Tradução | Entrevista com Paul W.S. Anderson sobre Resident Evil 6 (Collider)

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Resident Evil 5: Retribuição

Tradução de entrevista com o diretor Paul W.S. Anderson sobre o filme Resident Evil 6, para o site Collider.

Pelo que eu entendi, você vai chamá-lo de “Resident Evil: Rising”?
Não. O título por enquanto é “Resident Evil: The Final Chapter”. Pode ser o título final, mas é o que está escrito na primeira página do meu roteiro.

Em que ponto você está do processo de escrita? Você já terminou o primeiro rascunho?
Não. Estou no meio dele.

Você já tem datas estipuladas ou ainda está planejando tudo?
Não, não há datas para início das filmagens ainda. Acho que vamos esperar até termos uma primeira versão do roteiro e seguir a partir daí.

Nas vezes em que nos falamos sobre Resident Evil, você mencionou que este provavelmente seria o último filme. Este ainda é o caso, ou você está escrevendo, ciente de que este é provavelmente o último filme?
É o que está escrito na página do título, “Resident Evil: The Final Chapter”, então, com certeza.

Bem, nunca sabemos. É uma franquia de sucesso, as coisas podem mudar.
Como diria Christopher Lambert, “Só pode haver um”. E já fizemos cinco. (risos)

Quando você começou com Resident Evil e a franquia teve início, quando foi que você percebeu que estava envolvido com algo tão amado por tantas pessoas pelo mundo todo?
Acho que foi uma coisa orgânica. Como você provavelmente sabe, quando fizemos o primeiro filme, nem tínhamos um acordo com distribuidora americana ainda. Foi um filme inteiramente financiado internacionalmente e a Sony só meio que distribuiu na América do Norte. E é claro que eu me envolvi muito mais no filme depois, mas sempre me referia a ele como “o pequeno filme com potencial”. Porque, na época, era um filme que ninguém queria, ninguém estava empolgado com ele, era baseado em um jogo de videogame e, por muito tempo, desde Mortal Kombat, não havia nenhuma adaptação bem sucedida de jogos. No entanto, eu voltando a este gênero obviamente deu a ele uma chance melhor do que aos outros.

Ainda havia ceticismo se valia a pena adaptar jogos para filmes. Foi pouco depois de Columbine, então era um jogo conhecido por ser muito violento e havia uma grande resistência contra, e eu queria fazer um filme restrito e que não fosse muito fora de contexto na época. Havia muita coisa contra e nós colocamos muito amor e energia para fazer o melhor filme que pudéssemos. E então, o filme deu certo, se saiu melhor do que todos imaginávamos. É por isto que me refiro a ele como “o pequeno filme com potencial”, é como um pequeno motor que, lentamente, consegue chegar ao topo da ladeira, subindo, subindo, subindo. E foi meio que isto que a franquia fez, continuou criando e criando uma base de fãs.

Obviamente, quando eu voltei a ser o diretor, demos um grande salto com Afterlife, em termos do tipo de audiência que queríamos alcançar. Não acha que houve um momento em que pensamos “Ah, esta coisa é grande!”. Continuamos fazendo os filmes um a um e tentando fazer o melhor que pudéssemos. E então a coisa cresceu organicamente, e cresceu um público com ele, eu acho.

Eu sei que você é um grande adepto do 3D, e que se divertiu com seus filmes recentes, especialmente Resident Evil. Como está escrevendo este último filme, já está imaginando algumas coisas em 3D?
Minha abordagem é muito do tipo, eu acredito que você tem que começar a filmar em 3D até no processo de escrita. Você não consegue fazer um bom filme em 3D simplesmente – não é só um tipo de sal que você joga por cima. Você faz o banquete e depois joga o tempero por cima – não é assim que funciona. Sim, você pode fazer uma conversão de última hora. Mas não pode filmar pensando no 3D e fazer uma conversão de última hora e ser um filme em 3D, simplesmente não será um bom 3D.

Eu abordo meus filmes desde a concepção da ideia, meio que escrevo as cenas de ação e escolho locais que sei – porque já fiz muito disto – que irão traduzir muito bem o 3D. Então, quando construímos os cenários, construímos de forma que eu sei que darão certo em 3E. Mesmo assim, o 3D é algo que eu sempre considero. E acho que é uma das coisas que as pessoas realmente gostam nos filmes em que me envolvo. Mesmo que não goste de outros aspectos dele, acho que uma coisa com o qual as pessoas concordam é que o 3D fica fantástico e isto é muito bom. Nós tomamos muito cuidado com isto, e é tudo bem pensado, quando começamos a pensar nas locações, já tenho o 3D em mente. Quando estou escrevendo as cenas de ação, tenho o 3D em mente de como será feito e como funcionará.

Divulgamos recentemente uma notícia de que Michael Bay usou as novas câmeras digitais IMAX 3D 4K no novo filme dos Transformers. É algo que você gostaria de usar no próximo Resident Evil?
No último filme que eu fiz, filmamos com a 5K e é fantástica – obviamente, quanto mais resolução, melhor, porque a imagem fica melhor e dá mais flexibilidade. Porque se pode aumentar o alcance da imagem, filmar mais do que precisa e depois trabalhar dentro daquele frame durante a pós-produção. Não sei. Como disse, o trabalho começa no roteiro. Quero dizer, se eu achar que devemos evoluir e filmar com câmeras IMAX, com certeza considerarei isto.

(…)

Você já teve os direitos de outros jogos ou pessoas vindo até você e dizendo “acho que este pode ser o novo Resident Evil” ou “acho que você seria perfeito para adaptar esta franquia de jogos”?
Já me ofereceram outras franquias. Acho que como estou muito associado a Resident Evil, acho que provavelmente há uma relutância em fazer outro filme de jogos e eu também sentirei esta relutância. É a franquia com o qual estou envolvido agora e é o que eu realmente quero fazer e é nela que quero colocar toda a minha energia. E estou muito feliz com a maneira como consegui alternar entre um filme baseado em um jogo de videogame e um filme baseado em fato histórico ou em literatura. Não gostaria de fazer um filme de videogame atrás do outro.

(…)

Você acha que Resident Evil pode chegar aos cinemas em 2015 ou acha que será só em 2016 que finalmente será lançado?
Não sei, acho que depende do quão rápido eu escrever. Não há data estabelecida ainda, mas espero que possamos anunciar muito em breve.

Fonte/Source: Collider

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