The Evil Within (2014) – The Executioner: “O Executor Produtivo”

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Às vésperas da E3, não haveria como deixar passar a oportunidade de dissecar, mais uma vez, The Evil Within. E sim, há relação: com Fallout 4 já anunciado, vai ter bastante tempo pra Shinji Mikami ir ao palco durante a conferência da Bethesda e anunciar algo de sua produtora Tango. Honestamente? Preferiria uma nova franquia, mesmo vendo futuro para Ruvik, Sebastian, Mobius e o sistema STEM. Há muito espaço para melhorias em termos de estrutura de jogo e muitos lugares para onde a trama poderia seguir.

Como a dona da casa já dissecou as duas expansões protagonizadas por Kidman, vou me ater a terceira e última delas, encabeçada pelo monstruoso The Keeper. E a essa altura da coisa toda acho não ser preciso anunciar a quantidade DESUMANA de spoilers que seguem, portanto, caso não tenha terminado esta controversa obra do gênio Mikami e pretende fazê-lo, melhor parar de ler por aqui.

 

The Executioner

 

Muito nos foi relevado em alguns pares de horas nos controles da misteriosa agente, e acho que o mais importante mesmo é destacar o envolvimento da ex-esposa de Sebastian, Myra Hanson, como membro honorário do conglomerado Mobius. Antes dita desaparecida, antes obcecada numa busca pela filha supostamente morta num incêndio, Myra supervisionou a coisa toda durante os eventos de Evil Within. E mais: foi ela quem escolher Kidman para a tarefa de encontrar e aniquilar Leslie, o receptáculo ideal para o fantasma dentro da máquina, Ruvik.

Conseguiram explicar, desta forma, pontos importantes sobre a confusa e densa trama de The Evil Within. Muitas das minhas conjecturas caíram por terra, infelizmente. E caso você tenha interesse em lê-las (e rir, por consequência do desenvolvimento dos fatos), sinta-se à vontade.

The Executioner fecha o ciclo de vida de The Evil Within. Caso uma continuação não seja anunciada, é tudo que teremos. Num esquema meio arcade, lembrando Rise of Nightmares (aquele de Kinect de 360, que ninguém se importou mas pelo qual nutro um carinho todo especial), mudar a perspectiva para primeira pessoa e inserir diversos novos sistemas não me pareceu a maneira ideal de fechar um pacote de expansão tão completo quanto havíamos recebido até então. Por consequência, pensei sequer haver trama ou tentativa de conexão com tudo que fora apresentado até então. Mas, para minha alegria, estava enganado.

 

The Executioner

 

De forma bem mais tímida se comparada a The Consequence e The Assignment, os quais cumprem o prometido, tapando vários buracos do elaborado roteiro de The Evil Within, The Executioner conta uma história que não teria tanta importância não fosse por dois pontos bastante significativos. Através de arquivos encontrados pelo cenário (e cabe o parênteses: é praticamente impossível prosseguir sem ter conhecimento destes mesmos arquivos), descobrimos ser possível assumir diferentes formas deliberadamente dentro do STEM e, ponto crucial e importantíssimo para o final dos eventos de The Evil Within, Ruvik conseguiu sim escapar da máquina, com sua consciência ocupando a de Leslie, agora apenas um receptáculo, uma carcaça.

Acredite, em algumas poucas linhas de texto, inúmeros debates e discussões foram postos em cheque. Sebastian avistou mesmo Leslie por entre policiais após recobrar consciência e escapar dos domínios fantásticos e grotescos do STEM. E, mais ainda, Ruvik deteve seus poderes fora da máquina, afinal, caminhava tranquilamente por entre os membros do departamento de polícia de Krimson City à conclusão de The Evil Within.

Voltando para o executor em si, esta última expansão narra a busca de um pai pela consciência de sua filha. Mais um experimente doentio de Mobius rumo ao descobrimento de um subconsciente coletivo para toda a humanidade. O pai desesperado, dentro da máquina, assume a forma de uma das criações de Ruvik. Digo, ao menos continuo vendo a figura do Keeper desta maneira, como um agente protetor dos recônditos mais secretos de sua psique.

Colocando de forma mais concisa: Ruvik conseguiu escapar, mas os experimentos com o STEM continuaram em algum outro lugar. O cérebro de Ruvik continua operacional, peça central da máquina e como Mobius sempre se apresentou como uma organização multinacional, é bem provável que outras sedes com réplicas do STEM estejam em plena atividade. Apenas uma ideia, mas faz sentido.

Fazendo uso de toda bestialidade do monstro Keeper – ou cabeça de caixa, camarada do peito daquele tal cabeça de pirâmide – desenvolver o jogo significa matar uma quantidade enorme de haunteds nos domínios da mansão Victoriano. Outras pessoas com diferentes traços de personalidade e psicopatias também estão dentro do STEM, assumindo formas diversas. Ao pai desesperado, é dito que, ceifando a vida de tais formas, a consciência de sua filha será detida em seu corpo. E assim segue até o final, com uma surpresa na forma de extra.

 

The Executioner

 

Nada realmente significativo dentro da erudição de The Evil Within, salvo pelos pontos mencionados a princípio. Seria decepcionante não fosse tão importante mesmo que de forma tão tacanha. Ademais, segue misteriosa a identidade do CEO da organização Mobius – ao menos da filial presente em Krimson City – contratante de Kidman e, possivelmente, superior de Myra. Mais: o STEM que vimos em The Keeper seria uma evolução do apresentado em The Evil Within? Talvez, afinal, Oda e Sebastian sofrem e lutam contra mutações no decorrer de sua permanência no STEM, já em The Executioner, o pai assume o papel de Keeper conscientemente, tendo total ciência de seu propósito ali.

Caso tenhamos The Evil Within 2, Mikami e sua trupe de malucos teriam como dever cívico e moral continuarem os eventos afunilados com o, apenas agora, desfecho sem mais espaço para interpretações. Ruvik é um senhor vilão e saber que tipo de fim ele daria a organização que o desproveu de tudo aquilo que tinha como precioso, seria nada além de incrível. Imagine ser ele o protagonista de The Evil Within 2? Seria um caminho seguro a seguir e também o mais interessante que consigo imaginar.

 
 

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Sobre o autor: Makson Lima é produtor e já trabalhou na PlayTV, onde era responsável pelos programas de cinema, Moviola e CinePlay, além de colaborar eventualmente com análises de filmes e jogos. Talvez você já tenha visto sua cara anêmica participando do programa Go!Game. De umas semanas para cá, tem escrito bobagens em seu Tumblr, e faz do twitter (@maksonlima) um exercício de catarse para com as escaras da humanidade. Tem uma admiração um tanto quanto doentia por Silent Hill, Siren e Shin Megami Tensei, além de considerar Chan-Wook Park e Takashi Miike os maiores diretores de cinema da atualidade. Procura experimentar absolutamente todas as desgraceiras do entretenimento eletrônico que surgem por aí (e do cinema também, e das HQs, e da literatura), e odeia falar sobre si mesmo na terceira pessoa.

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