ada, atirando com uma submetralhadora.

“Leon, agora!”

Com Ada segurando Saddler, Leon conseguiu soltar Ashley da cápsula.

Então, Saddler soltou um leve urro, acompanhado pelo som de carne e ossos rasgando. Assim como Mendez e Krauser, estava claro que Saddler também tinha uma Plaga dentro dele.

“Anda!”

Com a ordem de Ada, Leon levou Ashley para a saída. Atrás dele, ele ouviu os disparos da metralhadora, seguido de algum tipo de explosão. Ele fez o possível para não olhar para trás. Ele corria com Ashley em seus braços.

-3-

Em sua fuga, Leon descobriu alguns dados sobre as Plagas. Parecia que um tipo especial de radiação podia ser usado para eliminar a Plaga do corpo, contanto que ela não estivesse completamente desenvolvida. No entanto, se a Plaga já estivesse madura, destruí-la podia também matar o hospedeiro.

O memorando estava assinado por Luis Sera. Mesmo depois de morto, ele havia dado a resposta às suas preces.

Leon e Ashley encontrarem a sala de operação era quase como se Luis tivesse planejado. A sala parecia abandonada há muito tempo, mas o equipamento ainda funcionava. Leon o ligou e examinou o painel de controle, depois se deitou na mesa de operação. Ashley perguntou se ainda funcionaria.

“Só tem um jeito de sabermos. Você opera.”

Uma imagem de raio-X apareceu no painel de controle, mostrando a Plaga dentro do peito de Leon.

“Você tem certeza de que quer fazer isto?”

“Sim.”

Ashley começou a operar. Leon gritou quando a radiação atingiu a Plaga dentro de seu corpo. Era como se todos os sensores de dor em seu corpo fossem ativados de uma vez. Depois de um tempo, a máquina parou, e o raio-X mostrou a completa evaporação da Plaga.

Era a vez de Ashley agora. Ela estava infectada com a Plaga há mais tempo do que Leon, e assim que começou o tratamento, Leon rezou para que as pílulas que Luis lhes dera funcionasse.

Ashley gritou de agonia enquanto a Plaga dentro dela começava a se contorcer, mas Leon só podia assistir sem ação. Finalmente, a radiação parou, e a tela mostrou que a eliminação estava completa. Ainda assim, Ashley não se mexia.

“Você está bem?”

Ashley abriu os olhos lentamente, e abraçou Leon. Livre do imenso sofrimento ao qual fora forçada, suas emoções há tanto tempo reprimidas fluíram.

Leon colocou uma mão em seu ombro, e disse.

“Não sei quanto a você, mas acho que está na hora de irmos para casa.”

-4-

Leon conseguiu sair com Ashley, e verificou os arredores. Perto dali, havia uma grande torre de metal. Leon tinha certeza de que eles estavam sendo vigiados, então ordenou a Ashley que ficasse onde estava e subiu o elevador da estrutura de metal.

No topo, Leon encontrou Ada amarrada, pendurada na ponta de uma corda. Ela ajudara Leon e Ashley a fugir, e acabou sendo capturada. Diante dela estava Osmund Saddler. Ele ergueu sua mão para ativar o parasita dentro de Leon, e andou na direção dele, lentamente.

“Melhor tentar um truque novo, porque este já está ficando velho.”

Leon jogou sua faca, cortando a corda que segurava Ada. Saddler soltou uma risada.

“O que é tão engraçado?”

“Oh, acho que você sabe. A… “predominância americana” é um clichê que só acontece nos seus filmes de Hollywood. Oh, Sr. Kennedy, você me diverte. Para mostrar meu apreço, vou ajudá-lo a acordar de seu mundo de clichês.”

Lentamente, ele abriu sua boca para revelar um olho gigante. Enquanto o olho se voltava para Leon, o corpo de Saddler começou a tremer e a se transformar.

Uma garra perfurou seu pescoço de dentro para fora, e de lá o parasita saltou, arrancando sua cabeça. Quatro pernas insectóides surgiram de seu pescoço, seguido por um tentáculo. Saddler havia se transformado em um monstruoso artrópode.

O tentáculo do monstro jogou Leon no chão, depois tentou golpeá-lo com sua ponta afiada. Seu corpo era como uma arma viva, e seus ataques pareciam incontroláveis. Leon ficava na defensiva, procurando por um ponto fraco. Enquanto ele desesperadamente se esquivava dos ataques, percebeu que havia globos oculares em todas as juntas do monstro.

O monstro soltou um grito de dor quando Leon atirou nos globos oculares em cada uma de suas pernas. Mas não importava quantas vezes o monstro vacilava, ele sempre se levantava novamente, colocando Leon em apuros. Esta disposição incansável de morrer… era este o ‘poder’ do qual Saddler falava?

“Use isto!”

Com o grito de Ada, algo caiu ao lado de Leon: um lança-foguetes. Ele o pegou e mirou no monstro que se aproximava. O míssil lançado atravessou a criatura. Houve um clarão momentâneo, e então uma explosão. Pedaços de seu corpo voando, enquanto o monstro definhava e soltava fumaça.

Ao lado dos restos do monstro jazia um tubo de vidro familiar. Era a “amostra” do parasita de que Luis falara.

“Desculpe, Leon. Entregue.”

Leon se virou para ver Ada mirando uma arma para ele. Então, era disto que ela estava atrás, no fim das contas. Ele lhe entregou a amostra e olhou para ela de novo.

“Ada, você sabe bem o que é isto.”

Ada deu um sorriso em vez de uma resposta, depois correu para a lateral da torre. Ela saltou e entrou em um helicóptero que estava esperando por ela lá. Ela acenou com a mão que segurava a amostra.

“Tenho que ir. Se eu fosse você, sairia desta ilha também.”

Ada puxou um dispositivo portátil, e apertou o botão. Um alarme começou a soar.

“Ela apertou mesmo!”

Cargas explosivas começaram a ser ativadas por toda a ilha.

“Aqui, pega.”

Ada jogou algo a Leon. Então, seu helicóptero partiu em direção ao horizonte.

O que Ada deixara era uma chave de um jet ski. Um pequeno ursinho de pelúcia pendurado em um chaveiro.

“Muito meigo.”

EPÍLOGO: UM NOVO AMANHECER

“Temos que sair desta ilha agora. Ela vai explodir a qualquer minuto.”

Assim que desceu da torre, Leon agarrou a mão de Ashley. Sem esperar por uma resposta, ele a puxou em direção a um canal de drenagem. Um jet ski estava parado ali. Ele usou a chave que ganhara de Ada para ativar o motor. Ashley subiu atrás dele e Leon acelerou pelo túnel. Ele tinha certeza de que ele os levaria ao oceano.

Havia um estrondo ao redor enquanto eles fugiam, e fortes explosões sacudiam toda a ilha.

“Ondas! Atrás de nós!”

Ashley olhou para trás e aumentou a voz. Uma grande onda os estava pressionando pelo túnel.

“Eu sei! Só se segure!”

A luz estava ficando visível. Leon acelerou o jet ski ao máximo. Pouco antes de a onda os atingir, eles chegaram ao mar aberto. A onda quebrou atrás deles, seu jato criando um arco-íris no céu.

“Vem. Vamos para casa.”

Leon falou com Ashley sobre os ombros.

“Parece uma ótima ideia. Missão cumprida! Certo, Leon?”

“Não exatamente. Ainda tenho que te levar em segurança para casa.”

Leon acelerou de novo, e pilotou em direção à terra firme.

“Então, depois que você me levar para casa, que tal passarmos algum… tempo extra?”

Leon deu uma resposta curta.

“Heh. Desculpe.”

Ashley não parecia desencorajada por ter sido dispensada.

“Então… quem era aquela mulher, afinal?”

Ela sabia onde atingi-lo. Leon não sabia como responder a ela.

“Vamos. Me conta.”

Ashley era como uma garota provocando o irmão mais velho. Leon pensou na afeição na voz de Ada… quando murmurou sua resposta, era tanto para ele quanto para Ashley.

“Ela é como uma parte de mim que eu não consigo evitar. Vamos deixar assim.”