Livro Traduzido | Resident Evil Archives Vol. II

RESIDENT EVIL 5

CHRIS CHEGA A KIJUJU

A cidade de Raccoon era uma cidadezinha no centro-oeste americano. Dez anos atrás, ela foi varrida do mapa em um incidente biológico sem precedentes. A situação que o causou, mais tarde chamado de “Incidente da Mansão”, se iniciou no Instituto de Pesquisa Arklay, fundado pela corporação farmacêutica Umbrella.

A companhia que foi a responsável pelo desastre, Umbrella, faliu nos anos seguintes. Contudo, o processo de desenvolvimento de armas biológicos cultivado lá continuou vazando pelo mundo todo através de várias fontes obscuras, e agora estavam sendo usadas em repetidos incidentes de bioterrorismo.

O Consórcio Farmacêutico Global, temendo que pudesse ser culpado pelos crimes da Umbrella, formou em 2003 a unidade anti-bioterrorismo BSAA (Aliança de Avaliação de Segurança contra o Bioterrorismo), para combater com o bioterrorismo em várias regiões do mundo.

Chris Redfield foi um dos sobreviventes do já mencionado Incidente da Mansão, e ex-membro da divisão de forças especiais do departamento de polícia de Raccoon, os S.T.A.R.S.. Junto com sua companheira de sobrevivência Jill Valentine, eles iniciaram uma investigação independente da Umbrella após o incidente. Mais tarde, ele ingressou na BSAA em sua fundação, e se tornou um de seus membros de elite.

Quando a BSAA enviou a Equipe Alpha à África, para prender o contrabandista de B.O.W. (armas biológicas) Ricardo Irving, Chris se voluntariou a ir com eles. Todos sabiam que sua paixão pela erradicação do bioterrorismo e das B.O.W.s era algo que beirava a obsessão.

Ele, porém, tinha outra razão para ir – uma razão que só ele sabia.

África: Zona Autônoma de Kijuju

A cidade de Kijuju foi construída sobre a terra árida da savana. Apesar de não ser uma cidade moderna em qualquer aspecto, era grande e tinha uma densa e diversa população em suas fronteiras.

O sol era uma bola implacável de fogo no céu quando Chris saiu do carro, ameaçando tatuar sua pele na terra sob seus pés.

“Bem vindo à Africa. Meu nome é Sheva Alomar.”

A areia soprou com a brisa, enquanto Chris olhava pela primeira vez para o contato enviado pela filial da BSAA na África Ocidental. A mulher africana portava uma elegância e otimismo que não faziam jus às suas altas habilidades de combate.

“Parceira…”

Chris murmurou as palavras antes de pensar. Ele havia perdido tantos aliados – bons homens e mulheres – ao longo do curso de várias missões. Recentemente, até sua parceira de maior confiança, Jill Valentine, havia sido tirada dele.

“Ultimamente, eu venho pensando se vale a pena lutar por tudo isto.”

Havia uma névoa sobre o coração de Chris. O calor saía por seus poros e enchia o seu corpo de suor.

Chris e Sheva estavam lá para encontrar Reynard Fisher, um agente secreto da BSAA que se infiltrara na cidade anteriormente. Eles começaram a andar, e não demorou para Sheva perceber algo estranho: os moradores haviam desaparecido. Era quase como se tivessem planejado aquilo com antecedência.

Uma nova sensação de mau agouro pairou no ar enquanto se encontravam com Reynard, disfarçado de açougueiro.

“O que vocês sabem sobre o Uroboros?”

O Uroboros era um antigo símbolo grego que representava o mundo ideal. Chris ouvira rumores de um “projeto apocalíptico”, mas não tinha ciência de qualquer ligação entre ele e sua atual missão.

Reynard os alertou para “terem cuidado lá fora”, e saiu.

ENCONTRO IMEDIATO COM MAJINI

Os novos parceiros pegaram as armas que Reynard lhes forneceu, e começaram sua missão. Apesar de terem acabado de se conhecer, eles conseguiram criar uma confiança básica baseada em suas experiências e no desejo de ver a missão concluída.

Um grito ecoou.

Chris e Sheva correram para uma estrutura dilapidada de pedra. Um grupo de homens segurava outro homem no chão. Eles forçavam algo para dentro de sua boca: uma coisa negra que se retorcia.

Os “criminosos” correram quando Chris e Sheva se aproximaram, e a vítima logo começou a chorar de dor. Seus olhos se arregalaram, e lágrimas de sangue escorreram por suas bochechas. Este seria seu primeiro encontro com um “Majini” – uma palavra que significa “espírito do mal” na língua local – mas não seria o último.

Sem aviso, o homem atacou. Chris e Sheva não tiveram escolha, senão atirar. Os habitantes, como se atraídos pelo som, logo foram para cima deles como uma massa enfurecida. Seus olhos irradiavam uma maldade evidente, e diante de seu comportamento claramente não-humano, a hesitação dos parceiros em atirar neles logo desapareceu.

Os dois fugiram para um prédio e observaram a situação da janela. Havia uma plataforma que parecia uma forca; um homem de óculos escuros estava de pé sobre ela, gritando ordens em um megafone. Outro homem foi levado à forca para ficar ao lado dele.

Era o Reynard!

Talvez sua identidade tivesse sido descoberta. Sheva começou a reagir, mas Chris a impediu; não havia como lutarem contra uma multidão daquele tamanho. Um homem do tamanho de um ogro com espetos de metal por todo o seu corpo deu um passo adiante. Ele ergueu seu machado, e realizou a “execução” de Reynard.

O homem de óculos escuros notou Chris e Sheva, e começou a gritar em seu megafone mais uma vez. A multidão começou a correr. Alguns vinham com armas, enquanto outros se transformavam e atacavam com monstruosas protrusões que saíam deles.

Estava claro que eles não podiam combater tanta gente. Eles fizeram um pedido de ajuda, mas o piloto do helicóptero, Kirk Mathison, disse que levaria um tempo até alcançá-los. Se apenas conseguissem sobreviver até lá!

Eles resistiram a tensas situações, mas em apenas dois, mesmo veteranos, começaram a se cansar da onda implacável de ataques. Só depois de um tempo, eles ouviram o som do helicóptero no céu. O helicóptero de apoio de Kirk desceu. Ele, então, abriu um caminho até eles, disparando com seu lança-foguetes em um portão trancado na entrada da cidade.

A DESTRUIÇÃO DA EQUIPE ALPHA

Já estava na hora quando a Equipe Alpha se infiltrou no incinerador que marcava o local da negociação das B.O.W.. Chris e Sheva correram para o local para encontrá-los.

O que viram quando chegaram, porém, não foi uma negociação do mercado negro acontecendo – eram os corpos dos membros da equipe! O líder do diverso grupo era o soldado veterano Dan DeChant, e eles estavam especificamente equipados para lidar com B.O.W.s. Que tipo de inimigo poderia tê-los liquidado tão facilmente!?

Dan ainda estava respirando. Ele disse a eles que fora tudo uma armadilha criada por Irving.

“Vocês têm que entregar isto ao QG…”

Com um último suspiro, Dan passou um arquivo cheio de dados sobre a negociação para Chris.

Os dois estavam prestes a voltar ao QG para realizar o último desejo de Dan, quando viram uma estranha sombra sobre suas cabeças. Os tentáculos disformes e oscilantes se uniram em uma única massa: um Uroboros.

Sua forma estranha tornava difícil lidar com ele – era fácil imaginar por que a Equipe Alpha não teve chances antes. Chris decidiu que eles não seriam capazes de derrotá-lo com suas armas, e, em vez disto, usou o incinerador para destruí-lo. Eles voltaram em segurança ao armazém, e encaminharam os dados ao QG.

“Se tivéssemos chegado lá antes…”

Sheva se reprovava. Chris respondeu.

“Se tivéssemos, provavelmente estaríamos mortos também.”

Eles entraram em contato por rádio com o QG para informá-los das estranhas circunstâncias e da destruição da Equipe Alpha. O QG reportou que Irving recuara para dentro da mina. Sua próxima ordem causou um arrepio na espinha de Chris.

“A missão continua. Capturar Irving é a principal prioridade de vocês.”

“Espera, somos os únicos dois restantes, querem que vamos sozinhos?”

“A Equipe Alpha foi enviada e está a caminho. Eles os auxiliarão na localização e apreensão de Irving.”

Chris sentiu uma nova sensação de desgosto pela forma como seus superiores usavam soldados como fantoches.

UM ENCONTRO COM A EQUIPE DELTA

Deixando suas dúvidas para trás, os dois continuaram sua missão, seguindo para a mina onde Irving havia ido. Chris percebeu que este incidente tinha muito em comum com o incidente dos Ganados descrito no Relatório Kennedy, escrito por Leon S. Kennedy.

Chris e Sheva chegaram a uma pequena vila portuária, mas a multidão de Majini não descansava. Cercados, eles foram salvos mais uma vez por Kirk em seu helicóptero de apoio. Se eles estavam em uma missão suicida, Chris ao menos agradecia o QG por lhes fornecer apoio.

Com apoio de cima, eles conseguiram chegar ao bairro residencial. Enquanto os ajudava na batalha contra os habitantes que um dia haviam sido humanos, Kirk repentinamente relatou que estava sob ataque dos Kipepeo, em forma de morcegos. O helicóptero perdeu controle e girou para longe.

Os dois correram para o local da queda do helicóptero, preocupados com a segurança de Kirk. Quando chegaram, o helicóptero era uma pilha de destroços com fumaça, e Kirk estava morto. Um bando de corvos rondava o local, sua presença adicionando uma atmosfera perturbadora ao forte cheiro de gasolina e partes queimadas de maquinário.

De repente, o local da queda foi tomado pelo som de motores, e uma horda de Majini em motocicletas se aproximou. Chris e Sheva faziam o melhor que podiam, mas seus movimentos não eram tão coordenados. No entanto, justo quando a situação parecia desesperadora, uma rápida série de disparos começou, e os Majini de moto caíram um a um.

Antes mesmo que Chris pudesse perguntar, seus salvadores se aproximaram: era a Equipe Delta. O líder da equipe, Josh, havia supervisionado o treino de Sheva, e ela conhecia quase todos ali pessoalmente. Josh contou a Chris.

“Sheva se tornou uma irmã caçula da equipe.”

Josh lhes disse para continuarem perseguindo Irving, e deu a Chris os dados que recuperaram do arquivo. Chris usou seu PDA para ver os dados, e ofegou diante do que viu.

“Jill…”

Nem Chris poderia manter a calma em uma situação destas. A mulher na foto era exatamente como a Jill! Parecia que o rumor que o fizera ingressar nesta missão estava certo, no fim das contas. Talvez ele finalmente pudesse acabar com todos os arrependimentos e dúvidas com os quais vinha lutando desde o incidente no castelo de Spencer…

PELA MINA

Eles seguiram pela estrada de terra até a mina para onde disseram que Irving havia ido. Estava muito escuro lá dentro, mas eles conseguiram passar pela escuridão até encontrar a luz no fim do túnel. Chris e Sheva se ajudaram na mina, até encontrarem Irving em um escritório.

“Então, você deve ser o Irving?”

“Uau, você entende rápido, não?”

Seu alvo tinha uma atitude arrogante, mas Chris e Sheva não iriam baixar a guarda. De repente, uma lata caiu dentro da sala, e a encheu de gás lacrimogêneo. Antes que Chris e Sheva pudessem reagir, uma figura com capa e máscara entrou pela janela e retirou Irving de lá.

Aquela havia sido uma operação impressionantemente profissional. Quando os dois recuperaram a visão, Irving já havia fugido. Chris encontrou alguns documentos no escritório, que sugeriam que a base de Irving era uma refinaria de petróleo na área do pântano. Era a única pista que tinham.

Chris e Sheva continuaram a perseguição por Irving. Através das muitas batalhas que encontraram pelo caminho, Chris podia dizer que sua parceria com Sheva estava ficando mais forte.

Sua próxima batalha foi com uma imensa criatura parecida com um morcego: o Popokarimu. Eles haviam acabado de derrotá-lo quando encontraram um jipe correndo na direção deles, dirigido por Dave Johnson da Equipe Delta.

“Chris! Sheva! Entrem!”

Parecia que após investigar o local da queda do helicóptero, a Equipe Delta decidira continuar a missão de ir atrás de Irving. Grato pelo descanso momentâneo, Chris e Sheva entraram no carro.

UMA NOVA PARCERIA

Sheva havia acabado de relatar a localização da base de Irving ao quartel-general quando Majinis de motocicleta apareceram em uma perseguição quente. Alguns Majini subiram na traseira de caminhões para disparar flechas e jogar coquetéis molotov. A situação ficava cada vez mais desesperadora enquanto Chris e Sheva usavam as metralhadoras fixas no jipe para derrubá-los.

Finalmente, eles destruíram uma fortaleza de Majini e chegaram à vila, onde esperavam se encontrar com a Equipe Delta. O local estava mergulhado em escuridão, mas os faróis revelaram uma visão horrenda.

“O que pode ter feito isto…”

O chão estava forrado de cadáveres da Equipe Delta. Parecia que eles tinham sido atacados por algo e, em um momento, este opressor se revelou: uma imensa silhueta surgiu na escuridão atrás de Dave. A criatura, um Ndesu, esmagou Dave com seu pé, depois jogou um carro para o lado, em demonstração à sua força. Estava claro que não havia como derrotá-lo em uma batalha normal.

“Suba no caminhão!”

Chris e Sheva subiram na traseira do jipe, e miraram as metralhadoras.

“Toma isto, seu filho da mãe feioso!”

O grito cheio de fúria de Sheva ecoou em meio ao som dos tiros. Cada bala que ela disparava estava tomada com o desejo de destruir a coisa que matou seus queridos amigos.

Nem eles terem levado a criatura ao chão, porém, podia preencher o vazio em seu coração.

Sheva olhava os corpos de seus amigos mortos, querendo chorar. Mas ela não viu Josh lá – será que ele havia sobrevivido? Chris falou com ela, com o rosto endurecido como pedra.

“Sheva, você não tem que fazer isto; ainda pode recuar.”

Chris sabia que tinha que chegar ao fim da missão, mas não queria que Sheva se envolvesse no que se transformara em sua vingança pessoal.

“E você?”

“Eu tenho um assunto pessoal nisso.”

Sheva estava desnorteada.

“Um ‘assunto pessoal’? Chris, olhe em volta! Nós dois devíamos cair fora daqui.”

“Eu não estou aqui apenas pela missão.”

Ele contou a ela sobre sua parceira desaparecida, Jill; como o dado que recebeu de Josh confirmou que ela estava viva. Mas Chris não era o único com uma razão para continuar lutando.

“Foi o meu pessoal que morreu aqui. Não posso simplesmente dar as costas e ir embora.”

“Não há mais ordens de agora em diante, somos só nós.”

“Somos parceiros. Até o fim. Agora, vamos.”

‘Parceiros’ – a palavra significava muito para Chris. Estava claro que Sheva havia escolhido por sua conta e risco.

“Certo.”

Chris não teve outra escolha, senão aceitar.

CADA UM COM SEU CADA QUAL

Os dois embarcaram em um bote, que correu em alta velocidade por um pântano durante toda a manhã. Eles seguam para a base de Irving na refinaria de petróleo. No caminho, Sheva perguntou a ele sobre Jill.

Calmamente, Chris contou a ela sobre Albert Wesker, o homem que eles vinham perseguindo desde o Incidente da Mansão. Wesker era o chefe de sua unidade dos S.T.A.R.S., além de informante da Umbrella. Eles se reencontraram mais uma vez na Prisão Rockfort, mas Chris o havia perdido de vista logo depois.

Ele não ouvira mais falar sobre ele até alguns anos antes, quando a BSAA descobriu a localização do único fundador vivo da Umbrella, Ozwell E. Spencer. Chris e Jill se infiltraram em seu castelo, esperando que ele os levasse até Wesker…

Há dois anos, Chris e Jill ingressaram na operação para apreensão de Spencer sob ordem da filial européia da BSAA. Dos fundadores originais da Umbrella, Spencer era o único ainda vivo.

Eles entraram no castelo de Spencer conforme sua missão. A estrutura era repulsiva, de alguma forma – e pensar que aquilo havia sido criado com dinheiro sujo, a partir da venda de armas biológicas! – e, ao mesmo tempo, os fazia lembrar da mansão em Raccoon, onde tudo começou. Passando pelos cômodos, eles encontraram corpos de pessoas mortas de forma misteriosa. Parecia trabalho dos guardas pessoais de Spencer. Julgando pelo estado mutilado dos corpos, estava claro que as coisas não correram bem.

Numerosas armadilhas os aguardavam na mansão, e as B.O.W. eram obstinados, mas Chris e Jill se ajudavam perfeitamente enquanto prosseguiam para o quarto de Spencer.

Dentro do quarto, eles viram um homem velho que se parecia com Spencer, caído em uma poça de sangue no chão. Ao lado dele, estava o homem que eles vinham perseguindo: Wesker.

Não demorou para perceberem que Wesker havia matado Spencer. Um sorriso apareceu no rosto de Wesker como um lampejo de luz iluminando a escuridão. Ele silenciosamente andou na direção deles. Chris e Jill empunharam suas armas, mas Wesker desviava de suas balas com velocidade super humana. Estava claro que não havia como feri-lo.

“Vamos acabar com isto.”

Wesker segurou Chris e se preparava para matá-lo. Naquele moment, Jill se jogou para frente e agarrou Wesker. Os dois caíram por uma janela, e desapareceram no abismo.

Os melhores esforços da BSAA para encontrar o corpo de Jill se provaram inúteis – naturalmente, eles também não conseguiram encontrar o de Wesker. Chris não queria acreditar que Jill estava morta, e sem um corpo como prova, ele se recusava absolutamente a aceitar. Ele não descansaria até encontrar Jill novamente.

“E você? Por que entrou para a BSAA?”

Era a vez de Chris perguntar.

Acontece que os pais de Sheva eram empregados em uma das fábricas da Umbrella, e morreram em um acidente envolvendo a criação de uma B.O.W.. O incidente foi encoberto, e Sheva não soube da verdade sobre suas mortes por muito tempo. Assim como em Raccoon, sua vila passou por uma tragédia por ganância da companhia.

“Armas biológicas foram responsáveis pelas mortes dos meus pais. E alguém tem que pagar por isto!”

Isto com certeza deu força a Chris, por saber que não era a única pessoa com um aspecto pessoal na luta. Não importa o que acontecesse, ele tinha que impedir tragédias como estas de acontecerem novamente no futuro.

“Juntos, podemos acabar com isto.”

“Então, vamos honrar nossos irmãos mortos.”

“Se segure.”

O propensor do bote acelerou, e eles correram mais rápido pelo pântano.

À frente deles, havia um acampamento dos habitantes nativos do pântano. Estas pessoas também haviam se tornado Majini. E pensar que alguém infectaria até estas pessoas com as Plagas, tirando sua humanidade, e os transformando em carapaças monstruosas sob o controle do parasita… Eles também foram vítimas, todos os dias pessoas eram sacrificadas para satisfazer a ganância de outros. Assim como em Raccoon.

Enquanto enfrentavam os Majini do pântano, Chris percebeu a terrível amplitude do poder das Las Plagas. Eles seguiram rapidamente para a refinaria de petróleo.

FUGA DA REFINARIA DE PETRÓLEO

Nos arredores do acampamento, Chris e Sheva notam uma tenda com o símbolo da Tricell, uma das companhias fundadoras da BSAA. Chris ficou nervoso pela visão, mas esperava que tudo se esclarecesse depois que eles prendessem Irving.

Finalmente, eles chegam à base na refinaria de petróleo. As estruturas primordiais de lá haviam sido construídas para funcionar não apenas como extrator de petróleo, mas também como uma imensa refinaria moderna. Os dois entraram; sentindo mais alguém dentro do prédio com eles, prosseguiram com cuidado extra.

“Josh?”

Josh apareceu, apontando a arma para eles – ele estava tão transtornado quanto eles. Ele havia sido capturado na volta do porto e levado para lá. Sheva estava feliz por ver Josh novamente, mas seu reencontro foi interrompido por um ataque de Majini.

“Vamos deixar o bate-papo para depois.”

As palavras de Josh faziam sentido; eles tinham que encontrar uma saída. Enquanto Josh tentava destravar o elevador diante deles, Chris e Sheva o protegiam dos inimigos em volta. Eventualmente, eles conseguiram chegar à saída.

“Você está bem?”

Josh estava sem fôlego quando foi questionado pelos dois.

“Parece que o Irving está tentando explodir o lugar e fugir.”

Uma explosão na refinaria de petróleo seria uma grande catástrofe! O grupo se separa: Chris e Sheva correram para as docas para tentar pegar Irving, enquanto Josh protegia a rota de fuga.

Nas docas, eles encontraram Irving embarcando em um barco. Ao lado dele estava a figura mascarada que o salvara no escritório da mina.

“Vocês chegaram a tempo do show de fogos de artifício!”

Irving soltou uma gargalhada aguda enquanto partia.

Foi então que eles foram chamados por Josh, dizendo que havia conseguido um bote. Eles tinham apenas dois minutos de sobraantes da explosão. Chris e Sheva corriam pelo assoalho das docas, saltando no bote. Naquele momento, chamas avermelhadas se ergueram da refinaria atrás deles, acompanhadas de um som ensurdecedor. Eles haviam conseguido fugir a tempo.

MOMENTOS FINAIS DE IRVING

Eles respiravam longamente após o martírio da fuga. Josh pergunta.

“O que aconteceu com Irving?”

Ele notou que Chris e Sheva estavam evitando seus olhos.

“Ahh… Bom, ele não deve ter ido longe.”

Josh colocou o bote em movimento. Eles estavam bem além do objetivo da missão, mas aparentemente ele havia se lançado nesta com Chris e Sheva.

“Josh…”

Chris o agradeceu. Josh acenou em silêncio.

As coisas estavam calmas, quando, de repente, uma grande forma surgiu ao lado deles. O barco de Irving os havia surpreendido!

“Oh, droga!”

Eles bateram com força no barco de Irving, e Josh quase não conseguiu segurá-los. Imediatamente, várias metralhadoras dispararam contra eles. Eles sabiam que não tinham escolha, senão forçar sua entrada.

Chris habilidosamente derrubou os Majini de suas metralhadoras, depois embarcou com Sheva. Irving observava irritado. Ele se lembrava de uma conversa que havia tido com a figura mascarada.


“O que você fará com eles?”
A figura mascarada segurava Irving pelo pescoço, e o erguia facilmente com uma só mão.
“Certo! Certo! Eu resolvo.”
Com isto, a figura puxou uma cápsula.
“Use isto.”
Era a “semente” de uma B.O.W..

“Todos me olham de cima… Mas não mais.”

Com Chris e Sheva armados, Irving não teve escolha, senão se injetar com o conteúdo da cápsula. Uma massa de tentáculos emergiu de sus costas, e a transformação se completou diante de seus olhos. Eles não conseguiam acreditar na velocidade daquilo!

“Estou além de qualquer coisa que vocês esperam se tornar!”

Antes que Chris pudesse sequer puxar o gatilho, Irving desapareceu na água. Após alguns segundos, ele reapareceu, agora como uma criatura aquática maior do que o barco. Chris e Sheva usaram as armas fixas do barco para atirar nele.

Sheva teve uma ideia: dada a rapidez de sua metamorfose, ele devia ter um ponto fraco. Seu raciocínio tinha lógica. Concentrando o fogo no ponto que parecia ser a sua fraqueza, os dois conseguiram derrotar Irving.

Os restos de Irving ficaram caídos no chão do barco.

“Maldita Excella! Acho que eu não valia o suficiente.”

Excella? Quem poderia ser? De qualquer forma, Irving parecia saber muito sobre o que estava acontecendo… Chris mostrou a ele a foto de Jill.

“Onde fica este complexo!? Me responde! O que é o Projeto Uroboros!?”

“A BSAA… uau, você não estão sempre por dentro de tudo? O equilíbrio do mundo está mudando e vocês estão completamente sem noção disto.”

Sheva o forçou a dizer mais, mas Irving se recusava a dar respostas concretas.

“Todas as suas respostas o esperam adiante, Chris… naquela caverna. Se você conseguir sobreviver o suficiente para encontrá-las.”

Mesmo em seus últimos momentos, Irving zombava deles, rindo aquela gargalhada aguda. Chris empunhou sua arma para atirar nele, mas…

“Chris…”

…Sheva o impediu. Ela sabia que Chris estava apenas frustrado: Irving não lhes dera novas pistas sobre o Projeto Uroboros… ou sobre Jill.

Um minuto depois, Irving deu seu último suspiro. Sem ideia do que os esperava lá, Chris e Sheva seguiram para a caverna.

O TEMPLO SUBTERRÂNEO

Eles adentraram mais fundo no pântano, e navegaram para a entrada de uma caverna. Lá dentro, encontraram uma doca construída sobre a rocha. O bote da figura mascarada estava estacionado lá. Chris e Sheva teriam que seguir o restante da viagem a pé.

Josh falou com eles, quando começaram a desembarcar.

“Então, vocês dois vão mesmo entrar nesta?”

Estava claro que Chris e Sheva não iriam voltar atrás; tudo o que ele podia fazer era dar o seu apoio a eles.

“Vou contatar o QG e tentar a ordem de encerramento. Também tentarei conseguir apoio para vocês. Tentem não morrer!”

O ar estava frio dentro da caverna. Chris lembrou das últimas palavras de Irving, e da menção do nome “Excella”. Sheva disse que Excella era o nome da diretora da divisão africana da Tricell. Não podia ser uma coincidência… podia?

Conforme adentravam, inimigos sugriam do chão e das paredes. As B.O.W. em forma de aranha eram conhecidas como Bui Kichwa, e a caverna logo se encheu delas. Chris e Sheva eliminaram todas, e o túnel logo se abriu em uma imensa caverna. A luz do sol vinha de cima, revelando uma cidade em ruínas e o que parecia ser um grande templo à distância. Era difícil acreditar que eles ainda estavam no subsolo. Sheva não podia conter a admiração em seu olhar.

“Eu não sabia que tal lugar existia aqui…”

Eles podiam ver as silhuetas de Majini do pântano se movendo pelas estruturas, mas parecia improvável eles serem os criadores de tudo aquilo. Aquilo claramente era produto de uma cultura altamente avançada. Além disto, havia sinais de que a área fora recentemente habitada. Quem poderia estar usando as ruínas, e com qual objetivo?

Chris e Sheva correram para o templo. No caminho, foram brevemente separados quando uma horda de Majini derrubou um pilar de pedra, destruindo uma ponte e deixando Sheva do outro lado dela. Eles surgiam de todos os lados. Chris sentiu uma onda de pânico – ele tinha que chegar até ela, e rápido!

Não que ele não confiasse em Sheva, mas o desespero que sentiu pela perda de Jill ainda estava fresco em sua mente. Ele passou por todos os obstáculos, tomado pela determinação de não perder outra parceira. Ele a acabou encontrando, e eles continuaram seguindo juntos por uma série de armadilhas traiçoeiras que culminava em uma passarela envolta em estátuas.

Eles conseguiram passar pela passarela cheia de armadilhas, e chegaram a um espaço aberto, como um cruzamento. Quando ativaram um dispositivo, um alto som ecoou pelo local, e uma grande escadaria de pedra desceu. Eles caminharam pelas ruínas labirínticas, e ativaram diversos outros dispositivos, até finalmente darem de cara com um rosto familiar: o Popokarimu que haviam derrotado na mina. Ele havia caído pelo precipício, mas… será que fugiu de lá para os templos? Desta vez, eles liquidaram o Popokarimu de uma vez por todas, e subiram a escadaria.

“Os preparativos estão quase prontos. Depois podemos ir.”

Enquanto isto, uma mulher estava com Wesker em uma sala, injetando nele alguma coisa, enquanto o atualizava dos acontecimentos. A mulher era Excella Gionne, a brilhante e bela presidente da Tricell África. O instinto de Sheva acertou o alvo.

“Ótimo”, ele respondeu.

“Sabe, eu fiquei surpresa pelas Las Plagas serem um sucesso. Quando você chegou, eu tinha minhas dúvidas.” Excella parecia estar tentando conseguiu um favor de Wesker.

Quando ela mencionou o nome de Chris, porém, ele apenas disse. “O plano está em seus estágios finais, não tolerarei atrasos.”

Percebendo que ele a havia repelido, Excella rapidamente deixou a sala.

Parecia que o homem por trás do Projeto Uroboros – o que pretendia “mudar o equilíbrio do mundo” – era o próprio Wesker… mas Chris não tinha como saber disto.

FLORES ESCARLATES CULTIVADAS NO SUBSOLO

Enquanto subiam a escadaria para o interior do templo, eles eram forçados a admirar a criatividade dos arquitetos que o haviam construído. As salas tinham dutos de luz do sol, iluminando-os tão claramente que era difícil acreditar que estavam sob a superfície da Terra. Eles ativaram um elevador, que os levou mais para dentro da estrutura.

“Que lugar é este?”

A câmara a qual chegaram era banhada em luz suave e natural. Um jardim com misteriosas flores escarlates estava diante deles.

“Estas não são flores comuns…”

O olhar de Chris foi imediatamente a uma antiga caixa de suprimentos próxima dali. Ele afastou a poeira, revelando o logo da Umbrella. Não muito longe estava uma tenda nova da Tricell…

“Será que estavam trabalhando juntas?”

Qual era a ligação entre as duas companhias? E o que tinha a ver com aquelas flores vermelhas?

“Será que era isto o que Irving queria dizer com ‘respostas’?”

Chris queria saber mais, mas sua prioridade ainda era encontrar pistas sobre o paradeiro de Jill.

Eles adentraram e se encontraram em um moderno laboratório com equipamentos novos. Flores do jardim estavam em fluidos de cultivo.

“Não sei como, mas eles poderiam estar usando as flores para produzir armas biológicas.”

Aquele era claramente o complexo do arquivo de imagem com a foto de Jill. Chris podia sentir que estava chegando perto de saber a verdade.

Andando pelo complexo, eles encontraram paredes manchadas de sangue e marcas de garras deixadas por uma enorme besta.

“Cuidado, eu vi alguma coisa.”

Eles estavam em uma grande sala cheia de câmaras experimentais de vidro. Dentro de uma das câmaras havia um grupo de Licker ßs! Assim como seus antecessores, estes Lickers melhorados tinham pouca capacidade de visão, então Chris e Sheva tentaram andar o mais silenciosamente possível. Eles entregaram sua presença, porém, chutando uma porta, e os Licker ßs quebraram os contêineres de vidro e foram atrás deles. Eles quase não chegaram a tempo no elevador.

O GRANDE COMPLEXO

O elevador os levou até um grande complexo cilíndrico.

“Isto também estava nas fotos.”

Nas paredes do local havia incontáveis cápsulas, cada uma contendo um ser humano; cobaias para a pesquisa de armas biológicas da companhia. Os olhos de Chris focaram no console diante deles. Ele digitou o nome de Jill.

“Jill!”

A plataforma em que estavam começou a descer, revelando a eles o tamanho total da estrutura cilíndrica. Ali devia ter cerca de centenas de milhares de cápsulas.

“São tantos… eles devem estar raptando pessoas do mundo todo para fazer experimentos.”

De repente, o elevador parou. Uma sirene de atenção soou. A causa imediatamente se tornou evidente: o U8, B.O.W. gigantesca de um cruzamento entre aranha e caranguejo, estava descendo na direção do elevador com suas imensas patas peludas.

A coisa era resistente como um tanque, mas a equipe conseguiu aprender o padrão de seus ataques, e lançou uma granada para dentro de sua boca. Com um último grito de dor, a criatura mergulhou na escuridão.

A plataforma voltou a se mover, e finalmente chegaram ao seu destino. Uma cápsula saltou da parede: devia ser a de Jill.

Chris esperou segurando o fôlego. Será que sua longa busca estava chegando ao fim? A cápsula se abriu.

Não havia nada dentro, apenas fluido.

“Droga! Onde ela está?”

Chris não conseguia esconder sua raiva crescente.

Pouco depois, um monitor próximo acendeu. Uma bela mulher falou com eles.

“Sr. Redfield. Que ótimo poder finalmente conhecê-lo.”

Excella Gionne“, Sheva murmurou.

A mulher falava com eles, e suas palavras davam pistas de que ela era a pessoa por trás da retirada da BSAA. Neste caso, ela naturalmente não lhes daria nenhuma pista sobre Jill.

“Não há nada aqui pelo qual valha a pena perderem suas vidas.”

Suas palavras traziam uma ameaça velada.

UM NOVO UROBOROS

A única saída que restava para Chris e Sheva era encontrarem Excella e a questionarem: tanto sobre o paradeiro de Jill quanto ao que ela estava planejando.

De volta ao elevador, Chris acabou interceptando uma conversa de rádio entre Excella e um homem. Ele ouviu um homem – Albert – e sua expressão ficou tensa. O homem em questão podia sre ninguém menos do que Albert Wesker, o homem por quem Jill se sacrificou na propriedade de Spencer. Chris rezava para que eles fizessem alguma menção a Jill, mas as vozes intermitentes logo cessaram.

Wesker se tornou conhecido na ligação com incidentes com B.O.W., mas seja o lá o que estivesse planejando agora era maior do que qualquer outra coisa que planejara antes. Chris tinha que aceitar que isto era maior do que a sua luta.

Eles seguiram até uma espécie de fábrica, onde grandes contêineres estavam sendo incinerados, levados por uma esteira. Mísseis estavam montados nas paredes em torno deles. Será que a Tricell estava planejando começar uma guerra?

Eles deixaram a fábrica para trás, entrando em um obscuro laboratório cheio de contêineres cheios de fluidos. Na luz fraca, eles encontraram em homem sentado em uma cadeira, sua cabeça baixa. Uma voz feminina quebrou o silêncio.

“Bom, fico feliz que tenham conseguido chegar.”

Excella os observava da sala de controle. A figura mascarada estava com ela.

“Excella… onde está a Jill!?”

Excella ignorou a pergunta.

“Vocês passaram tanto tempo tentando encontrar o Uroboros, bem, aqui está. Aproveitem.”

O homem se levantou. Tentáculos começaram a sair dele, irrompendo e se retorcendo de seu corpo. Sheva acusou Excella de criar a arma para vender aos terroristas, mas Excella recusou a sugestão. Ela afirmou, porém, que era uma “Pedra Filosofal” que escolheria, usando o DNA como indicador “que levaria ao próximo estágio” de evolução.

Seu desejo em revelar isto a eles era um sinal de sua absoluta fé no poder do Uroboros. Ela não teria difo se achasse que eles sairiam vivos daquela sala.

Este novo Uroboros – o Uroboros Mkono – era definitivamente mais poderoso do que o anterior que haviam enfrentado. Mas ele ainda tinha seu ponto fraco, e eles conseguiram destruí-lo usando o lança-chamas do complexo. No momento em que o finalizaram, contudo, Excella já havia ido embora.

UM REENCONTRO INESPERADO

Eles voltaram ao grande complexo cilíndrico, e subiram os andares, derrotando os Majini que tentavam impedi-lo. Eles finalmente chegaram no que parecia ser uma câmara de escavação em meio às ruínas. Eles logo encontraram Excella.

Excella Gionne! Pare aí mesmo!”

Antes que pudessem atirar nela, porém, a figura mascarada surgiu. A figura era tão ágil que nem Chris conseguia acertá-la; ele fez o que pôde para desviar dos golpes da figura.

“Você não mudou nada.”

Wesker apareceu diante deles, mostrando sua frieza de sempre. Era a primeira vez que Chris via seu inimigo mortal desde aquela noite na propriedade de Spencer.

“Bem, se esta não é uma grande reunião de família. Eu esperava que você fosse ficar mais feliz em nos ver.”

“Nos ver?”

Wesker se aproximou da figura misteriosa, e removeu seu capuz.

“Jill… Jill! Sou eu, Chris!”

Não havia reconhecimento nos olhos de Jill; era como se tivessem feito lavagem cerebral nela. Ela foi na direção de Chris e Sheva com velocidade não-humana.

“Vamos acabar com isto de uma vez por todas. Agora a briga está justa, dois contra dois.”

O inimigo mais odiado de Chris estava agora ao lado de sua ex-parceira, e ele teria que enfrentá-los ao lado de uma parceira em quem estava começando a confiar. Ele nunca imaginara esta situação, nem em seus sonhos mais terríveis. Mas mesmo deixando seu pânico de lado, ele não esperava ser páreo para eles em nível físico.

Talvez Wesker não considerasse que Chris valesse seu tempo, já que recebeu uma ligação em seu PDA e começou a ir embora. Chris e Sheva tentaram persegui-lo, mas Jill os repeliu, agarrando Chris em um ataque impiedoso. Chris a chamou, mas não surgia qualquer brecha em seu comportamento.

Seu desespero crescendo, Chris a chamou uma última vez.

“Acorde! Jill Valentine!”

“Chr… Chris…”

A expressão de Jill vacilou por um momento, e ela soltou seu braço. Vendo isto, Wesker tocou um botão em seu PDA, fazendo Jill imediatamente se contorcer de dor. Era óbvio agora que ele a estava controlando, de alguma forma.

“Não há mais tempo para jogos, Chris. Tenho trabalho a fazer.”

Com isto, Wesker saiu. Debatendo-se, Jill rasgou seu traje, revelando um dispositivo vermelho pulsando em seu peito. Podia ser através daquilo que a estivessem controlando!?

Eles sabiam que a vida de Jill podia estar em perigo se eles simplesmente removessem, ms tinham que arriscar. Chris se uniu a Sheva para remover e destruir o dispositivo. Jill soltou um grito de agonia, depois caiu inconsciente. Quando Chris a tomou em seus braços, seus olhos se abriram.

“Chris… Eu sinto tanto…”

“Você é a Sheva, certo? Eu não conseguia controlar minhas ações, mas, Deus, ainda estava consciente. Me perdoe.”

“Tudo bem.”

Chris começou a ajudar Jill a se levantar, mas ela lhes disse para a deixarem e irem atrás de Wesker. Eles tinham que impedi-lo, antes que ele espalhasse o Uroboros pelo planeta, e Chris era o único que podia fazer isto. Chris hesitou por um momento, temendo em deixá-la para trás, mas Jill falou, persuasiva.

“Você não confia na sua parceira?”

Quando ela falou desta forma, ele não teve outra escolha.”

“Certo.”

“Cuide dele.”

Com o encorajamento da parceira de maior confiança de Chris e o peso de seu consentimento em seu coração, Sheva seguiu em silêncio atrás de Chris. Jill permaneceu.

“Você é a nossa única esperança de sobreviver.”

Ela sabia que o destino do mundo estava nas mãos deles.

FUGA DESESPERADA

Após deixar Chris para trás, Jill desmaiou mais uma vez. Ela bancou a forte na frentede Chris, mas o controle de sua mente a havia enfraquecido.

“Ei. Pode me ouvir? Você está bem?”

A voz a fez despertar. Era Josh.

Josh estava chocado por vê-la lá. Ele a conhecia como um dos membros fundadores da BSAA, os Onze Originais. Ele lhe disse que havia um helicóptero a caminho para ajudar Chris e Sheva, e ela concordou em acompanhá-lo.

Jill e Josh deixaram a região montanhosa e seguiram para o local onde o piloto do helicóptero, Doug, marcara para encontrá-los. Majini vinham correndo, eles sabiam que teriam que lutar. Sua parceria era inusitada, mas ela era uma soldado de elite com experiência, e ele erao comandante da Equipe Delta, e eles se entenderam rapidamente enquanto lutavam.

Depois de um tempo, a luz do complexo de comunicação ficou visível. Jill disse a Josh que tinha algo que queria dizer a Chris e Sheva, e iria até o local sozinha. Josh decidiu acompanhá-la, dizendo que era caminho para o ponto de encontro, de qualquer forma. Eles usaram torres de foguetes para derrubar as barricadas e passar pelas hordas de Majini e Reapers. Finalmente, chegaram ao seu destino, onde Jill passou a informação para Chris.

A ponte que dava para o ponto de encontro estava destruída, então eles contataram Doug e mudaram o local para o heliporto no telhado do complexo. O helicóptero não estava lá quando eles chegaram, mas os Majini estavam! Não importa quantos eles matavam, mais inimigos continuavam chegando. Eles rezaram para Doug chegar logo – mesmo veteranos como eram, até Josh e Jill tinham limites.

“Desculpe deixá-la esperando, Srta. Valentine. Oh, e você também, Josh.”

Finalmente, o helicóptero chegou. Quando estavam prestes a embarcar, um foguete explodiu perto deles, derrubando e deixando Jill inconsciente. Josh a pegou nos braços e correu para o helicóptero. Doug equipou sua própria arma e desceu até a plataforma para tomar cobertura; graças ao seu apoio, Josh e Jill chegaram em segurança.

“Vamos! Estamos prontos!”

“Não precisa me dizer duas vezes!”

Mas a promessa casual de Doug não seria cumprida: um foguete o acertou em cheio.

Doug!!”

O capacete vazio de Doug rolou no chão.

“Droga!”

Josh golpeou o helicóptero com seu punho, tomado por tristeza, frustração, raiva… mas manteve suas emoções sob controle, enquanto ligava o helicóptero e subiam. Jill derrubou seus perseguidores com sua arma, reservando um último tiro para o Majini com o lança-foguetes que matara Doug.

“Se não ajudarmos Sheva e Chris… ele terá morrido em vão.”

“Você está certo. Vamos ver se conseguimos ajudá-los.”

O helicóptero voou pelas nuvens escuras que se acumulavam no céu.

INFILTRANDO NO NAVIO-TANQUE

Enquanto isto, Chris e Sheva iam atrás de Wesker. Eles chegaram à doca quando começava a anoitecer.

Wesker e Excella estavam embarcando em um imenso navio-tanque. Chris e Sheva silenciosamente adentraram o navio, e esperaram o cair da noite, depois que o navio deixasse seu porto, para começar sua busca. Chris pressupunha que o navio fosse grande e notável demais para ser usado no Projeto Uroboros; eles deviam ter outro plano em mente.

Enquanto passavam por uma estreita escadaria no interior do imenso navio, Sheva expressava sua preocupação se não conseguissem encontrar Wesker a tempo. Chris garantiu a ela que assim que Wesker soubesse que ele estava lá, viria atrás deles.

Sua busca valeu a pena. Eles não encontraram o homem que procuravam, mas encontraram Excella.

“Cadê o Wesker?”

Eles abriram fogo quando ela fugiu. Uma bala acertou uma das maletas que ela estava carregando, lançando seu conteúdo no chão.

“Chris, isto é…”

Era uma maleta com seringas contendo algum tipo de remédio. Excella a estava protegendo demais, o que significava que devia ser importante.

Majini altamente armados impediam seu progresso pelo navio, mas Chris e Sheva abriram caminho.

“Então, você chegou até aqui… pena que não irá muito mais longe.”

Wesker os observava através do sistema de vigilância do navio. Com o Projeto Uroboros seguindo de acordo com o plano, ele se lembrou de seu último encontro com Spencer.


“Wesker” era o sobrenome dado a um grupo de crianças que Spencer selecionara para serem seus escolhidos em um novo mundo que ele criaria com o Vírus Progenitor. Ele falava deles como sua obra-prima, sua criação – e Wesker achou aquilo intolerável. Ele não podia suportar a visão do velho decrépito reclamando o seu direito de ser um Deus.

“O direito de ser um Deus…”

Naquela noite, Wesker destruiu seu próprio criador e levou seu legado final. Foi na mesma noite em que Chris e Jill se infiltraram na propriedade.

“Com o Uroboros, eu tenho este direito.”

Sua confiança era inabalável.

ÚLTIMOS MOMENTOS DE EXCELLA

Chris e Sheva saíram no deck principal do navio, onde luzes brilhantes iluminaram uma pilha de corpos humanos. Excella cambaleava na direção deles.

“Chris! Que gentileza de sua parte se juntar a nós!”

Wesker falava com eles através de um alto-falante.

“Uroboros está prestes a fazer sua aparição! Seis bilhões de choros de agonia darão origem a um novo equilíbrio!”

“Sinto muito, Wesker, mas não vou deixar!”

A réplica decisiva de Chris é interrompida por um choro agonizante de Excella.

“Você disse que mudaríamos o mundo juntos! Por quê!?”

Parecia que até Excella fora apenas mais um fantoche no jogo de Wesker: com o Projeto Uroboros em seus estágios finais, não havia mais necessidade dela. Tentáculos surgiram de seu corpo para lentamente devorar a pilha de cadáveres. Eles, então, consumiram a bela mulher, deixando para trás nada, além de um terror astronômico: o Uroboros Aheri.

Eles evitaram seus ataques e entraram, procurando por meios de destruir a coisa. Finalmente, descobriram um dispositivo de tiro a partir de um laser controlado por satélite. Era a última esperança deles – de impedir um demônio horrendo, e dar a Excella o seu descanso final.

Eles destruíram os tentáculos do Aheri, disparando tiros do laser por satélite. Finalmente, o vil sacrifício final de Wesker caiu no silêncio.

JILL TRAZ A LUZ DA ESPERANÇA

Chris e Sheva retornam à ponte, onde encontram um monitor que mostrava um bombardeiro sendo preparado para decolagem. Wesker estava parado perto dele. Neste momento, Chris recebe uma transmissão de Jill, que passou a eles a mensagem que tinha a passar.

“Jill! Você está bem?”

Ela disse que as habilidades super humanas de Wesker vinham de um vírus, e que, sem injeções periódicas de certo soro, o vírus poderia ficar instável. Ela disse que Wesker havia tomado uma injeção recentemente, mas que uma overdose poderia ser nociva.

O nome do soro era PG67A/W.

Sheva ofegou: este era o nome da droga que Excella havia derrubado mais cedo! Se eles conseguissem injetá-la em Wesker, poderiam ter uma chance contra ele.

Eles perceberam que o bombardeiro seria usado para espalhar o Vírus Uroboros pelo mundo. Mesmo se o bombardeiro fosse derrubado, o plano teria sucesso – o que significava que estaria tudo acabado se o bombardeiro deixasse o solo sem eles.

“As coisas estão piores do que eu pensei. Temos que impedi-lo imediatamente”, murmurou Chris.

Eles tinham que chegar àquele bombardeiro! O navio foi atingido por explosões, e estava claro que não ficaria em pé por muito tempo. Chris e Sheva correram para o hangar.

“Tem alguma coisa errada… Não sei explicar”, murmurou Sheva.

Chris sentia a mesma coisa.

A APOSTA

Eles abriram a porta do hangar. Wesker estava lá, esperando por eles.

“Vocês dois não se cansam em falhar em sua missão? Vocês realmente se tornaram inconvenientes.”

Wesker sussurrou as palavras, como se as dissesse para si mesmo. Ele jogou seus óculos escuros, revelando o estranho brilho avermelhado de seus olhos, depois se aproximou de Chris e Sheva com velocidade super humana. Estava claro que eles não teriam chance de acertá-lo em uma luta normal.

“Por que está fazendo isto? Onde pretende chegar lançando o Uroboros?” Chris perguntou.

“A cada dia, os seres humanos se aproximam da autodestruição. Não vou destruir o mundo, vou salvá-lo!”

Eles estavam completamente inofensivos diante dele, até o lançarem para o andar inferior. Chris pegou o PG67A/W.

“Esta pode ser nossa única chance.”

Era agora ou nunca.

“As coisas estão ficando interessantes agora, não, Chris? Você acha mesmo que pode me derrotar?”

“De qualquer forma, não vou parar até estar morto!”

Com a réplica de Chris, Wesker caçoou como se estivesse realmente se divertindo.

“Então, eu só tenho que te matar rapidamente.”

Eles usaram a escuridão para ganhar vantagem, e abriram fogo contra ele com um lança-foguetes. Era a única chance que tinham de distraí-lo.

O trabalho em equipe de Chris e Sheva era impecável. Trabalhando juntos, eles injetaram a seringa do PG67A/W em Wesker.

“Funcionou?”

“Acho que sim.”

Wesker guinchava de dor.

“Isto não acabou, Chris!”

Com estas palavras, Wesker correu para o bombardeiro, e começou a decolar. Chris subiu nele, esticando a mão para Sheva. Ela a agarrou, sem hesitar.

A última dúvida de Chris estava esclarecida. Sheva era sua parceira de verdade.

A BATALHA NO BOMBARDEIRO

O bombardeiro voava pelo céu escuro da noite. Sheva e Chris embarcaram nele.

“Parece que eu subestimei você, Chris.” Wesker sussurrou levemente.

“Chega, Wesker. Não há mais ninguém para ajudá-lo agora”, gritou Chris.

“Eu não preciso de mais ninguém. Eu tenho o Uroboros!”

De acordo com Wesker, o bombardeiro atingiria a altitude ideal para a propagação do Vírus Uroboros em apenas cinco minutos. Dali em diante, sua destruição se espalharia por todo o mundo.

Wesker respirou fundo, e então foi na direção deles. Seu poder ainda era opressor, mas seus movimentos estavam ficando mais lentos, graças à overdose. Uma queda desta altura o mataria!

“Eu já cansei das suas besteiras! Você é só mais uma sobra da Umbrella!”

Chris olhou em volta, e localizou a alavanca de abertura da escotilha do bombardeiro.

“Você sabe o que temos que fazer.”

Chris correu na direção da alavanca, enquanto Sheva o cobria. Ele pegou a alavanca e a puxou. A escotilha do bombardeiro abriu, e vento começou a correr lá dentro.

“Se segura!”

Sheva estava prestes a sair voando do bombardeiro, mas se agarrou a uma pilastra. Wesker a segurou pelo tornozelo. Não parecia que ela aguentaria por muito tempo, com o peso de Wesker sob ela. Chris viu o desespero nos olhos de Sheva, e relembrou aquela noite na mansão de Spencer…

Ele não perderia outra parceira.

Sheva se soltou. Naquele momento, Chris se jogou e agarrou sua mão.

Mas Wesker se segurava nele com persistência.

“Vou levar vocês dois comigo.”

“Vai o caramba!”

Sheva se virou para ele e atirou, derrubando Wesker do bombardeiro.

Durante a batalha, porém, o bombardeiro perdeu altitude, e caiu na boca de um vulcão jorrando lava.

BATALHA FINAL NA ILHA DO VULCÃO

“Eu devia ter te matado anos atrás… Chris.”

A voz veio de trás deles, e era uma voz que Chris nunca mais queri ouvir. Wesker estava lá, tremendo de ódio. Ele socou o tanque cheio do Vírus Uroboros. O vírus espirrou para fora, envolvendo-o.

Os tentáculos do Uroboros se enrolaram sob a parte superior de seu corpo, enquanto seu braço direito parecia fundir tentáculos e metal como uma única arma.

“Hora de morrer, Chris.”

Wesker amaldiçoava o mundo, a humanidade… ele se aproximava, os tentáculos se enrolando nele. Um novo vento soprou, um sinal da iminente batalha final.

Wesker estava sob o controle completo do feroz poder do Vírus Uroboros, e manipulava seu potencial ao máximo. Não era nada parecido com o Uroboros que haviam enfrentado antes. Ainda cansados da batalha anterior, Sheva e Chris hesitaram à princípio, mas lenta e decididamente, sua confiança mútua lhes permitiu encontrar um ritmo, e eles viraram a mesa contra Wesker. Enquanto o repeliam, Wesker começou a guinchar de dor. Neste momento, o vulcão entrou em erupção, e o chão tremeu sob eles. Eles estavam em um deslizamento!

O chão se abriu, e Wesker mergulhou no inferno – mas Chris e Sheva não estavam longe disto. Justo quando a plataforma em que estavam começou a afundar na lava, um helicóptero apareceu.

“Peguem aí!”

Jill e Josh estavam dentro dele, Jill jogou a escada para eles, e eles embarcaram no helicóptero a tempo.

“CHRIS!!!”

O grito de ódio de Wesker ecoou atrás deles, seus tentáculos se contorcendo conforme a lava o sugava vivo. Parece que ele não iria ascender ao mundo dos deuses, mas, em vez disto, afundaria para o inferno. Não disposto a aceitar seu destino, sua mão atacou, agarrando o helicóptero e o balançando violentamente, em uma última tentativa desesperada de vingança.

“Chris, Sheva, usem isto!” gritou Jill.

Chris e Sheva pegaram os lança-foguetes.

“Pronta, parceira?”

“Prontíssima.”

Eles miraram cuidadosamente em seu alvo.

“Engole isto, Wesker.”

Os mísseis colidiram com sua cabeça, criando uma coluna de fogo. Finalmente, seu corpo afundou na lava escaldante.

“Isto foi por nossos irmãos mortos.”

Jill, Chris e Sheva se sentaram, observando-se com satisfação.

O helicóptero voou na direção do amanhecer no horizonte. Com a batalha terminada, uma sensação de contentamento tomou o grupo.

“Acabou”, suspirou Chris.

“Sim.”

“Finalmente…”

Josh trocou um sorrio com o trio. Chris se lembrou da pergunta que o atormentava há tanto tempo.

“Vale a pena lutar por tudo isto?”

Nos sorrisos de seus amigos, ele encontrou a resposta.