Tradução | Entrevista com Paul W.S. Anderson sobre Resident Evil 5: Retribuição (Collider)

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Resident Evil 5: Retribuição (Resident Evil: Retribution)

Tradução de entrevista com o diretor Paul W.S. Anderson sobre o filme Resident Evil 5: Retribuição ao site Collider.

Você sempre foi uma parte integral da franquia Resident Evil, tendo escrito todos os episódios. Mas agora você está dirigindo episódios, em vez de passá-los para outro diretor. Então, o que o mantém empolgado?

Paul W.S. Anderson: Isto não mudou. Eu sempre fiquei empolgado com isto e sempre foi uma decisão dolorosa não dirigir os dois episódios que não dirigi. Se fosse por minha vontade, eu teria feito Apocalypse e Extinction. Naquela época, havia conflitos com outros estúdios, filmes e outros compromissos. Não é assim que funciona… filmes não são uma forma de arte em que você pode se sentar em sua galeria de arte e pintar, sabe? Não se faz isto. Você está gastando muito dinheiro de outra pessoa. Como disse, se fosse por minha vontade, eu teria dirigido todos. Então fico feliz por poder ter feito o último e por fazer este.

(…)

O final do quarto filme foi bem climático. Nós ouvimos falar que este começa com um flashback. Qual foi sua motivação para não pular direto para a ação?

Paul W.S. Anderson: Este começa basicamente com o final do último. Então começamos no deck do Arcadia. É meio que uma continuação direta dele.

Então os flashbacks são de uma cena de continuação?

Paul W.S. Anderson: Eu não posso… [risos]. Não posso te contar sobre os flashbacks.

Você pode falar sobre a decisão de incluir Barry, Ada e Leon?

Paul W.S. Anderson: Isto meio que aconteceu por fanatismo. Todos os fãs falavam sobre o quanto queriam ver estes personagens. Nós tentamos escalar atores que trouxessem estes personagens à vida o mais próximo do jogo que fosse possível. Você não faz ideia do quanto é difícil encontrar alguém com o cabelo de Leon Kennedy. Não é a coisa mais fácil do mundo. Ele tem que ser masculino e ter aquela franja comprida. Caramba, não podiam ter dificultado mais para nós, não? Mas estou muito feliz com os atores que temos.

Você está achando mais difícil se inspirar no jogo, além dos personagens? Porque agora você vai trazer os zumbis de Las Plagas neste filme.

Paul W.S. Anderson: Na verdade, não. Existe uma riqueza de detalhes nos jogos. Então, quanto às Las Plagas, vamos voltar a Resident Evil 4 e há elementos de Resident Evil 5 neste filme. Vai ter uma grande perseguição de carro com a qual estou muito empolgado, porque em Resident Evil 5 há uma batalha incrível com jipes, motos, metralhadoras pesadas e lança-foguetes. Eu pensei, “Isto é tão legal”. Então nós nos inspiramos nisto. Acho que tem muita coisa legal nos jogos e eu acho que vai demorar até ficarmos sem inspiração.

Nós ouvimos falar de algumas pessoas do elenco que, quando você estava escrevendo este, estava pensando em um 5º e um 6º filme, e falavam até de filmarem os dois sem pausa.

Paul W.S. Anderson: Houve um debate sobre isto, mas depois decidimos nos concentrar neste filme. Mas se formos fazer outro, já sei como vai ser. Obviamente seria ótimo fazer duas trilogias completas e dar um fim a tudo.

Aqui é que está. Sua esposa mencionou que está fazendo a personagem há muito tempo. Em sua mente, o 6º filme é o último?

Paul W.S. Anderson: Com certeza. A menos, é claro, que ninguém vá ver este. Então, este será o último, mas aí não será um final satisfatório.

Como você se sente quanto ao estilo de ação ser diferente? Qual é a sua abordagem de direção e quais são algumas das escolhas que você está fazendo para diferenciar este dos outros?

Paul W.S. Anderson: Como eu disse, o 3D da câmera é muito potente. A ação é diferente para um filme de Resident Evil. Não é diferente dos jogos. Como eu disse, nos inspiramos muito nas sequências de ação dos jogos. Mas fazer perseguições de carro em 3D com carros e motos, porque os mortos das Las Plagas obviamente conseguem usar armas, este é um aspecto totalmente novo que não foi usado na franquia de filmes antes. Então isto está sendo bem empolgante.

Eu quero perguntar sobre o tom visual do filme, e não sobre a ação ou a violência. Qual é o visual geral do esquema de cores? Existe alguma paleta em especial?

Paul W.S. Anderson: Este é um filme épico de mortos vivos. É realmente algo global. Nós filmamos em Washington, na Praça Vermelha e em Shibuya (Tóquio). Vamos obviamente recriar cenas de neve e gelo, mas também gravamos na neve e no gelo. Então realmente há uma sensação global e tentamos investir em cada um destes locais diferentes com um ar diferente. Então, estou empolgado com a neve e o gelo obviamente porque, como se pode provavelmente ver, com Ada usando o vestido vermelho na neve branca e o guarda-chuva preto, é algo muito gráfico. É muito contrastante. Mas a cena na Praça Vermelha é completamente diferente. É noite e muito ousado. Então a ideia era de fazer um filme como um pesadelo, em que você pula de um sonho ruim para outro, mas não consegue acordar. Cada parte do sonho é diferente, mas também muito desagradável. É quase como o visual de três ou quatro filmes dentro de um só, deliberadamente porque cada cenário é radicalmente diferente do outro, tanto na forma de filmar quanto na iluminação. Isto está deixando o Glen, nosso DP, maluco. Normalmente você tem um DP e estabelece um visual para o filme, e a cada semana é algo completamente diferente.

Com todos os visuais diferentes, uma narrativa global e não linear, há um tema unificador com o qual você pretende juntar tudo?

Paul W.S. Anderson: É difícil explicar sem dar detalhes do roteiro e do filme, mas, sim. Acho que tem algumas reviravoltas legais. Eles são inspirados pelo jogo, mas acho que haverá uma narrativa surpreendente. Estou ansioso para unir tudo. E muito empolgado também por trabalhar com atores que estão voltando à franquia. Esta foi uma das coisas mais legais. Não apenas trabalhar com eles porque são pessoas bacanas, mas também porque ter estes rostos familiares na franquia é algo que acho muito legal.

Você já definiu tudo sobre a Corporação Umbrella e onde ela quer chegar, ou a cada filme você pensa “não precisamos nos preocupar com isto ainda”?

Paul W.S. Anderson: Sabe, existe esta teia do mal e eles continuam crescendo com este fantástico conceito e a sua falta de atenção a detalhes. Eles meio que constroem estes incríveis complexos e estas máquinas de matar, mas nunca conseguem usá-las da forma correta. Eles sempre constroem muitos dutos de ventilação [risos].

Isto é verdade, mas entende o que estou dizendo? Você disse que vê o 6º filme como um final para a série. Você sempre pensou, “Bom, o QG final é em Barcelona”, por exemplo?

Paul W.S. Anderson: Não, eu tenho uma ideia bem definida de onde será o final, mas não posso contar. Mas será lindo. Ainda assim, será fácil de invadir. [risos]

Quando você teve a ideia de fazer estas versões boas e más das pessoas? Como isto surgiu?

Paul W.S. Anderson: Já estávamos pensando e falando disto há anos, sobre trazer a Michelle de volta, porque simplesmente adorei trabalhar com ela. Ela foi uma parte legal do primeiro filme, e quanto mais eu pensava na Michelle, mais eu pensava em como ela, como atriz, não pôde explorar outros aspectos de sua carreira, porque ela é sempre escalada para o mesmo papel, e eu me sinto culpado por isto, é claro. No começo da carreira dela, eu a escalei como a garota má com uma metralhadora. Mas, desde então, já foram 10 anos atuando como a garotá má com uma metralhadora, muitas vezes. Eu quero dar a ela uma oportunidade de fazer algo diferente e ela ficou muito empolgada com isto. Então foi assim que a ideia de personagens bons e maus surgiu. Foi para dar a ela a oportunidade de abrir as asas um pouco, porque acho que ela é uma atriz subestimada. Ninguém atira com uma metralhadora pesada como a Michelle Rodriguez. Temos muito material e é simplesmente incrível. Ela atira com uma metralhadora gigante e as balas caem em câmera lenta, não pisca e nem tropeça. A única hora em que ela se incomoda é quando não recarrega a munição adequadamente ou rápido o bastante. Ela é uma verdadeira profissional. Está pronta para ir para a guerra e faz isto muito, muito bem. Mas uma das coisas legais neste filme foi assisti-la tentando andar com salto alto, porque este é um verdadeiro desafio para ela. Isto foi divertido.

Nós a vemos se injetando com algo. Ela explica que isto a deixa mais forte e impermeável a balas, ou algo assim. É este o caso?

Paul W.S. Anderson: Ela se injeta com um parasita Las Plagas. Ele foi tirado do jogo. Há um momento no jogo em que um dos personagens se injeta e nós fizemos o mesmo dispositivo de injeção. Estamos filmando exatamente da mesma forma. Então haverá uma criatura parasítica horrenda que você verá entrando por suas veias. É um tema em todos os jogos, com personagens se injetando e desenvolvendo superpoderes, mas eles pagam o preço por isto.

Já faz mais de 12 anos desde que você se envolveu com a franquia Resident Evil. Consegue traçar uma linha desde aquela época até hoje tanto em termos do relacionamento com a franquia quanto em trabalhar com Milla, sua própria carreira e toda a jornada?

Paul W.S. Anderson: Foi uma jornada fabulosa. Fico muito empolgado com o que conseguimos fazer com a franquia. Eu sempre me refiro ao primeiro filme como “o filminho que deu certo”, porque na época não era moda lançar filmes de jogos. Havia vários que não tinham dado certo. Mortal Kombat, o que eu fiz, foi um dos poucos que se saiu bem. Mas a sequência, porém, não ficou tão boa. Ele também era classificado como RESTRITO na época, quando estúdios americanos não queriam filmes assim. Foi depois do que aconteceu em Columbine e todos os estúdios disseram, “não vamos mais fazer filmes classificados como RESTRITOS”. Eles estavam mesmo fugindo disto. Então, quando fizemos do filme, ele foi bem financiado fora da América do Norte. Não havia acordo com estúdio. A Sony só se envolveu durante a sessão principal de fotos. Eu lembro que o acordo que fizemos era se o filme não fosse bem em seu primeiro teste nos EUA, e este tipo de coisa é muito estressante para qualquer criador de filmes, onde você mostra o seu filme ao público, mas se não atingisse uma meta, ele iria sair direto em DVD. Realmente parecia o filme que ninguém queria. Lembro como se fosse ontem de ler uma análise dele. Acho que foi no The Hollywood Reporter ou na Variety. Não lembro em qual, mas foi um dos dois que disse, “Este filme não tem público. Ele foi feito para ninguém e ninguém quer vê-lo. Não tem público.” Mas aí o filme teve público. Rendeu bem e alcançou um público. O filme deu muito certo e a franquia cresceu a partir daquele ponto, porque estávamos presos a isto, acho. Milla continuou na franquia e eu acabei me prendendo também, porque há havia me envolvido em franquias com as quais não me prendi e senti que ela acabou indo em uma direção errada. Então estou muito orgulhoso que este pequeno filme, que foi feito em Berlim, como filme estrangeiro, por uma equipe europeia, e estrelando uma mulher da Rússia, tenha se tornado um grande sucesso. O fato de cada filme sair melhor, disto eu me orgulho.

Fonte: Collider

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